Programa da conferência
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Simpósio 2c - Floresta Urbana: conhecimento multifacetado para promover a resiliência
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A poda de formação: sua importância e consequências no crescimento e desenvolvimento das árvores Câmara Municipal de Lisboa, Portugal As árvores implantadas em espaço urbano estão sujeitas a grandes pressões logo desde a sua plantação. Uma das ações fundamentais para o bom crescimento e implantação das árvores é uma poda adequada ao longo de toda a sua vida, e neste capítulo, a poda de formação, que tem ação nos primeiros anos da vida da árvore, é preponderante para o seu bom desenvolvimento futuro e redução de acções de poda agressivas no estado adulto. No actual panorama climático, a presença das árvores em espaços urbanos é uma necessidade crescente, sobretudo para mitigação das ilhas de calor e maior conforto climático geral. Assim, a implantação de arvoredo novo e a sua manutenção deve ser encarada de uma forma conducente a grande qualidade estrutural dos indivíduos, que no seu conjunto possam conduzir a uma floresta urbana saudável e resiliente. Na sua ontogenia, os indivíduos arbóreos desenvolvem as características genéticas próprias e muitas desenvolvidas devido a factores bióticos ou abióticos. A poda é uma acção humana que altera a ontogenia da árvore, condicionando a estrutura do indivíduo. No contexto de arboricultura urbana, a poda de formação é uma acção aplicada às árvores nos seus estádios de juventude que influencia/conduz o desenvolvimento individual com o objectivo de produzir árvores de qualidade com maior capacidade de sobrevivência às agressões urbanas. Uma eficaz poda de formação pretende produzir um fuste sólido, definir a altura definitiva da coroa e definir uma boa estrutura primária dos indivíduos adaptando-a a eventuais constrangimentos do meio envolvente. Este trabalho exige conhecimentos técnicos específicos, quer sobre a fisiologia e anatomia das árvores, quer sobre as especificidades de cada espécie arbórea, o que condiciona a resposta às podas aplicadas, já que a poda de formação influencia e condiciona a árvores fisiologicamente, sobretudo no seu equilíbrio hormonal, na forma de acumulação de reservas e na sua resistência a problemas fitossanitários. A poda de formação bem executada e devidamente planeada é o suporte de futuras árvores de qualidade, menor investimento em manutenção no estado adulto e melhores serviços de ecossistema produzidos por esta importante componente estruturante dos espaços urbanos que são as árvores. RISK4TREE®: Plataforma multicritério com apoio de Inteligência Artificial para avaliação do risco do arvoredo urbano 1: UTAD, CITAB, Tee Plus, Vila Real; 2: Tree Plus, UTAD, Vila Real As entidades gestoras do arvoredo urbano enfrentam desafios crescentes associados a inventários incompletos ou desatualizados, informação dispersa e critérios heterogéneos de avaliação do risco. Estas limitações dificultam o planeamento ou priorização de intervenções, nomeadamente podas, tratamentos fitossanitários, monitorização especializada ou abates. A organização dos dados, mesmo assente em Sistemas de Informação Geográfica, indispensáveis para a gestão espacial do arvoredo, não responde à avaliação estruturada e rastreável do risco. Este trabalho apresenta o desenvolvimento do modelo multicritério RISK4TREE®, destinado à avaliação do risco do arvoredo urbano sobre pessoas e bens, concebido para integração em plataforma digital. O modelo baseou-se n análise das avaliações técnicas realizadas entre 2018 e 2026, abrangendo mais de 40 000 árvores urbanas. A análise dos dados recolhidos evidenciou a necessidade de normalizar e estruturar a informação, seguindo critérios técnicos explícitos, para proporcionar consistência, transparência e rastreabilidade. A base de dados consolidada foi um suporte essencial para a identificação de padrões associados a variáveis quantitativas e qualitativas. A probabilidade de falha estrutural (PFE), um dos componentes fundamentais da quantificação do risco, não é diretamente mensurável, sendo quase sempre estimada com base no juízo técnico. Esta estimativa mantém algum grau de subjetividade, mesmo quando são utilizados meios complementares de diagnóstico, como a resistografia, tomografia ou testes de tração. A análise das avaliações efetuadas evidenciou que a condição fitossanitária não apresenta relação direta com o nível de risco. Assim, o modelo integra na estimativa da PFE um conjunto de subfatores observáveis, incluindo características dendrométricas, fatores de predisposição, fatores de indução, sintomas, sinais e identificação do órgão com maior probabilidade de falha. Defeitos estruturalmente relevantes podem corresponder a níveis baixos de risco se os exemplares estão em áreas sem exposição relevante a alvos (pessoas ou bens). Em sentido inverso, árvores aparentemente saudáveis, mas com danos estruturais localizados e elevada exposição a alvos vulneráveis, podem justificar intervenção prioritária. Neste contexto, o RISK4TREE® assenta numa estrutura multicritério materializada numa matriz de risco, integrando a PFE e respetiva consequência, suportada por dados observáveis e ponderações normalizadas. A arquitetura metodológica integra registos periódicos de cada árvore, análise de imagens, cálculo assistido, normalização dos critérios e rastreabilidade das avaliações. Esta abordagem estabelece uma base metodológica para uma avaliação do risco do arvoredo urbano que se pretende robusta, consistente, transparente e fundamentada, criando igualmente as condições necessárias para a futura integração de técnicas de Inteligência Artificial no apoio à decisão. Fungos de podridão do lenho como indicadores de risco e resiliência na floresta urbana: evidência de longo prazo na cidade de Lisboa 1: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Associated Laboratory TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal; 2: Laboratório de Patologia Vegetal “Veríssimo de Almeida”, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal; 3: Departamento de Estrutura Verde, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal A estabilidade das árvores urbanas é frequentemente assumida, mas raramente questionada até ao momento da rutura. Em contexto urbano, marcado pelo envelhecimento do arvoredo e por stress ambiental crescente, os fungos de podridão do lenho emergem como um dos principais fatores de perda de estabilidade mecânica, assumindo um papel determinante como indicadores de risco e do funcionamento da floresta urbana em contexto de stress. Embora sejam elementos estruturantes das cidades contemporâneas, as árvores urbanas estão expostas a stress ambiental e a condições antrópicas cumulativas, que as predispõem à ação de agentes patogénicos. Entre estes, destacam-se os fungos basidiomicetas associados à podridão do lenho, cuja presença pode comprometer a integridade estrutural e aumentar o risco de rutura. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o papel destes fungos como indicadores de risco e apoiar o desenvolvimento de estratégias de gestão preventivas e orientadas para a resiliência da floresta urbana. O trabalho baseia-se na análise de dados recolhidos de forma continuada desde 2002 na cidade de Lisboa, permitindo integrar uma perspetiva temporal consistente. Ao longo deste período foram analisadas cerca de 1500 amostras, incluindo basidiomas e lenho degradado, recolhidas de forma sistemática, tendo-se procedido ao isolamento e identificação dos fungos com base em características morfológicas, culturais e moleculares. Entre os principais agentes detetados destacam-se Inonotus rickii, Ganoderma adspersum e G. resinaceum, cuja ocorrência se revelou persistente ao longo do tempo. A análise filogenética evidenciou reduzida variabilidade genética intraespecífica nas populações analisadas. As árvores amostradas foram sujeitas a avaliação visual de risco (Visual Tree Assessment – VTA), complementada, em alguns casos, por análise instrumental com resistógrafo e/ou tomógrafo de impulso. Esta abordagem permitiu relacionar a presença dos fungos com padrões de perda de estabilidade estrutural. Os resultados demonstram um impacto significativo na estabilidade mecânica das árvores hospedeiras, em particular em Celtis australis, Tilia spp. e Populus spp., onde se observam padrões recorrentes de rutura de ramos ou redução da estabilidade mecânica do tronco. A evolução temporal da incidência sugere a influência de fatores como a idade do arvoredo, condições ambientais e práticas de gestão. A análise da distribuição espacial dos fungos, considerando conjuntamente as espécies hospedeiras e a tipologia dos espaços verdes, permitiu identificar áreas de maior vulnerabilidade, evidenciando que a ocorrência de podridões do lenho não é aleatória, mas reflete padrões de stress e condições específicas do ecossistema urbano. Com base nos resultados, propõe-se um conjunto de estratégias de gestão que integra a monitorização do estado fitossanitário, a melhoria das condições edáficas, o uso de métodos de proteção biológica e a diversificação da composição específica do coberto arbóreo. Tais diretrizes visam reduzir o risco de rutura e reforçar a capacidade adaptativa do sistema arbóreo urbano. No seu conjunto, o estudo evidencia que os fungos de podridão devem ser entendidos não apenas como agentes de degradação, mas também como indicadores do estado funcional da floresta urbana, contribuindo para cidades mais seguras e sustentáveis, através de uma gestão do arvoredo assente na compreensão integrada dos processos ecológicos e estruturais que determinam a sua estabilidade. Tecnologia Ynject GO 1: Natureza Verde Jardins, Lda, Portugal; 2: Fertinyect, S L Introdução: A endoterapia afirma-se como uma alternativa altamente eficiente aos tratamentos fitossanitários convencionais por pulverização. Este trabalho apresenta a tecnologia Ynject GO, um sistema patenteado de injeção direta no fluxo vascular de árvores e palmeiras, desenvolvido para otimizar a translocação de formulações com deriva zero para o ambiente. Objetivos: Avaliar a eficiência técnica, a segurança operacional e os benefícios ecológicos do sistema Ynject GO no controlo integrado de pragas urbanas e florestais, com foco na processionária do pinheiro, nos afídeos nas folhosas, no escaravelho-vermelho das palmeiras, entre outros. Metodologia e Princípios Tecnológicos: O dispositivo baseia-se na sinergia entre duas inovações patenteadas:
O sistema utiliza conectores de diâmetro reduzido adaptados ao hospedeiro: Folhosas (5 mm), Pinheiros (6,5 mm) e Palmeiras (6 mm) (p. 3). O procedimento exige uma perfuração de 3-5 cm no tronco, fixação do conector por martelagem para garantir estanquicidade (criando uma câmara de absorção) e o acoplamento por rotação do dispositivo. Resultados e Discussão (Foco em Pragas Críticas):
Operacionalmente, o rendimento supera as 100 árvores/dia por operador. Após a absorção e remoção do conector, o orifício livre permite uma rápida compartimentação celular pela planta. Conclusões: A tecnologia Ynject GO valida o conceito de sustentabilidade na gestão do arvoredo urbano através da Gestão Integrada de Pragas (GIP). O sistema reduz drasticamente o volume de químicos, a quantidade de água necessária, e elimina riscos operacionais com dispositivos reutilizáveis, consolida-se como uma solução económica, ecológica e de alta performance fitossanitária. Floresta urbana: Avaliação fitossanitária na erradicação e controlo de Rhynchophorus ferrugineus na cidade da ilha do Porto Santo 1: Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM, Quinta Vila Passos, 9054-505 Funchal, Portugal; 2: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD, Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real, Portugal; 4: Natureza Verde, Rua das Flores, 14, 4770-573, S. Cosme do Vale, Vila Nova de Famalição, Portugal As palmeiras-das-Canárias (Phoenix canariensis Chabaud) desempenham um papel central nas áreas públicas da ilha do Porto Santo. Acima de tudo, representam um valor emocional associado à imagem histórica que a comunidade construiu sobre os seus espaços. Em 1827, na obra do reverendo James Bulwer, «Views in the Madeiras», a imagem de uma palmeira alta marcava a paisagem. No final de 2023, porém, numa zona onde a vegetação já é escassa devido às condições ambientais, foi detetada a presença de um escaravelho que representa uma séria ameaça ao património botânico da ilha. Este estudo centra-se na avaliação fitossanitária e na georreferenciação das palmeiras-das-Canárias na Ilha do Porto Santo, na sequência da deteção do escaravelho vermelho da palmeira (Rhynchophorus ferrugineus Olivier), baseado num total de 1164 palmeiras distribuídas por 22 zonas de tratamento foram inventariadas e avaliadas em termos de estado de saúde, localização geográfica e parâmetros dendrométricos, tendo sido submetidas a várias estratégias de mitigação. As intervenções incluíram endoterapia com acetamipride, a utilização de armadilhas de feromonas e, em casos irreversíveis, o abate e a incineração das árvores infestadas. Resultados: Foram removidas dezasseis palmeiras, principalmente devido à sua altura ou deterioração avançada. O estudo apresenta também uma avaliação económica e cultural das palmeiras, utilizando fatores históricos e relacionados com o turismo e aplicando a Norma de Granada, que estima o seu valor total em aproximadamente 2,7 milhões de euros. Os resultados apoiam a necessidade de um programa de controlo integrado contínuo, com medidas preventivas, tais como a proibição da poda de folhas verdes, e ações corretivas bem monitorizadas. Dado o potencial impacto da perda de palmeiras no turismo e na paisagem icónica do Porto Santo, a preservação desta espécie emblemática requer intervenções sustentadas e baseadas em evidências. A certificação de Árvores Fora da Floresta no âmbito da NP4406:2022: enquadramento, relevância ecológica e aplicação no sistema PEFC PEFC PORTUGAL, Portugal As Árvores Fora da Floresta, presentes em sistemas agrícolas, alamedas, cortinas de abrigo, galerias ripícolas, corredores verdes, pequenos bosquetes e espaços urbanos, desempenham funções ecológicas e socioeconómicas de elevada relevância, embora frequentemente permaneçam subvalorizadas nos instrumentos convencionais de planeamento, gestão e certificação. Em Portugal, estas árvores assumem particular importância na estruturação da paisagem, na regulação ecológica e no reforço da resiliência territorial, quer em meio rural quer em contexto urbano. A versão de 2022 da Norma Portuguesa NP 4406, aplicável à certificação da Gestão Florestal Sustentável PEFC, veio introduzir, através do Anexo C, um enquadramento específico para a certificação das Árvores Fora da Floresta. Publicada pelo IPQ em 16 de maio de 2022 e com reconhecimento internacional desde 3 de novembro de 2023, esta solução representa um avanço significativo ao adaptar os princípios da gestão florestal sustentável a formações arbóreas localizadas em contextos agrícolas, urbanos e de interface, criando um referencial robusto, auditável e operacional para recursos até aqui insuficientemente reconhecidos. A presente comunicação propõe assim analisar a nova norma para a promoção e proteção destas árvores com elevada importância ecológica. Em paisagens agrícolas estas árvores constituem elementos estruturantes da infraestrutura ecológica, favorecendo a conectividade entre habitats, a proteção do solo contra a erosão, a regulação do ciclo hidrológico, a criação de sombra e abrigo, e o suporte a comunidades de polinizadores, aves e outros organismos auxiliares. Em territórios fragmentados, desempenham ainda um papel essencial na manutenção da funcionalidade ecológica. No caso do arvoredo urbano, a certificação PEFC das Árvores Fora da Floresta oferece uma oportunidade particularmente relevante para reconhecer e valorizar a árvore como elemento de ligação entre a natureza e a sociedade. Para além da sua função paisagística e cultural, o arvoredo urbano contribui para a redução do efeito de ilha de calor, para a melhoria da qualidade do ar, para a retenção e infiltração de água, para o sequestro de carbono, para o aumento do conforto térmico, promoção da saúde e bem-estar das populações. A certificação pode, neste domínio, reforçar a qualidade da gestão, a garantia das boas práticas, a consistência técnica dos critérios de manutenção e proteção, e a credibilidade das políticas municipais de sustentabilidade e adaptação climática, demonstrada de uma forma internacionalmente reconhecida (marca PEFC), a liderança de uma gestão responsável. A apresentação sintetizará o Anexo C da NP 4406:2022 como elementos essenciais para uma ferramenta de trabalho fiável e reconhecida (ex: requisitos de planeamento, manutenção e conversão, proteção da biodiversidade, monitorização). | ||