Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | ||
T1.2 - A floresta portuguesa
| ||
| Apresentações | ||
Forest modeling and inventory for planted and natural forests: challenges and tools University of Georgia, United States of America Accurately monitoring natural resources is vital for sustainable forest management, but it is challenging due to the high variability of the populations and environmental conditions (e.g., land use changes, naturalized species, wind disturbances). Recently, the rapid expansion and increasing availability of open-source databases (e.g., aerial photographs, LiDAR point cloud, long-term measurements from national forest inventories) offer opportunities to characterize site conditions and quantify uncertainty of growth and yield for diverse forests. In this presentation, common challenges in forest modeling and inventory will be discussed (e.g., non-sampled or sparsely sampled domains, subject-specific predictions across a large number of groups). Approaches to address these challenges will also be presented, such as the calibration of growth and yield models and the integration of remotely sensed data into forest inventory (e.g., small area estimation). Examples will be drawn from loblolly pine plantations in the southeastern United States, as well as mixed-species tropical forests in the Caribbean and Pacific Islands. Fertilização à plantação de Eucalyptus globulus com adubo organomineral produzido a partir de lamas da indústria de pasta e papel 1: Universidade de Lisboa, Lab. Associado TERRA, Centro de Investigação LEAF, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Altri Florestal, S.A., Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho, Portugal; 3: Agristarbio, Environmental Solutions S.A., Praça das Indústrias, ED AIP 28, 1300-307 Lisboa A valorização de subprodutos industriais constitui uma estratégia relevante para promover a economia circular e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais. Neste contexto, foi desenvolvido pela Agristarbio um adubo organomineral inovador, produzido a partir de lamas provenientes de fábricas de pasta de papel, visando simultaneamente a valorização destes materiais e a melhoria da fertilidade dos solos. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial deste adubo na instalação de povoamentos de Eucalyptus globulus, comparando o seu desempenho com o de um adubo mineral convencional e analisando ainda os efeitos da época de aplicação e da utilização complementar de adubo de libertação controlada (ALC). O ensaio foi instalado no outono com nove modalidades de fertilização, combinando: i) aplicação ou não de ALC 9-20-18 à plantação; ii) utilização de adubo mineral 8-24-8 ou adubo organomineral 6-18-6; iii) aplicação de duas doses de adubo organomineral (dose equivalente a 100% e dose equivalente a 75% do adubo mineral); e iv) aplicação dos adubos (mineral e organomineral) no outono, à plantação, ou apenas na primavera seguinte. Avaliou-se a altura das plantas, o diâmetro do colo e a sobrevivência em abril, julho e novembro do ano seguinte à plantação. Em abril, antes da adubação das modalidades adubadas na primavera, observaram-se diferenças significativas no crescimento das plantas. As modalidades com aplicação de ALC associada ao adubo organomineral apresentaram os melhores resultados. Em contraste, as modalidades sem ALC apresentaram menores valores de crescimento, embora sem diferenças significativas na sobrevivência. Em julho verificou-se uma redução acentuada da sobrevivência em todas as modalidades. Ainda assim, as modalidades com ALC e adubadas na primavera apresentaram melhor desempenho, destacando-se as adubadas com organomineral, com alturas médias das plantas superiores a 116 cm, diâmetros do colo superiores a 13 mm e uma sobrevivência média de 73%, significativamente superior ao desempenho da modalidade com ALC e adubadas na primavera com adubo mineral (105 cm, 11,7 mm e 68%, respetivamente). Na avaliação final, realizada em novembro, confirmou-se a superioridade das modalidades com ALC e fertilizadas na primavera com o adubo organomineral produzido a partir das lamas da indústria papeleira. As duas modalidades de adubo organomineral (doses equivalentes a 100% e a 75% do mineral) originaram, respetivamente, maior altura (191,94 e 191,25 cm) e maior diâmetro do colo (36,96 e 35,54 mm) das plantas, bem como maiores taxas de sobrevivência (72%), quando comparado com a modalidade adubo mineral (172,6 cm, 33,4 mm e 66%, respetivamente). Destaca-se ainda que a modalidade organomineral correspondente a apenas 75% da dose de adubo mineral originou plantas significativamente maiores do que a modalidade 100% mineral. Pelo contrário, as modalidades sem ALC e fertilizadas apenas no outono apresentaram o pior desempenho. Os resultados obtidos demonstram o elevado potencial do adubo organomineral desenvolvido pela Agristarbio para a fertilização de Eucalyptus globulus à plantação, evidenciando que a valorização de lamas da indústria de pasta de papel poderá constituir uma solução sustentável e eficaz para a fertilização florestal. A aplicação deste fertilizante na primavera revelou-se particularmente vantajosa, promovendo simultaneamente maior crescimento inicial das plantas e maior sobrevivência após o primeiro verão. Interações entre características do solo e comunidades de artrópodes em habitats florestais do Parque Natural de Montesinho CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal. Os artrópodes desempenham um papel essencial no funcionamento dos ecossistemas, contribuindo para processos como a decomposição da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes e controlo biológico. Contudo, o atual declínio da biodiversidade, particularmente acentuado neste grupo, constitui uma preocupação crescente. A diversidade e abundância de artrópodes estão associadas a múltiplos fatores ambientais, sendo o solo um dos mais determinantes. Simultaneamente, os artrópodes edáficos influenciam as propriedades do solo, estabelecendo interações ecológicas com impacto potencial no ecossistema. O Parque Natural de Montesinho (PNM), um dos principais espaços protegidos do nordeste de Portugal, integra habitats florestais emblemáticos, como carvalhais, azinhais e pinhais, onde o conhecimento sobre artrópodes é ainda limitado. Neste contexto, este trabalho analisou as associações entre características edáficas e comunidades de artrópodes em três habitats florestais do PNM. Foram realizadas quatro campanhas de amostragem, uma por estação do ano, entre julho de 2023 e abril de 2024, recorrendo a armadilhas de queda instaladas em azinhal, carvalhal e pinhal. As armadilhas permaneceram no campo durante sete dias, sendo posteriormente efetuada a triagem e identificação dos exemplares recolhidos. Nos mesmos pontos foram recolhidas amostras compostas de solo (0–10 cm), posteriormente secas e crivadas (2 mm) para análise físico-química. Os três habitats apresentaram solos de textura franco-arenosa, com diferenças físico-químicas significativas. O pinhal (Pinus pinaster) apresentou maiores teores de matéria orgânica, carbono total e razão C/N, sugerindo menor taxa de mineralização, enquanto o carvalhal (Quercus pyrenaica) revelou maior humidade, menor densidade aparente e menor razão C/N, compatíveis com maior mineralização. O azinhal (Quercus rotundifolia) apresentou valores intermédios para a maioria dos parâmetros. Foram capturados 5 511 artrópodes, distribuídos por 17 ordens taxonómicas e cinco grupos funcionais. A abundância média foi mais elevada no pinhal e mais reduzida no carvalhal, verificando-se um padrão sazonal comum, com menor atividade em fevereiro e pico em abril. A abundância total esteve positivamente associada ao pH e à razão C/N, enquanto o habitat não apresentou efeito significativo. Contudo, os grupos funcionais responderam de forma diferenciada: predadores foram mais abundantes no azinhal, fitófagos no carvalhal e pinhal, e omnívoros evidenciaram associações com pH, razão C/N, DAP e teor de potássio. Os decompositores responderam positivamente à razão C/N, enquanto os parasitoides não apresentaram diferenças significativas entre habitats. Os resultados sugerem que as características edáficas desempenham um papel relevante na estruturação das comunidades de artrópodes no PNM, embora os grupos funcionais apresentem respostas distintas aos fatores ambientais. Restauração ecológica de áreas suscetíveis à desertificação: valorização florestal de lamas de ETAR em ensaios com Quercus suber no município de Alfândega da Fé utad, Portugal A desertificação, a degradação dos solos, a perda de fertilidade e o aumento da frequência de secas constituem desafios relevantes para os territórios mediterrânicos, em particular nas regiões interiores do Norte de Portugal. Neste contexto, a restauração ecológica de áreas florestais degradadas assume importância estratégica, permitindo melhorar a funcionalidade dos ecossistemas, reforçar a resiliência às alterações climáticas e valorizar soluções de economia circular. A utilização de lamas de ETAR, devidamente tratadas e estabilizadas, pode constituir uma alternativa para melhorar as condições edáficas e apoiar o estabelecimento de espécies florestais adaptadas a condições de maior aridez. Este trabalho teve como objetivo instalar e consolidar uma rede de ensaios permanentes para avaliar o crescimento inicial e a mortalidade de Quercus suber L. em áreas suscetíveis à desertificação no município de Alfândega da Fé. As intervenções decorreram em duas áreas distintas, Pombal e Vales e Gebelim e Soeima, no âmbito do projeto GREENValue, envolvendo a conversão ou enriquecimento florestal com sobreiro. Foram testados três tratamentos: T1 — lama estabilizada com cal viva, aplicada à dose de 4 t/ha; T2 — lama compostada/vermicompostada, aplicada à dose de 2 t/ha; e T3 — testemunha, sem aplicação de lamas. Foi instalada uma rede de parcelas circulares permanentes, distribuídas aleatoriamente, com medições realizadas em fevereiro de 2024, após a plantação, e em maio de 2025, cerca de um ano depois. Nas plantas jovens foram avaliados a altura e o diâmetro do colo, enquanto nas árvores adultas foram medidos a altura total e o diâmetro à altura do peito. Os dados foram analisados através de estatística descritiva, análise de variância, testes pós-hoc e testes não paramétricos, permitindo comparar o efeito dos tratamentos no crescimento anual. Os resultados evidenciaram efeitos significativos dos tratamentos nas plantas jovens, quer no incremento anual em altura, quer no incremento em diâmetro do colo. A testemunha apresentou crescimento substancialmente inferior aos tratamentos com lamas, enquanto o composto de lamas revelou vantagem estatística face à lama estabilizada no incremento em altura. Nas plantas adultas, verificaram-se igualmente efeitos significativos dos tratamentos no incremento em altura e em DAP, com T1 e T2 a superarem claramente a testemunha, embora sem diferenças estatisticamente relevantes entre os dois tipos de lamas. A mortalidade no primeiro ano foi reduzida nas plantas jovens e inexistente nas árvores adultas, sugerindo boa capacidade de adaptação inicial do sobreiro às condições dos ensaios. Conclui-se que a aplicação de lamas de ETAR, em particular sob a forma compostada, apresenta potencial para apoiar a restauração ecológica de áreas florestais suscetíveis à desertificação, promovendo o crescimento inicial de Quercus suber e valorizando subprodutos orgânicos em contexto florestal. A rede de ensaios instalada constitui uma base relevante para monitorização a longo prazo, permitindo aprofundar a avaliação dos efeitos das lamas no solo, na sobrevivência das plantas e na recuperação funcional dos ecossistemas. Estes resultados reforçam a importância de integrar soluções de economia circular, gestão florestal adaptativa e restauro ecológico nas estratégias de valorização dos territórios interiores mediterrânicos. Do inventário florestal clássico ao LiDAR: potencial dos Modelos de Altura da Copa na caracterização estrutural de povoamentos florestais do nordeste de Portugal CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal, Portugal A gestão florestal exige informação cada vez mais rigorosa, espacialmente explícita e actualizada, expondo limitações operacionais dos métodos clássicos de inventário, particularmente em áreas extensas ou de difícil acesso. Neste contexto, a tecnologia LiDAR surge como uma ferramenta promissora para a caracterização tridimensional da vegetação e para a estimativa indirecta de variáveis dendrométricas tradicionalmente obtidas em campo. O presente trabalho teve como objectivo avaliar o potencial de métricas derivadas do Modelo de Altura da Copa (CHM, Canopy Height Model) na caracterização estrutural de povoamentos florestais e na estimativa de variáveis dendrométricas à escala da parcela. O estudo incidiu em povoamentos de pinheiro-bravo (Pinus pinaster), carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e azinheira (Quercus rotundifolia), localizados nos concelhos de Bragança e Vimioso. Foram comparadas quatro abordagens: (i) inventário florestal clássico de campo; (ii) segmentação de árvores individuais a partir de um CHM de 5 cm de resolução (CHM05), obtido por LiDAR embarcado num VANT DJI Matrice 300 RTK equipado com sensor Zenmuse L1; (iii) extracção de métricas zonais directamente do CHM05; e (iv) extracção das mesmas métricas a partir de um CHM de 50 cm (CHM50), derivado dos dados LiDAR de cobertura nacional disponibilizados pela Direção-Geral do Território. O processamento incluiu a geração de nuvens de pontos LAS, modelos digitais de terreno e superfície, produção dos CHM e extracção automática de métricas estruturais em ambiente QGIS/Python. Foram analisadas estatísticas básicas de altura, percentis da distribuição vertical, grau de coberto, Rumple Index (RI), Foliage Height Diversity (FHD) e métricas de acumulação estrutural da vegetação. Os resultados demonstraram que a correspondência directa árvore-a-árvore entre inventário de campo e segmentação automática de copas apresenta limitações operacionais em povoamentos densos e estruturalmente complexos. Em contrapartida, a abordagem baseada em métricas agregadas à escala da parcela revelou maior robustez metodológica e melhor capacidade de representação da estrutura dos povoamentos. As métricas associadas à estrutura vertical dominante, nomeadamente a altura média e os percentis superiores (p75, p90 e p95), apresentaram as relações mais consistentes com as variáveis dendrométricas clássicas, particularmente volume e área basal. Para o pinheiro-bravo, modelos de regressão múltipla baseados em métricas derivadas do CHM atingiram coeficientes de determinação próximos de 0,90 na estimativa do volume. Apesar da diferença substancial de resolução espacial e densidade da nuvem de pontos entre o CHM05 (≈350 pontos/m²) e o CHM50 (≈10 pontos/m²), os resultados evidenciaram padrões globalmente consistentes entre ambas as fontes de informação. Os dados LiDAR de cobertura nacional demonstraram capacidade relevante para suportar estimativas estruturais à escala da parcela e da paisagem, reforçando o seu potencial para aplicações de monitorização e gestão florestal. Conclui-se que as métricas estruturais derivadas do CHM constituem uma alternativa operacionalmente eficiente para complementar o inventário florestal clássico, permitindo integrar trabalho de campo, detecção remota, SIG e automatização computacional em metodologias reprodutíveis de monitorização florestal. Será o pinheiro-bravo o maior produtor de resina em Portugal Continental? 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Portugal; 3: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Portugal O atual interesse pela resinagem em Portugal tem impulsionado o desenvolvimento da técnica, com o objetivo de aumentar a produção de resina por árvore, assegurar o aproveitamento da fração volátil e melhorar a sua qualidade. Este reforço da produção nacional de resina natural está intrinsecamente ligado à espécie utilizada. Assim, entre as espécies de pinheiro existentes em Portugal, importa identificar quais apresentam maior potencial resinífero. Para responder a esta questão, no âmbito do projeto RN21, foi instalada uma rede de parcelas permanentes de monitorização da produção de resina, distribuídas por povoamentos de pinheiro-bravo, pinheiro-silvestre, pinheiro-larício, pinheiro-insigne, pinheiro-manso e pinheiro-de-Alepo. As parcelas foram estabelecidas em povoamentos puros, compostos por árvores nunca anteriormente resinadas, e cujas dimensões cumprem os requisitos definidos na legislação aplicável à resinagem em Portugal continental (Decreto-Lei n.º 181/2015, de 18 de agosto). Todos os povoamentos apresentam boas condições de acessibilidade. A resinagem foi realizada recorrendo ao método tradicional, com aplicação de pasta estimulante à base de ácido sulfúrico e recolha da resina em sacos de plástico abertos. As renovas foram efetuadas com uma periodicidade de 21 dias. As primeiras cinco parcelas foram instaladas em 2023, tendo sido adicionadas mais seis em 2024, embora se tenha registado a desistência de um dos proprietários. Na campanha de 2025, apenas seis das dez parcelas ativas em 2024 permaneceram em produção, sendo esta redução atribuída à dificuldade em encontrar resineiros e à desistência de alguns proprietários. Em cada campanha, e para cada parcela, foram realizadas duas pesagens de resina: uma em meados de julho e outra no final da campanha. Os resultados obtidos indicam que o pinheiro-bravo se destaca como a principal espécie resinífera em Portugal continental, apresentando as maiores produções. Ainda assim, o pinheiro-de-Alepo, em condições comparáveis, revela valores produtivos próximos dos observados para o pinheiro-bravo. | ||