Programa da conferência
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Simpósio 5a - Produtos Florestais Não Lenhosos: uma oportunidade para os proprietários florestais
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O invisível que sustenta a floresta: uma síntese da ecologia, micossilvicultura e fileira dos macrofungos em Portugal 1: Departamento de Biologia/ Escola das Ciências e Tecnologia/ Universidade de Évora, MED & CHANGE - MED – Mediterranean Institute for Agriculture Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute; 2: MED & CHANGE - MED – Mediterranean Institute for Agriculture Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute; 3: CEF - Centro de Estudos Florestais/ Instituto Superior de Agronomia/ Universidade de Lisboa; 4: CEABN - Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves”, InBIO/ Instituto Superior de Agronomia/ Universidade de Lisboa Os macrofungos constituem um dos Produtos Florestais Não Lenhosos (PFNL) com maior relevância ecológica e crescente interesse económico em Portugal, especialmente em zonas rurais. Para além do seu valor alimentar e comercial, desempenham funções essenciais nos ecossistemas florestais, participando na decomposição da matéria orgânica, na ciclagem de nutrientes e no estabelecimento de associações micorrízicas com a maioria das espécies arbóreas. Portugal possui 44 espécies espontâneas, produtoras de cogumelos e trufas comestíveis, com elevado valor comercial em mercados. Apesar deste potencial, a fileira nacional dos cogumelos permanece pouco estruturada, marcada pela informalidade da colheita e comercialização e pela reduzida integração deste recurso na gestão florestal. O presente trabalho apresenta uma síntese integradora do capítulo dedicado aos macrofungos, publicado no manual “Produtos Florestais Não Lenhosos de Portugal Continental”. O trabalho baseou-se numa revisão técnico-científica e documental. A informação foi sistematizada para abordar a biologia e ecologia dos cogumelos silvestres comestíveis, a sua importância histórica em Portugal, principais espécies e distribuição, condições de produtividade, princípios da micossilvicultura, organização da fileira em Portugal e na Europa, bem como o enquadramento legal, cadeia de valor, processamento, principais desafios e as entidades de apoio técnico aos produtores. A síntese evidencia que Portugal reúne condições ecológicas favoráveis ao desenvolvimento de diversas espécies de elevado valor comercial, mas que a inexistência de regulamentação específica, de mecanismos de certificação de origem e de circuitos comerciais organizados limita a valorização económica da fileira e a retenção de rendimento nos territórios rurais. Evidencia ainda que a adoção de práticas de micossilvicultura, associada ao desenvolvimento de plantas micorrizadas e à proteção do solo, constitui uma oportunidade para aumentar a produtividade, conservar a biodiversidade e reforçar a multifuncionalidade dos ecossistemas florestais. Conclui-se que os macrofungos silvestres comestíveis representam um recurso com elevado potencial ecológico e económico, mas ainda pouco conhecido, pouco aproveitado e insuficientemente integrado na gestão florestal em Portugal. A revisão evidencia uma fileira existente, mas marcada por informalidade, fraca rastreabilidade, insuficiente enquadramento legal, ausência de certificação de origem e perdas potenciais de valor para proprietários, territórios rurais e economia nacional. A sistematização deste conhecimento poderá apoiar novas linhas de investigação, contribuir para o desenvolvimento de instrumentos legais e técnicos mais adequados, capacitar produtores e gestores florestais e promover práticas de micossilvicultura orientadas para uma valorização mais sustentável e transparente deste PFNL. CORTIÇA – o produto florestal não lenhoso mais emblemático de Portugal Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Portugal - Laboratório Associado TERRA Os povoamentos de sobreiro são uma componente importante da economia das regiões onde ocorrem, sendo também considerados “zonas-chave” de serviços do ecossistema, com ênfase na biodiversidade. O sobreiro foi declarado Árvore Nacional de Portugal a 22 de dezembro de 2011 por unanimidade na Assembleia da República que reconheceu a sua importância económica, social, ambiental e cultural para o país. O sobreiro ocupa 22% da área florestal no país, sendo uma das três espécies mais frequentes, juntamente com o pinheiro bravo (22%) e o eucalipto (26%) (ICNF, 2019). Portugal é o país com a maior representação da área mundial desta espécie (37%), possui a maior produção anual de cortiça (55%) e concentra a exportação mais elevada (64%). A cortiça constitui a matéria prima de uma indústria sectorial com importante relevância económica e social. Em Portugal, em 2021, a indústria da cortiça alcançou um volume de negócios de 1.853 milhões de euros e um valor acrescentado bruto de 364 milhões de euros (correspondendo a 0,4 e 0,3% do total nacional, respetivamente), o que representa quase metade (47%) do volume total de negócios das indústrias florestais. Segundo dados de 2021 da APCOR, a cortiça é a base do trabalho de 815 empresas que operam em Portugal, das quais 232 são indústrias de preparação, 472 são indústrias para a produção de rolhas e 111 relativas a outros produtos, sendo que 622 empresas da indústria da cortiça empregavam 8012 pessoas. Portugal é líder mundial em termos de exportações de produtos de cortiça (Tabela 1. Área de sobreiro e produção de cortiça na Europa e no Mundo). Em 2024, a sua quota foi de 57,9%, seguida de Espanha com 18,8%. As exportações mundiais totais de cortiça atingiram 1.908,1 milhões de euros em 2024, representando um aumento de cerca de 14,8% em relação a 2020, o que equivale a 246,3 milhões de euros. Nesta apresentação, compilou-se o conhecimento científico atual sobre o sobreiro e a cortiça em Portugal, disponibilizando-o para a linha da frente: gestores agrícolas e florestais, assim como aos alunos e investigadores das ciências agroflorestais. Modelação da produção de árvore individual de seiva de Bétula e de Ácer em Portugal: Dois anos de trabalho de campo após publicação do capítulo 1: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 2: Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves” (CEABN), InBIO, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 3: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal Ao longo das últimas décadas, a Silvicultura em Portugal tem evoluído imenso em eficiência e escala para produção de madeira e fibra de papel, sobretudo de pinho e de eucalipto. No entanto, as florestas de montanha continuam subaproveitadas. A ocorrência de condicionantes como o Regime Florestal, Reserva Ecológica Nacional e Áreas Protegidas limita a exploração intensiva ou a alteração de usos do solo, reduzindo as opções de rendimento . A escassez de rentabilidade tem provocado abandono rural, o que agrava o risco de incêndio da paisagem. Por outro lado, existem espécies endógenas mais bem-adaptadas que têm sido pouco exploradas. Por estas razões, urge encontrar alternativas para aumentar a rentabilidade das explorações em montanha, e que respeitem as condicionantes presentes. O vidoeiro (Betula pubescens) e o padreiro (Acer pseudoplatanus) são duas espécies nativas de altitude muito valorizadas internacionalmente, tanto pela madeira como pela seiva. A seiva é uma substância aquosa extraída das árvores após o inverno, cobiçada para fins alimentares (p.ex. xarope de ácer ou seiva de betula), medicinais, cosméticos, etc. Sem antecedentes na literatura para o Mediterrâneo, o capítulo da Seiva (no livro “Os Produtos Florestais Não Lenhosos”, a lançar oficialmente neste simpósio) reportou o primeiro caso de estudo de produção de seiva (de bétula, no Gerês), e traçou uma avaliação geográfica preliminar das regiões nacionais com maior potencial produtivo para cada uma das duas espécies nativas, tendo por base os seus habitats naturais em Portugal (segundo Diretiva Habitats) bem como as condições climáticas reportadamente necessárias para ocorrer a produção de seiva. Ao cruzar as condições bioclimáticas (para ocorrência das duas espécies) com a ocorrência regular de neve, são realçadas zonas potenciais para a produção de seiva, p.ex. Serras do Gerês, Barroso, Montesinho e Estrela. Restava testar no terreno como as espécies responderiam em diferentes regiões do território. Dois anos depois da sua publicação, e no âmbito de uma tese de doutoramento, foram reunidos dados de produção de seiva ao nível da árvore individual de duas campanhas sucessivas em três povoamentos adultos de cada espécie (seis ao todo) localizados nas regiões de Corno de Bico, Serra do Gerês e Serra da Estrela. Cruzando os dados de produção com extensos dados de inventário nas correspondentes parcelas, foram desenvolvidos modelos de produção da seiva da árvore individual, os quais serão apresentados e discutidos, comparando com as predições iniciais do capítulo. Apesar de preliminares – aguarda-se dados da campanha de 2027 -, podemos adiantar o seguinte: i) padreiro apenas produziu na Serra da Estrela, confirmando a necessidade de ocorrência de neve; ii) principal factor preditor é a altura total da árvore; ii) bidoeiros produziram 4,8 vezes mais seiva que os padreiros, com uma média de 23,5 litros de seiva entre parcelas em 2025 e 2026. Apesar de várias limitações, como a grande irregularidade dos povoamentos (mistos, não ordenados, multi-equénios), motivada pelas restrições ambientais das áreas protegidas de cada parcela, os resultados preliminares são otimistas para uma futura fileira em Portugal. É justamente nestas situações sob restrições a outros usos do solo que o potencial dos Produtos Florestais Não Lenhosos é maior. Simulações da Gestão Florestal e a disponibilidade de Produtos Não Lenhosos com o StandsSIM Web App Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; Portugal O StandsSIM é um simulador de crescimento florestal, desenvolvido no âmbito dos trabalhos de investigação no grupo ForChange, do CEF (Centro de Estudos Florestais), que permite realizar predições a longo prazo, para os povoamentos florestais das principais espécies do sector florestal nacional, a diferentes escalas. O StandsSIM.md, movido pela gestão florestal, é sujeito a contínuos desenvolvimentos, incorporando novos resultados da investigação e integrando modelos de crescimento florestal para novas espécies, para diferentes estruturas dos povoamentos ou para povoamentos mistos. As simulações são produzidas com os recursos disponibilizados pela ferramenta permitindo a definição de alternativas de gestão através da caracterização climática e topográfica da estação, dos padrões de silvicultura desenhados pelo utilizador com a correspondente calendarização de operações, dos seus respetivos custos, do valor de mercado dos produtos florestais, entre outros. Quaisquer cenários que sejam considerados condicionam os modelos e sub-modelos de crescimento florestal, de forma integrada e conjugada, conduzindo os povoamentos florestais a evoluções distintas ao longo dos anos. O StandsSIM Web App, baseado no programa científico referido, é disponibilizado através da plataforma sIMfLOR.online (www.simflor.online), permitindo simular a evolução de qualquer povoamento florestal através dos diferentes aparelhos Web (mobile a desktop). Os utilizadores ficam habilitados a realizar, de forma rápida e facilitada, nas suas áreas pessoais, diferentes simulações com elevada usabilidade, robustez, integridade e com os recursos necessários (dados e funcionalidades) disponibilizados de forma automatizada e/ou personalizada. Os resultados das simulações podem ser comparados, consultados e reciclados, de modo a selecionar as mais apropriadas opções de gestão florestal. O StandsSIM Web App (v2.1.x) foi lançado numa primeira fase (2024) com os modelos de crescimento para Eucalyptus globulus, Castanea sativa (povoamentos florestais), Pinus pinaster e Pinus pinea permitindo testar e optimizar padrões de silvicultura para a promoção de diferentes objetivos de gestão florestal incluindo a produção de Produtos Lenhosos (madeira, pasta de papel). Em 2026, uma nova versão (v2.2.x) veio permitir a simulação de alguns Produtos Florestais Não Lenhosos. Para o Pinus pinea foi operacionalizada a produção de pinhas, disponibilizando ao longo das simulações as variáveis climáticas necessárias para as equações que integram o módulo de produção de pinha: i) a que determina a probabilidade de formação de pinha para valores maiores ou iguais a 0.6, dependendo da precipitação acumulada de janeiro a maio 4 anos antes; e ii) a que reflete o desenvolvimento das pinhas formadas (kg) e depende da precipitação acumulada nos meses de janeiro a maio 3 anos antes. A simulação de cortiça para o sobreiro e de bolota de azinheira, resulta da integração dos modelos de crescimento para Quercus suber (baseado no programa científico SUBER v~5.5) e Quercus rotundifolia (com produção de bolotas). O programa SUBER incluí o crescimento de cortiça no seu módulo de predição. O modelo da azinheira (BALLOTA) recorre a equações de crescimento em diâmetro espanholas, combinadas com equações de volume e biomassa nacionais e de um algoritmo responsável pela produção de bolota que combina um modelo português de produção de bolota com diferentes resultados disponíveis em várias publicações sobre a espécie. Valorização do pinheiro-bravo para produção de resina: variabilidade e conservação genética em ensaio policlonal 1: INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária; 2: BioISI – Instituto de Biosistemas e Ciências Integrativas, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa; 3: Centro PINUS; 4: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Instituto para a Inovação, Capacitação e Sustentabilidade da Produção Agroalimentar (Inov4Agro), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; 5: ESAC – Escola Superior Agrária de Coimbra; 6: LEAF – Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa O pinheiro bravo (Pinus pinaster Ait.), tradicionalmente valorizado pela produção de madeira, tem vindo a ganhar renovado interesse no setor florestal nacional, destacando-se o seu potencial para a produção de resina e para o desenvolvimento de novos produtos de base biológica. No âmbito do projeto PRR Resina Natural 21 (RN21), têm sido desenvolvidas ações com vista ao reforço da capacidade produtiva do pinhal, nomeadamente através da seleção e melhoramento genético de árvores superiores para a produção de resina. Neste contexto, foi instalado um ensaio policlonal no Perímetro Florestal da Alva de Pataias (Alcobaça) com o objetivo de avaliar e conservar ex situ a variabilidade genética da espécie. O ensaio integra cerca de 420 genótipos provenientes de sete regiões de proveniência de P. pinaster, cujos materiais foram recolhidos no campo e posteriormente clonados por enxertia. O delineamento experimental Linha-Coluna Resolúvel inclui sete repetições, que permitem a estimativa de parâmetros genéticos relevantes, como a variabilidade genética e a heritabilidade em sentido lato, bem como a previsão dos ganhos genéticos de seleção associados ao potencial produtivo em resina. Paralelamente, foi realizada a caracterização molecular destes materiais, utilizando o array multi-espécie Axiom 4TREE, com aproximadamente 13400 marcadores moleculares (Single Nucleotide Polimorphism-SNP) desenvolvidos para P. pinaster. A análise preliminar dos resultados evidencia a existência de variabilidade genética, fundamental para sustentar estratégias de melhoramento. Numa fase posterior, e após a obtenção de dados fenotípicos de produção de resina, será possível realizar estudos de associação genótipo-fenótipo (Genome Wide Association Studies-GWAS), com vista à identificação de marcadores associados ao potencial produtivo de resina. O ensaio estabelecido constitui uma infraestrutura estratégica para a seleção genética e para o desenvolvimento do programa de melhoramento genético para a produção de resina. Este trabalho apresenta a estrutura experimental e os primeiros resultados de genotipagem que suportam o desenvolvimento de estratégias de seleção genética mais eficientes e economicamente sustentáveis, com vista ao aumento do potencial produtivo em resina do pinheiro-bravo em Portugal. Nova técnica de resinagem com método mecanizado de incisão circular: inovação, eficiência operacional e valorização da fileira da resina natural 1: Resipinus - Associação de Destiladores e Exploradores de Resina, Portugal; 2: CoLAB Forestwise - Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 3: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista (CIFAP), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal; 4: CEF - Centro Estudos Florestais, Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal, Lisboa, Portugal; 5: Departamento de Engenharia Mecânica, Instituto Politécnico de Leiria, Leiria, Portugal; 6: Instituto de Investigação Aplicada, Instituto Politécnico de Coimbra, Coimbra, Portugal A resinagem constitui uma atividade estratégica para a valorização do pinhal, ao gerar rendimento complementar aos proprietários, promover emprego rural e reforçar a presença humana nos territórios florestais. Além da importância económica, contribui para a gestão ativa dos povoamentos, a vigilância da floresta e a redução do risco de incêndio, através da manutenção das áreas intervencionadas e do controlo da vegetação espontânea. Contudo, a fileira da resina enfrenta constrangimentos ligados à escassez de mão de obra, à exigência física das operações, à irregularidade da produção e à necessidade de maior eficiência e qualidade da matéria-prima. Neste contexto, a modernização da atividade e a adoção de soluções técnicas inovadoras são fundamentais para aumentar a atratividade e competitividade da resinagem em Portugal. Neste âmbito, foi analisado o método mecanizado de incisão circular (RMC), uma técnica inovadora de extração de resina, tanto em resinagem à vida como à morte. O método utiliza uma ferramenta do tipo berbequim, equipada com broca circular adaptada, que permite realizar incisões controladas no tronco e conduzir a resina para um saco fechado de recolha. A operação inclui várias etapas: descarrasque, quando necessário; riscagem da fiada; execução da incisão; aplicação de pasta estimulante em todo o perímetro da abertura; colocação do saco de recolha com bocal circular; e posterior retirada e armazenamento da resina até à entrega na indústria de primeira transformação. As incisões são realizadas de forma ascendente, podendo assumir disposição vertical ou em zigzag, com periodicidade ajustada às condições meteorológicas, ao estado vegetativo da árvore e à região. A aplicação do método RMC deve respeitar os requisitos técnicos e legais previstos no Decreto-Lei n.º 181/2015, de 28 de agosto, nomeadamente quanto às dimensões mínimas das árvores, profundidade das incisões, largura e altura das fiadas, distâncias entre incisões e obrigações de registo e comunicação da atividade através do Sistema de Informação da Resina. A utilização de saco fechado constitui uma das principais diferenças face aos métodos tradicionais, permitindo reduzir impurezas, melhorar a qualidade da resina recolhida, facilitar o transporte e diminuir perdas durante o processo de extração. Os resultados esperados apontam para ganhos operacionais relevantes, associados à redução do esforço físico, à uniformização das incisões, à melhoria das condições de trabalho e ao potencial aumento da eficiência das equipas de resinagem. Simultaneamente, a técnica permite compatibilizar a exploração da resina com a conservação da vitalidade das árvores e com boas práticas silvícolas, desde que aplicada de acordo com os limites técnicos definidos. A mecanização parcial da operação poderá ainda contribuir para atrair novos operadores, qualificar a atividade e reforçar a ligação entre inovação tecnológica, gestão florestal ativa e bioeconomia rural. Conclui-se que o método mecanizado de incisão circular representa uma alternativa promissora para a modernização da resinagem em Portugal. A sua adoção poderá contribuir para aumentar a competitividade da fileira da resina natural, melhorar a qualidade do produto, valorizar o pinhal e reforçar a sustentabilidade económica e territorial dos espaços florestais. A consolidação desta técnica dependerá, contudo, da formação dos operadores, da monitorização dos seus efeitos produtivos e fitossanitários e da articulação com políticas públicas de apoio à gestão ativa do pinhal. | ||