Programa da conferência
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Simpósio 11 - O pinheiro-bravo e os eventos meteorológicos extremos
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Vulnerabilidade do pinheiro bravo a tempestades severas: efeitos dos eventos Gong, Leslie e Kristin nas Matas Nacionais do centro litoral de Portugal 1: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, IP. Departamento Regional de Gestão e Valorização da Floresta, Coimbra, Portugal; 2: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, IP. Departamento de Gestão de Áreas Públicas Florestais, Coimbra, Portugal; 3: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal As tempestades Gong (2013), Leslie (2018) e Kristin (2026) evidenciam um padrão cumulativo de perturbação nos povoamentos florestais do litoral centro de Portugal, particularmente no corredor costeiro entre a Marinha Grande e a Figueira da Foz. Estes sistemas, dominados por povoamentos puros de pinheiro‑bravo (Pinus pinaster Ait.) instalados em complexos dunares litorais, apresentam elevada homogeneidade estrutural e forte exposição ao vento, fatores que potenciam derrubes em larga escala. Num período de apenas 13 anos, entre 2013 e 2026, verificou-se a destruição massiva de extensas áreas destes povoamentos de pinheiro-bravo, evidenciando a crescente vulnerabilidade estrutural e ecológica destes ecossistemas florestais face à recorrência de fenómenos meteorológicos extremos. Os danos mais severos concentraram-se nas Matas Nacionais do litoral centro, designadamente na Mata Nacional de Leiria e na Mata Nacional do Casal da Lebre, onde ocorreram extensos derrubes de arvoredo em áreas contínuas de pinhal. A tempestade Gong (2013), correspondente a uma depressão extratropical atlântica de elevada intensidade, constituiu o primeiro episódio de rutura estrutural significativa, com rajadas superiores a 140 km/h e a queda de dezenas de milhares de árvores. A tempestade Leslie (2018), resultante da transição extratropical de um ciclone tropical, reforçou esta tendência, afetando milhares de hectares com danos moderados a severos e rajadas localmente superiores a 170 km/h. Já a tempestade Kristin (2026), classificada como um evento climático extremo, assumiu um caráter particularmente severo e excecional, traduzido em níveis de destruição generalizada, localmente estimados entre 90 e 100%, em áreas contínuas de pinhal, com derrube de milhões de árvores e ocorrência de rajadas acima de 180–200 km/h. Considerando o conjunto dos eventos analisados (Gong, Leslie e Kristin), evidencia-se uma clara gradação espacial da severidade dos danos, com um núcleo de máxima intensidade na Mata Nacional de Leiria e em unidades florestais adjacentes, diminuindo progressivamente para norte ao longo da faixa litoral (Quiaios-Figueira da Foz) e para o interior do País, onde os impactes se apresentam mais dispersos e descontínuos. A recorrência destes eventos extremos evidencia a fragilidade dos povoamentos monoespecíficos em contextos dunares expostos e sublinha a necessidade de estratégias de gestão adaptativa orientadas para o reforço da resiliência. Neste trabalho apresentam-se os dados relativos ao arvoredo danificado em cada evento, quanto ao número estimado de árvores afetadas e aos volumes correspondentes, bem como a cartografia detalhada das áreas impactadas. A análise comparativa da intensidade, extensão espacial e padrões de dano permitirá contribuir para uma melhor compreensão da vulnerabilidade destes sistemas florestais e para a definição de estratégias de gestão adaptativa e de reforço da resiliência em ecossistemas florestais vulneráveis sujeitos a perturbações climáticas extremas. Os resultados evidenciam também a importância de implementar uma base nacional de registo de danos, assente no catálogo já desenvolvido para Portugal (REG-TEMP – Registo Nacional de Danos por Tempestades em Povoamentos Florestais), o qual disponibiliza uma estrutura normalizada e compatível com bases de dados internacionais. Como conseguir pinheiros-bravos mecanicamente estáveis? CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal O pinheiro-bravo (Pinus pinaster Ait.) constitui a espécie resinosa com maior área de ocupação em Portugal Continental. Em janeiro de 2026, a tempestade Kristin - um evento meteorológico extremo caracterizado por ventos intensos e precipitação elevada - provocou a queda e a quebra de um número elevado de árvores, sobretudo na região Centro do país. Com base num ensaio de compassos de pinheiro-bravo instalado em 1994, em Vila Nova de Paiva, analisa-se o efeito da densidade do povoamento no coeficiente de adelgaçamento médio. Este coeficiente, definido como a razão entre a altura total e o diâmetro da árvore, é um indicador relevante da estabilidade e resistência mecânica das árvores, sendo, em geral, valores inferiores a 0.7 associados a árvores mecanicamente estáveis. Analisa-se também o efeito da densidade do povoamento em características da copa, nomeadamente o comprimento e a proporção de copa da árvore. A interpretação destes indicadores apoia-se na revisão de literatura científica obtida a partir de pesquisas com os termos "tree slenderness coefficient" e "height-to-diameter ratio". Com base nos resultados obtidos, são propostas recomendações com vista ao aumento da estabilidade e da resistência dos povoamentos de pinheiro-bravo face a eventos extremos, em particular aqueles associados a ventos fortes. Serão os pinheiros-amarelos (Pinus taeda) mais resistentes a ventos extremos- observações no ensaio rePlant da Lousã 1: Sonae Arauco Portugal SA, Maia, Portugal; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal Os resultados preliminares do ensaio RePlant, instalado na Lousã em 2022, indicam que o Pinus taeda apresenta uma aparente maior capacidade de resistência a ventos extremos face a outras espécies do género Pinus. Esta perceção foi particularmente evidente após a passagem da tempestade Kristin, cujo impacto na parcela de Pinus taeda se revelou inferior ao observado noutras espécies testadas, reforçando a perceção do seu potencial de robustez perante eventos meteorológicos extremos. Estes resultados assumem especial relevância no atual contexto de alterações climáticas, em que a seleção de espécies mais resilientes é determinante para a adaptação e sustentabilidade dos povoamentos florestais. O interesse pelo uso de Pinus taeda encontra paralelo em França, onde a sua utilização esteve diretamente associada à necessidade de recuperação e rearborização após as grandes tempestades de 1999 (Lothar e Martin) e 2009 (Klaus). Embora os resultados sejam ainda preliminares, o comportamento de Pinus taeda na Lousã sugere potencial para integração em estratégias de diversificação e gestão florestal adaptativa em áreas sujeitas a perturbações severas. Quando a floresta cai: impactos dos eventos meteorológicos extremos na Fileira do Pinho – o caso da tempestade Kristin Centro PINUS, Portugal Os fenómenos meteorológicos extremos constituem uma ameaça crescente para os sistemas florestais. Para além dos impactos diretos nos povoamentos, estes eventos podem provocar perturbações significativas nas cadeias de abastecimento de matéria-prima e no funcionamento das indústrias de base florestal. A tempestade Kristin, ocorrida em janeiro de 2026, afetou extensas áreas de pinhal-bravo na região Centro de Portugal, incidindo sobre alguns dos principais territórios fornecedores de madeira para a Fileira do Pinho. A ocorrência do evento num contexto já marcado por um défice estrutural de matéria-prima permitiu evidenciar um aparente paradoxo: um aumento súbito da oferta de madeira no curto prazo coexistindo com o agravamento da escassez futura de recurso. Com base na informação recolhida pelo Centro PINUS, em documentação técnica produzida após este e outros eventos semelhantes e na análise das respostas desenvolvidas pelos diferentes agentes da cadeia de valor, esta comunicação analisa os principais impactos da tempestade sobre a indústria transformadora da madeira de pinho. São discutidos os efeitos ao nível da oferta e procura de matéria-prima, das operações de exploração e transporte, da capacidade de armazenamento, da valorização industrial da madeira e da disponibilidade futura de recurso. A comunicação procura ainda identificar medidas de adaptação e mecanismos de resposta que contribuam para aumentar a resiliência da Fileira do Pinho perante fenómenos meteorológicos extremos, incluindo estratégias de armazenamento temporário de madeira, gestão do risco fitossanitário, reforço da capacidade logística e mecanismos de resposta coordenada entre proprietários, indústria e administração pública que permitam aumentar a resiliência da Fileira do Pinho perante futuras tempestades. O caso Kristin demonstra que os fenómenos meteorológicos extremos não afetam apenas a floresta. Afetam igualmente a estabilidade dos mercados, a competitividade industrial e a disponibilidade futura de matéria-prima, tornando necessária uma abordagem integrada da resiliência das fileiras florestais. | ||