Programa da conferência
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Simpósio 5b - Produtos Florestais Não Lenhosos: uma oportunidade para os proprietários florestais
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Medronho – Produtos Diretos com Fileira Estabelecida (em construção) 1: IPC/ESAC - Instituto Politécnico de Coimbra/Escola Superior Agrária de Coimbra; 2: CERNAS/IPC - Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Coimbra; 3: UC - Universidade de Coimbra; 4: GreenClon Lda.; 5: INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.; 6: BioISI - Biosystems and Integrative Sciences Institute, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; 7: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development & CHANGE Global Change and Sustainability Institute, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Universidade de Évora; 8: UAlg - Universidade do Algarve; 9: Arbutus - Associação para a Promoção do Medronho; 10: CCDRC - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, I.P.; 11: Departamento de Biologia & CESAM, Universidade de Aveiro; 12: Medronhalva Lda. O medronheiro (Arbutus unedo L.) é uma espécie mediterrânica autóctone com elevada relevância ecológica, económica e social em Portugal, destacando-se pela sua adaptação a diferentes condições edafoclimáticas, resiliência aos incêndios florestais e contributo para a biodiversidade e para a dinâmica económica em territórios rurais. Tradicionalmente associado à produção de aguardente de medronho, o fruto apresenta atualmente um potencial de valorização mais amplo, abrangendo aplicações agroalimentares, gastronómicas, farmacêuticas e ornamentais. Este capítulo reúne o contributo de autores pertencentes a várias instituições e organizações nacionais, centrando-se na descrição dos vários aspetos envolvidos no setor do medronheiro e do medronho, desde o solo até ao fruto fresco ou à sua utilização pela indústria alimentar. É apresentada uma síntese abrangente do conhecimento disponível sobre a espécie, abordando a sua distribuição geográfica, exigências edoafoclimáticas, bem como os avanços alcançados no melhoramento genético, conservação de recursos genéticos e produção de material vegetal certificado. São igualmente descritas as principais práticas culturais associadas à instalação e gestão de pomares, incluindo aspetos relacionados com a preparação do solo, densidade de plantação, fertilização, controlo da vegetação e poda, visando aumentar a produtividade e a qualidade do fruto. O setor do medronho é analisado numa perspetiva integrada, com especial destaque para a produção de aguardente, produto emblemático cuja qualidade depende de fatores como o estado de maturação dos frutos, as condições de fermentação, a tecnologia de destilação e a diversidade microbiológica associada às fermentações espontâneas. Paralelamente, são apresentadas alternativas de valorização do fruto para o consumo em fresco e para o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores, incluindo snacks, chutneys e marshmallows, beneficiando da riqueza do medronho em compostos bioativos e antioxidantes. Por fim, discutem-se os principais desafios estratégicos do setor, que se pretende estruturar e afirmar como fileira, nomeadamente a necessidade do aumento da capacidade de produção do fruto, a melhoria das práticas culturais, a valorização dos produtos transformados, a certificação, a organização dos produtores e o reforço da investigação e desenvolvimento aplicados ao universo do medronheiro e aos produtos resultantes da transformação do medronho. Em súmula, este trabalho evidencia o potencial do medronheiro como recurso endógeno de elevado valor acrescentado, capaz de contribuir para a sustentabilidade económica, ambiental e social dos territórios rurais portugueses. Agradecimentos: O CERNAS - Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Coimbra, financiado por fundos nacionais através da FCT I.P., Ref. UID/00681/2025 (https://doi.org/10.54499/UID/00681/2025). MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development (https://doi.org/10.54499/UID/05183/2025) & CHANGE Global Change and Sustainability Institute, Instituto de Investigação e Formação Avançada, (https://doi.org/10.54499/LA/P/0121/2020), Universidade de Évora. Transform, PRR, Portar. nº43-A/2022, AVISO N.º 02/C05-i01/2022 – “Agenda para a transformação digital das cadeias de valor florestais numa economia portuguesa mais resiliente e hipocarbónica” https://transform.forestwise.pt/. A sobrevivência à plantação de medronheiro em condições de stresse hídrico: simulação em viveiro 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: Centro de Ecologia Funcional, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra; 3: CERNAS / IPC, Coimbra O medronheiro (Arbutus unedo L.) é uma espécie autóctone reconhecida pela sua resiliência aos incêndios rurais, particularidade que a torna relevante em programas de florestação e reflorestação, sendo frequentemente utilizada em faixas de proteção na interface floresta-aldeia e em zonas industriais. A espécie apresenta boa adaptação a solos degradados, contribuindo para a sua recuperação e, simultaneamente, para o aumento do rendimento dos proprietários florestais através da produção de fruto. No contexto das alterações climáticas, o período de plantação tende a tornar-se progressivamente mais curto e incerto. O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito das micorrizas, da utilização de agentes retentores de água e do respetivo modo de aplicação na sobrevivência de plantas de medronheiro sob condições de stresse hídrico simuladas em estufa (sem rega e sem rede de sombra), bem como o potencial de transferência dos resultados para condições de campo. Foram utilizadas plantas micropropagadas provenientes do mesmo clone, de forma a reduzir o efeito da variabilidade genética na resposta aos tratamentos. As plantas foram instaladas em vasos de 2,8 L, utilizando um substrato de textura grosseira e baixo teor de matéria orgânica. Testaram-se duas condições hídricas: substrato húmido (simulando ocorrência de precipitação) e substrato à capacidade de campo (simulando uma rega de 2 L/planta). Os agentes retentores de água foram aplicados na forma seca (2 g/planta) ou pré-hidratados (2 g/300 mL). Avaliou-se ainda a adição de fertilizante, a prévia imersão do torrão da planta numa suspensão de esporos de Pisolithus arhizus e a aplicação de uma mistura de algas e vitaminas. No total, foram utilizadas 225 plantas distribuídas em três blocos completos casualizados, cada um com 15 tratamentos compostos por cinco plantas distribuídas aleatoriamente. Os melhores resultados de sobrevivência (80%, após 98 dias sob stresse hídrico, sem rega nem cobertura) foram obtidos no tratamento que combinou substrato à capacidade de campo, aplicação do agente retentor de água na forma seca e prévia imersão do torrão numa suspensão de esporos de Pisolithus arhizus. Os resultados sugerem que a antecipação da plantação no outono, após a ocorrência das primeiras chuvas, associada à prévia imersão do torrão em suspensão de esporos de Pisolithus arhizus, à aplicação de agente retentor de água na forma seca (2 g/planta, operacionalmente mais simples e de menor custo) e à realização de uma rega de aproximadamente 2 L/planta, poderá aumentar o sucesso da instalação das plantas. Este tratamento permitiu obter 80% de sobrevivência após 98 dias sob stresse hídrico. Melhoramento do medronheiro: resultados de ensaios de progénies 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: CERNAS, Coimbra; 3: Altri Florestal, S.A, Olho Marinho; 4: The Navigator Company, Herdade de Espirra; 5: CCDRC, Castelo Branco; 6: GreenClon Lda, Cantanhede O medronheiro (Arbutus unedo L.) é uma espécie autóctone, com vasta distribuição de norte a sul do país. Apresenta elevada plasticidade, com adaptação a diferentes tipos de solo e rocha-mãe. A sua resiliência aos incêndios florestais e crescente valor económico justificam o seu uso frequentemente em sistemas multifuncionais, incluindo faixas de proteção de áreas florestais, rede viária, aldeias e zonas industriais. O programa de melhoramento desta espécie é ainda muito recente, particularmente quando comparado com outras espécies fruteiras. Plantas adultas foram selecionadas com base na produção e qualidade do fruto e posteriormente multiplicadas por micropropagação. Foram instalados ensaios de campo em diferentes condições ambientais para avaliação dos genótipos (Projeto ProDeR). Partindo dos resultados obtidos em campo e na prospeção de acessos, foi instalado na ESAC um pomar produtor de semente de 1.ª geração, constituído por 50 genótipos, certificado pelo ICNF (categoria de “qualificado”, código ARBUQ001) e registado na plataforma GRIN-Global, com os códigos PRT 674 a PRT 724 através do Projeto PDR2020-784-042742. Foram igualmente instaladas áreas de reserva ex situ para assegurar a conservação dos recursos genéticos (PDR2020, Transform), garantindo a sua disponibilidade para futura integração no programa de melhoramento, como resposta a fatores bióticos, abióticos e económicos. Com plantas obtidas a partir de semente de 1ª geração, têm vindo a ser instalados ensaios de progénies/famílias (2022 e 2024; PDR2020, Transform), em diferentes condições ambientais (blocos completos casualizados), com o objetivo de selecionar os melhores indivíduos dentro das melhores famílias, visando a constituição do pomar de 2.ª geração. Na avaliação das arvores progenitoras/famílias, numa fase precoce, a taxa de sobrevivência evidencia a resiliência e apresenta também um interesse do ponto de vista económico. Os parâmetros observados incluíram a taxa de sobrevivência e o acréscimo em altura. No ensaio instalado em 2022 foi também avaliada a densidade foliar e a florescência. A taxa média de sobrevivência apresentou elevada variação entre locais (36,9% em Penamacor, 61,6% na Bogalheira, 69,9% em Vale Formoso, 77,3% no Furadouro e 90,3% em Machio). O resultado observado em Penamacor poderá estar associado à data tardia de plantação e ao tipo de adubo utilizado (14:12:9). Para cada local e para os parâmetros estudados, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as progénies, não existindo, nesta fase, base para inferir variância genética relevante. Os valores positivos da Aptidão Geral à Combinação constituem um indicador de tendência evidenciada pelas progénies/famílias; contudo, na ausência de diferenças genéticas significativas, sugere-se a necessidade de avaliações em fases mais avançadas do ciclo vegetativo, particularmente no que respeita à produção e qualidade do fruto. Agradecimentos - Financiamento através dos projetos Transform, PRR, Portar. nº43-A/2022, AVISO N.º 02/C05-i01/2022 PDR2020 Ref. 784-042742 – Recursos Genéticos ProDeR medida 4.1, Cooperação para a Inovação, Ref. 53106 CERNAS financiado por fundos nacionais através da FCT I.P., Ref UID/00681/2025, DOI https://doi.org/10.54499/UID/00681/2025 Mel e Apicultura - Produtos Indiretos com Fileira Estabelecida 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, INIAV, Oeiras; 2: Centro de Investigação e de Tecnologia Agro-Ambientais e Biológicas, CITAB, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real; 3: Centro de Estudos Florestais, CEF, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa; 4: Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, FNAP No contexto dos Produtos Florestais Não Lenhosos (PFNL), a apicultura assume-se como uma atividade estratégica pela sua ligação funcional aos ecossistemas florestais, e pela valorização económica dos territórios rurais. A produção de mel e outros produtos apícolas contribui para a sustentabilidade das áreas florestais e para a fixação de populações em regiões de baixa densidade. Esta comunicação pretende refletir sobre as interações entre recursos florestais, produção apícola e gestão territorial, discutindo os principais fatores ecológicos, silvícolas e socioeconómicos que influenciam a sustentabilidade e competitividade da atividade em Portugal. A diversidade florística proporcionada por espécies florestais nos estratos arbóreos, como o eucalipto, o castanheiro, o sobreiro, e arbustivos e herbáceos, como a urze, o tomilho e o rosmaninho constitui um fator determinante para a produtividade apícola e para a qualidade diferenciada do mel português. Neste contexto, a otimização do produto apícola depende da implementação de modelos silvícolas que promovam habitats favoráveis às abelhas, assegurando a continuidade da floração, a diversidade de recursos nectaríferos e poliníferos e a conectividade ecológica das áreas florestais. As prescrições culturais eficientes assumem, assim, um papel central na compatibilização entre produção florestal e atividade apícola. Práticas como a gestão do sobcoberto, a manutenção de mosaicos paisagísticos, a redução do uso de pesticidas e a calendarização adequada das operações silvícolas, podem potenciar simultaneamente a produtividade florestal e o rendimento apícola. Contudo, persistem incompatibilidades e tradeoffs entre a apicultura e outros PFNL, nomeadamente em sistemas de uso múltiplo do território, onde atividades como, a produção de biomassa, a pastorícia ou a recolha intensiva de recursos naturais podem comprometer a disponibilidade alimentar das colónias ou aumentar fatores de perturbação ambiental. O mercado nacional de mel apresenta crescente valorização, impulsionada pela procura de produtos naturais, diferenciados e de origem certificada. Apesar deste potencial, o setor enfrenta limitações relacionadas com a fragmentação da produção, a concorrência de mel importado a baixo custo, as dificuldades de certificação e comercialização e a vulnerabilidade das colónias a doenças, alterações climáticas e incêndios rurais. Perante este cenário, os desafios estratégicos da apicultura portuguesa passam pela promoção de políticas integradas de gestão florestal sustentável, reforço da investigação aplicada, valorização das cadeias curtas de comercialização e capacitação técnica dos apicultores. A integração da apicultura nos instrumentos de ordenamento e gestão florestal poderá constituir uma oportunidade relevante para aumentar a resiliência dos ecossistemas, promover serviços de ecossistema e reforçar a competitividade do setor no contexto da bioeconomia e da transição ecológica. Boas práticas na instalação de medronheiro: influência do solo, preparação do terreno e mitigação da seca na sobrevivência das plantas 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: CERNAS /IPC, Coimbra; 3: CIM|RC, Comunidade Intermunicipal, Coimbra; 4: C. Municipal da Pampilhosa da Serra O medronheiro (Arbutus unedo L.) apresenta elevada plasticidade ecológica, incluindo tolerância a solos delgados, pedregosos, frequentemente ácidos e pobres em nutrientes, sendo uma espécie mediterrânica com interesse no âmbito dos produtos florestais não lenhosos. É utilizado na recuperação de áreas degradadas, contribuindo para a proteção do solo contra a erosão e em faixas de gestão de combustível, associadas à proteção contra incêndios rurais devido à sua capacidade de regeneração vegetativa. Face à crescente irregularidade da precipitação, caracterizada por episódios de chuva intensa e períodos prolongados de seca, torna-se fundamental adotar boas práticas na instalação de espécies florestais, de modo a reduzir o risco de erosão, conservar água no solo, proteger os recursos hídricos e aumentar o sucesso da plantação. Nos ensaios já instalados foram identificadas várias causas de insucesso, destacando-se solos de textura pesada, encharcamento prolongado sem drenagem adequada e épocas de plantação desadequadas. Serão igualmente apresentados os resultados de sobrevivência de um ensaio instalado na Pampilhosa da Serra em 06/02/2025, destinado a avaliar o efeito de diferentes tratamentos na resiliência ao défice hídrico, comparativamente ao controlo, utilizando um delineamento experimental em blocos completos casualizados (5 plantas/tratamento x 4 blocos). O ano experimental foi caracterizado por uma primavera húmida, com precipitação até ao final de abril, favorecendo o crescimento da parte aérea, particularmente nos tratamentos com adubação, seguida de um período seco prolongado com temperaturas elevadas, agravado pela ocorrência de incêndios na região. Os resultados demonstraram que: 1) a aplicação de mulch (biomassa) promoveu consistentemente a sobrevivência; 2) o pior resultado (45%; P<0,05) ocorreu no tratamento com adubação sem a aplicação de mulch (adubo de libertação controlada aplicado ao fundo da cova - 9:20:8 +14CaO+3MgO+0,1B; 30g/planta, complementado com superfosfato 18%,140 g/planta aplicado a 20 cm da planta); 3) os tratamentos com a mesma fertilização associada a mulch ou mulch + hidroretentor apresentaram sobrevivências de 55% e 70%, respetivamente. Embora a fertilização tenha promovido maior desenvolvimento foliar, poderá ter limitado o desenvolvimento radicular, reduzindo a tolerância ao défice hídrico. Os melhores resultados (100±0%; P<0,05) foram observados em tratamentos com aplicação de mulch na caldeira e combinado com: i) imersão prévia das plantas numa suspensão de esporos de Pisolithus arhizus; ou ii) aplicação de agente retentor de água (2 g/planta) associada à colocação de uma unidade comercial de micorrizas/Mycoshell (endomicorrizas) no fundo da cova. Os resultados obtidos evidenciam a importância de práticas que promovam o desenvolvimento radicular e o estabelecimento de associações simbióticas, aumentando a resiliência das plantas ao stress hídrico. Agradecimentos - Financiamento através dos projetos CARB2SOIL, PRR-C05-i03-I-000030-LA3.1, Aviso: 03/c05-i03/2021 CERNAS financiado por fundos nacionais através da FCT I.P., Ref UID/00681/2025, DOI https://doi.org/10.54499/UID/00681/2025. Rastreabilidade e certificação como instrumentos de valorização da resina natural de pinheiro-bravo no contexto da bioeconomia ForestWISE, Portugal A valorização dos produtos florestais não lenhosos constitui um dos desafios da bioeconomia florestal, exigindo modelos capazes de garantir a origem da matéria-prima, promover práticas de gestão sustentável e reforçar a confiança dos mercados. No caso da resina natural de pinheiro-bravo (Pinus pinaster), a inexistência de mecanismos harmonizados de diferenciação e rastreabilidade limita a valorização económica do produto e dificulta o reconhecimento do seu contributo para uma economia de base biológica. No âmbito do Projeto Integrado RN21 foi desenvolvido um modelo de valorização da resina natural assente na articulação entre certificação florestal, cadeia de custódia e rastreabilidade digital, materializado através da marca Resinae® – Pinaster Natural Resin. O objetivo consiste em assegurar a identificação inequívoca da origem da matéria-prima, promover a transparência ao longo da cadeia de valor e criar condições para diferenciar a resina natural produzida na Europa. O modelo estabelece critérios técnicos aplicáveis a todos os operadores da cadeia, desde a extração da resina até à transformação industrial e incorporação em produtos finais. Estes requisitos incluem a utilização de matéria-prima proveniente de florestas geridas de forma sustentável e certificadas segundo referenciais internacionalmente reconhecidos, bem como a certificação da cadeia de custódia das entidades envolvidas, garantindo elevados padrões ambientais, sociais e de governação. Como complemento ao processo de certificação, foi desenvolvido um sistema digital de rastreabilidade que permite acompanhar cada lote de produção ao longo da cadeia de valor. Através de identificadores únicos é possível registar a proveniência da resina, os operadores intervenientes, as certificações associadas e as diferentes etapas de transformação, assegurando transparência e verificabilidade da informação. O desenvolvimento do modelo resultou de uma abordagem colaborativa envolvendo produtores, indústria transformadora, entidades certificadoras e centros de investigação de Portugal e Espanha, promovendo uma visão integrada da fileira da resina. Como validação da implementação do sistema foi desenvolvida uma prova de conceito no setor do calçado e do textil destinada a validar a integração dos derivados da resina natural em produtos de elevado valor acrescentado. O modelo desenvolvido demonstra que a integração entre certificação florestal, cadeia de custódia e rastreabilidade digital constitui um instrumento eficaz para aumentar a diferenciação e a competitividade da resina natural de pinheiro-bravo. A sua aplicação poderá contribuir para reforçar a gestão ativa dos povoamentos, promover a bioeconomia e criar novas oportunidades de valorização dos produtos florestais não lenhosos, constituindo uma abordagem potencialmente replicável a outras fileiras florestais. | ||