Programa da conferência
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Simpósio 12 - Agenda transForm: tecnologia ao serviço das operações florestais e logística sustentáveis
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Floresta 4.0: Dos protótipos à operacionalização da partilha de dados 1: CoLAB ForestWISE; 2: The Navigator Company; 3: Altri Florestal; 4: Florecha; 5: Sonae Arauco; 6: Trigger Systems A digitalização das operações florestais gera grandes volumes de dados automáticos — úteis para monitorização remota, planeamento logístico e caracterização da produção. A partilha desses dados entre os vários atores da cadeia suscita questões de governação sobre propriedade, direitos de acesso, interoperabilidade e confiança. No Projeto P2.1 Floresta 4.0 (Agenda transForm) foi elaborado um quadro de análise das opções de governação, sustentado por revisão bibliográfica e por um fórum técnico de mecanização e digitalização com especialistas e stakeholders. O trabalho apresenta modelos de governação (distribuída, federada e centralizada) e discute as suas implicações práticas — fluxos de validação, mecanismos de controlo de acesso, requisitos de interoperabilidade e o papel de uma entidade coordenadora neutra — bem como os custos de implementação e modelos de partilha desses custos. Define‑se um roadmap de implementação que requer decisão sobre o modelo a adotar e medidas de incentivo e políticas públicas para promover a adoção generalizada. O resultado é um Documento de Referência técnico‑consensual que poderá também ser útil para a implementação da legislação europeia EUDR. OPTIVEG: Otimização Sustentável das Operações de Gestão da Vegetação REN - Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A., Portugal A gestão da vegetação em faixas de servidão associadas a infraestruturas energéticas, as quais integram a Rede Secundária de Faixas de Gestão de Combustível, constitui uma componente crítica da redução do risco de incêndio e da garantia da continuidade do serviço. Estas operações decorrem em contextos territoriais heterogéneos, frequentemente em espaço florestal, apresentando elevada variabilidade nas condições do terreno, tipologia de combustível e acessibilidade. Esta complexidade operacional, aliada à necessidade de aumentar a eficiência e reduzir os impactos ambientais, tem evidenciado limitações nos modelos tradicionais de planeamento e execução das intervenções. Neste contexto, surge o projeto OPTIVEG, que visa o desenvolvimento de ferramentas avançadas de apoio à decisão para a otimização sustentável das operações de gestão da vegetação. A abordagem adotada baseia-se na integração de dados relativos às características biofísicas das parcelas e ao desempenho de diferentes equipamentos, promovendo uma melhor adequação entre meios operacionais e condições específicas de intervenção. A metodologia incluiu a definição de indicadores técnicos e a recolha sistemática de dados em campo, nomeadamente através de estudos de tempo e movimento, permitindo caracterizar o desempenho de diferentes tipologias de equipamentos em múltiplos cenários operacionais. Com base nesta informação, foram estimados indicadores-chave, incluindo produtividade, custos operacionais, emissões de gases com efeito de estufa e condições ergonómicas para o operador, permitindo uma avaliação multidimensional das alternativas disponíveis. Com base nestes dados, foi desenvolvido um algoritmo de otimização que suporta a decisão na afetação de equipamentos às diferentes parcelas, considerando simultaneamente múltiplos critérios operacionais, económicos e ambientais. Este algoritmo encontra-se integrado numa plataforma tecnológica com componente SIG, permitindo ao utilizador selecionar áreas de intervenção e obter estimativas comparativas de desempenho para diferentes cenários operacionais, incluindo indicadores de tempo, custo e emissões por unidade de área. Os resultados obtidos evidenciam ganhos significativos de produtividade associados à mecanização e à melhoria dos processos de decisão, verificando-se uma evolução substancial dos níveis de desempenho operacional ao longo da última década. Para além da redução de custos, a solução permite minimizar o impacto ambiental das intervenções, nomeadamente ao nível das emissões, e melhorar as condições de segurança e conforto dos operadores, através de uma melhor adequação dos equipamentos às condições do terreno. O OPTIVEG constitui assim uma abordagem inovadora à gestão da vegetação em contexto de infraestruturas críticas, integrando conhecimento técnico, análise de dados e algoritmos de otimização. A sua aplicação contribui para a modernização das operações florestais, promovendo uma utilização mais eficiente dos recursos, a sustentabilidade ambiental das intervenções e o reforço da resiliência do território face ao risco de incêndio, enquadrando-se na Agenda transForm, Agenda Mobilizadora do PRR (C5 – Capitalização e Inovação Empresarial), orientada para a transformação digital e a competitividade da fileira florestal. Potenciar a motorização elétrica no setor florestal em Portugal: inovação, digitalização e descarbonização das operações florestais 1: Navigator; 2: ForestWise; 3: Altri Florestal; 4: REN; 5: Unimadeiras; 6: Forecha; 7: ADAI A transição energética e a descarbonização das operações florestais assumem atualmente um papel estratégico no setor florestal português, em alinhamento com os objetivos definidos pelo Pacto Ecológico Europeu e pelo Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. Neste contexto, o projeto Potenciar a motorização elétrica no setor florestal em Portugal, desenvolvido no âmbito da Agenda transForm, teve como principal objetivo promover a adoção de soluções de motorização elétrica e híbrida aplicadas às operações florestais, à logística e à movimentação industrial de madeira e biomassa. O projeto integrou atividades de investigação, benchmarking tecnológico, desenvolvimento metodológico, demonstração operacional e transferência de conhecimento, envolvendo entidades do sistema científico e empresas industriais. Entre os principais resultados alcançados destaca-se a adaptação da solução SPEED-E, desenvolvida pela REN, ao contexto operacional florestal, possibilitando o desenvolvimento na prática de uma micro subestação móvel destinada ao carregamento elétrico em ambiente florestal. No domínio da inovação tecnológica, foi igualmente desenvolvido pela ADAI um protótipo de robô autónomo elétrico para gestão de vegetação em ambiente florestal, equipado com sensores LiDAR, GNSS RTK, câmaras térmicas, conectividade 5G e sistemas de inteligência artificial. Também no dominio dos pequenos equipamentos, foi desenvolvido um protótipo de tesoura eléctrica florestal sob coordenação da Navigator. A integração destas tecnologias permitiu o desenvolvimento de soluções com elevada capacidade de monitorização, navegação autónoma e operação segura em contexto florestal, contribuindo para a digitalização e automatização das operações. Destaca-se ainda o desenvolvimento do Observatório do Elétrico na Floresta, uma plataforma técnico-científica orientada para a sistematização, monitorização e disseminação de soluções de motorização elétrica, híbrida e a hidrogénio aplicadas ao setor florestal. O observatório reúne a informação produzida no âmbito do projeto, incluindo a caracterização do parque nacional de máquinas florestais, análises comparativas internacionais de equipamentos, definição de roadmaps estratégicos de apoio à descarbonização e modernização tecnológica do setor, bem como metodologias para cálculo da pegada de carbono e avaliação do impacto das emissões associadas à logística florestal em Portugal. Foi ainda concebida uma metodologia estruturada para avaliação do desempenho técnico, operacional, económico e ambiental de equipamentos florestais elétricos, híbridos e convencionais, posteriormente aplicada em ensaios-piloto realizados em contexto real de operação. Esta metodologia permitiu avaliar indicadores relacionados com produtividade, autonomia, eficiência operacional, viabilidade económica e potencial de redução de emissões de CO₂. Neste âmbito, foram realizados ensaios com equipamentos elétricos de corte de vegetação, complementados pela monitorização de parâmetros fisiológicos dos operadores, sob coordenação do ForestWISE. Os resultados demonstram que a eletrificação constitui uma solução tecnicamente viável e com elevado potencial para acelerar a modernização tecnológica e a descarbonização do setor florestal português, contribuindo para a redução da dependência de combustíveis fósseis, para a mitigação das emissões de gases com efeito de estufa e para o reforço da sustentabilidade ambiental e operacional das cadeias de valor florestais. Sistema de mobilização do solo e plantação mecânica em simultâneo The Navigator Company, Portugal O setor florestal enfrenta atualmente três grandes desafios: as alterações climáticas, com cada vez maior irregularidade e incerteza nas épocas de preparação do terreno e de plantação, a escassez de mão de obra qualificada e a baixa produtividade dos métodos convencionais de plantação, com grande intensidade de mobilização do solo e consequentes custos e emissões de carbono elevados. Valorização de biomassa lenhosa e redes logísticas regionais para uso energético sustentável – O caso da Região de Coimbra 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: INESC TEC; 3: Altri Florestal; 4: Florecha; 5: CIM Região de Coimbra; 6: Forestis - Associação Florestal de Portugal; 7: CBE - Centro da Biomassa para a Energia As diversas estratégias europeias e nacionais incentivam uma maior utilização de biomassa florestal, incluindo os sobrantes da exploração florestal e outros tipos de biomassa atualmente pouco utilizados, como os resíduos lenhosos provenientes da gestão de matos, desbastes e desramas. A valorização da biomassa lenhosa assume um papel central nas políticas públicas, contribuindo simultaneamente para a redução do risco de incêndios rurais, para o aumento da quota de energias renováveis no consumo energético e para o reforço da segurança de abastecimento. Em 2024, as Fontes de Energia Renovável (FER) representaram 37% do consumo final de energia (incluindo consumos não energéticos), dos quais 32% tiveram origem na biomassa. Nesse contexto, a produção anual de energia renovável tem vindo a aumentar, situando-se em 2024 nos 7 845 ktep, sendo que 21% teve origem em lenhas e resíduos vegetais/florestais. A região Centro destaca‑se como a que apresenta maior potência instalada, com cerca de 69% da produção de energia elétrica a partir de biomassa. Apesar deste enquadramento favorável, cerca de 24% dos incêndios rurais continuam a ter como causa o uso indevido do fogo, designadamente queimadas extensivas, queimas de sobrantes florestais ou agrícolas e a realização de fogueiras. Este facto está associado, em grande medida, à inexistência de alternativas viáveis para a mobilização e valorização dos sobrantes resultantes das atividades agroflorestais, o que incentiva a sua eliminação por queima a céu aberto. Um aspeto chave reside no redesenho das cadeias de abastecimento de biomassa florestal, em particular nos processos de recolha, pré‑processamento e transporte, visando a redução dos custos logísticos e o aumento da quantidade e diversidade de fontes de biomassa efetivamente utilizadas, com especial enfoque naquelas que têm sido pouco aproveitadas e numa lógica de atuação local e regional. Torna‑se, assim, necessária a aplicação de metodologias de análise de fluxos de biomassa florestal a escalas regionais que forneçam informação operacional para apoio à decisão, permitam estudar modelos integrados de aproveitamento das diferentes categorias de biomassa em função dos diversos usos possíveis e explorem fluxos alternativos, incluindo cenários baseados em unidades de pequena dimensão e cadeias curtas de abastecimento. O projeto “Redes regionais de valorização de biomassa lenhosa”, enquadrado na Agenda Transform, contribui para um maior aproveitamento e valorização da biomassa lenhosa através da implementação de uma rede regional de recolha e utilização. Este projeto centra‑se na instalação de uma rede descentralizada de parques e ecopontos florestais; no desenvolvimento de modelos de valorização sustentável da biomassa para fins energéticos, adequados às diferentes tipologias de biomassa e respeitando os princípios de uso em cascata; na elaboração de um modelo de otimização para o planeamento e desenho da rede logística; e na definição de estratégias de valorização e comercialização. Os resultados alcançados e a dinâmica já observada no território, ilustrada pela quantidade de biomassa recolhida desde a entrada em funcionamento da rede descentralizada de locais de recolha (mais de 760 toneladas), reforçam a necessidade de prosseguir o esforço de otimização da rede logística associada e de explorar novas soluções de maior valorização da biomassa, em resposta aos desafios colocados pela diversidade das suas tipologias. CircularWood na Agenda transForm: valorização de resíduos de MDF para a bioeconomia circular 1: Sonae Arauco Portugal SA, Portugal; 2: Ecociclo – Energia e Ambiente SA, Portugal A transição de um modelo económico linear para uma bioeconomia circular constitui um desafio central para o setor florestal, num contexto marcado pela crescente pressão sobre os recursos lenhosos, pela baixa circularidade material e pela necessidade de reduzir resíduos, emissões e dependência de matéria-prima virgem. Neste enquadramento, a valorização de resíduos de madeira assume relevância estratégica, particularmente no caso dos painéis de fibras de média densidade (MDF), cuja reciclagem tem sido limitada por constrangimentos tecnológicos associados à separação, descontaminação e reintegração da fibra recuperada. O projeto CircularWood, desenvolvido pela Sonae Arauco no âmbito da Agenda transForm, permitiu conceber e implementar um processo industrial inovador para reciclagem de resíduos de MDF, combinando tecnologias de triagem com inteligência artificial, tratamento por steam explosion e sistemas complementares de secagem, limpeza e reintegração da fibra reciclada na produção de novos painéis MDF/HDF. Este desenvolvimento demonstra a viabilidade técnica da valorização de um fluxo residual até agora de difícil reciclagem, constituindo um contributo relevante para o reforço da circularidade dos materiais, para a eficiência no uso dos recursos e para o prolongamento do armazenamento de carbono nos produtos derivados de madeira. | ||