Programa da conferência
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T1.3 - A floresta portuguesa
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Study of carbon sequestration dynamics in Quercus stands with different edaphoclimatic features 1: CREATE – Center for Sci-Tech Research in Earth System and Energy, Universidade de Évora, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 2: Universidade de Évora, Departamento de Biologia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004516 Évora, Portugal; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Agronomia, Apartado 1013, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real; 4: Universidade de Évora, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal Native woodlands of the genus Quercus play an essential role in biodiversity conservation and climate change mitigation, functioning as carbon reservoirs and providing high-value ecosystem services. However, anthropogenic pressure, progressive climate change, and the structural degradation of forests compromise the ecological stability of these systems, making it essential to identify their regulating factors. This study analyzes carbon sequestration dynamics in forest stands dominated by Quercus faginea Lam. and Quercus pyrenaica Willd., distributed across regions of mainland Portugal under distinct edaphoclimatic conditions. The Q. faginea plots are located in Ansião (NUTS III - Região de Coimbra), while the Q. pyrenaica plots are located in Sabugal (NUTS III - Beiras e Serra da Estrela) and Valpaços (NUTS III - Terras de Trás-os-Montes). The central objective is to identify and quantify how physiological, edaphic, climatic, and structural factors determine carbon retention capacity in these ecosystems. The methodology is based on continuous monitoring of instrumented plots over a one-year period, with systematic collection of dendrometric, ecophysiological, and edaphoclimatic data, complemented by floristic inventories. This functional approach prioritizes analysis at the individual tree scale and its interactions with the environment. The results reveal water availability as a determining factor in carbon fixation efficiency: in Ansião, the higher soil field capacity translates into greater carbon sequestration and a denser understory. In Sabugal and Valpaços, the stands are at distinct successional stages: Valpaços exhibits high canopy density and species diversity, constituting a suitable study stand for assessing the ecology of the target species. Sabugal exhibits moderate density but is subject to grazing, with a sparse shrub understory. Based on these results, the aim is to: (i) systematically quantify the main determinants of carbon sequestration potential; (ii) propose integrated metrics of ecological quality and carbon fixation capacity, applicable in forest management; and (iii) contribute to close-to-nature silviculture models that reconcile productivity, biodiversity conservation, and ecological resilience. Occupying only 2% of mainland Portugal's forested area, oak woodlands respond in an integrated manner to challenges of profitability, fire regime, and nature conservation, which underlies the relevance of this study. Acknowledgements: This work is funded by Agenda Transform, project no. C644865735-00000007, following the Mobilization Agendas for Business Innovation (Notice No. 02/C05-i01/2021), supported by the Recovery and Resilience Plan (PRR) and European Funds NextGeneration EU. Impactes e sinergias da resinagem nos serviços de ecossistema - Conservação da biodiversidade: Um caso de estudo no norte de Portugal. 1: CERNA. Regia Douro Park – Parque de Ciência e tecnologia de Vila Real. 5000-033 Vila Real, Portugal.; 2: Titulo individual; 3: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista, Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 4: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 5: Laboratório de Ecologia Fluvial e Terrestre, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 6: RESIPINUS – Associação de Destiladores e Exploradores de Resina. 2415-371 Leiria, Portugal. Os pinhais mediterrânicos constituem ecossistemas de elevada relevância ecológica, económica e social, assegurando múltiplos serviços de ecossistema, nomeadamente produção de madeira e resina natural, proteção do solo, regulação hidrológica, sequestro de carbono e manutenção da biodiversidade. No contexto atual de crescente vulnerabilidade aos incêndios florestais, abandono rural e alterações climáticas, a resinagem poderá assumir um papel relevante enquanto atividade promotora de gestão florestal ativa. Contudo, os seus efeitos sobre a biodiversidade e os serviços de ecossistema permanecem ainda insuficientemente documentados em Portugal. O presente trabalho avaliou os impactes e sinergias da resinagem e da gestão florestal associada na biodiversidade em povoamentos de Pinus pinaster no norte de Portugal. O estudo decorreu nos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, tendo sido selecionadas 30 locais de amostragem distribuídos por duas tipologias de gestão: 15 parcelas em pinhal resinado e 15 em pinhal não resinado. As amostragens realizaram-se entre março e novembro, abrangendo a época de resinagem. A avaliação da biodiversidade integrou flora, aves, morcegos, mamíferos terrestres e répteis, recorrendo a metodologias padronizadas de monitorização ecológica. Os dados foram analisados através de modelos lineares generalizados mistos (GLMM), análises multivariadas e índices ecológicos de diversidade. Os resultados mostram que a resinagem não originou diferenças estatisticamente significativas na riqueza específica da flora nem na riqueza, atividade e diversidade das comunidades faunísticas avaliadas. Contudo, os povoamentos resinados apresentaram alterações na composição florística e simplificação estrutural do subcoberto vegetal, traduzidas numa menor diversidade de Shannon-Wiener, maior dominância de espécies e menor altura média da vegetação, embora sem redução significativa da riqueza específica ou da cobertura vegetal. Foram registadas 51 espécies de aves, 12 espécies ou grupos fónicos de morcegos, 9 espécies de mamíferos terrestres e a presença de um réptil (Psammodromus algirus). Entre as espécies identificadas destacam-se táxones com elevado interesse conservacionista, nomeadamente Accipiter gentilis, Streptopelia turtur, Rhinolophus euryale, Myotis blythii/Myotis myotis e Canis lupus. Os resultados estatísticos não revelaram diferenças significativas na riqueza específica e atividade de fauna, entre os dois tipos de pinhal. Os resultados sugerem que os principais efeitos ecológicos observados decorrem sobretudo da intensidade das práticas de gestão florestal associadas e não da resinagem em si, sendo esta compatível com modelos de gestão florestal de baixa a média intensidade integrados numa matriz paisagística heterogénea. A simplificação estrutural do subcoberto poderá ainda contribuir para a redução da continuidade vertical do combustível vegetal, favorecendo potencialmente a diminuição do risco e severidade dos incêndios florestais. Conclui-se que a resinagem poderá constituir um instrumento de valorização económica e gestão ativa dos pinhais mediterrânicos, compatível com a conservação da biodiversidade e com a manutenção de serviços de ecossistema num contexto de alterações climáticas. Development of atypical flowers and unseasonal flowering events: Insights into the reproductive plasticity of Oaks 1: CBMA (Centre of Molecular and Environmental Biology), University of Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal; 2: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: CIBIO (Research Center in Biodiversity and Genetic Resources) – InBIO (Research Network in Biodiversity and Evolutionary Biology), University of Porto, Campus Agrário de Vairão, Rua Padre Armando Quintas, 4485-661 Vairão, Portugal; 4: Department of Biology, Faculty of Sciences, University of Porto, Rua do Campo Alegre s/n, 4169-007 Porto, Portugal; 5: MHNC-UP—Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto – Herbário PO, Universidade do Porto, Praça Gomes Teixeira, 4099-002 Porto, Portugal The development of unisexual flowers depends on the intricate coordination of flower organ identity and sex determination mechanisms. Unisexual flowering has emerged several times throughout evolution, being observed in 10% of flowering plants, and is thought to increase adaptive fitness by promoting cross-breeding and gene flow. Oaks (genus Quercus) are generally considered as strictly monoecious, with each individual tree displaying fully segregated male and female flowers in separate inflorescences. However, previous reports of atypical flowering across the genus contrast with this classical view, suggesting that oak flowering may be more flexible than traditionally assumed. The molecular mechanisms that coordinate floral development have been extensively characterized in model species, with most flower-promoting cues being integrated in the expression of FLOWERING LOCUS T (FT) in the leaves. The FT protein migrates to the meristems, and orchestrates the conversion from a vegetative to a reproductive state. Following floral initiation, the identity of each floral organ is specified by different combinations of transcription factors, as outlined by the ABCDE-model. However, despite the great economic and ecological importance of the Quercus genus, studies on the processes that control flower development in oaks are scarce. In this work, recurrent hermaphroditic flowering in Quercus orocantabrica and Q. ilex is reported, occurring in several individuals and over several years. Unseasonal flowering events throughout the growth season were also detected, generally associated with an increased frequency of hermaphroditic flowers. In addition, a differential expression of B- and C-class genes in male and female flowers was detected, with B-class genes being predominantly expressed in male flowers. The B-class gene PISTILLATA is exclusively expressed in male flowers of Q. suber and Q. ilex, while being expressed in both male and hermaphroditic flowers of Q. orocantabrica, tightly associating the expression of this gene to the initiation and development of stamens. The C-class gene SHATTERPROOF is expressed in both flowers of Q. suber and Q. ilex, but is not detected in Q. orocantabrica male flowers, despite the absence of significant morphological differences between the flowers of these species. Collectively, these results support a reinterpretation of oak reproductive biology, based on a versatile and responsive system reliant on distinctly complex regulatory processes. Efeitos da plantação de espécies autóctones nas propriedades físicas do solo e no armazenamento de carbono na Reserva da Faia Brava, NE de Portugal 1: CIMO, LA SusTEC, Universidade Politécnica de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 2: Cordenação de Engenharia Ambiental (COEAM), Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Francisco Beltrão, 85601-970, Paraná, Brasil O solo constitui um sistema dinâmico e complexo, fundamental para a sustentação dos serviços ecossistémicos terrestres e para a regulação do ciclo global do carbono, representando o maior reservatório de carbono nos ecossistemas terrestres. A avaliação das suas propriedades físicas, químicas e biológicas é, por isso, indispensável para monitorizar o seu estado de conservação e antecipar trajetórias de degradação ou recuperação. O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da instalação de espécies arbóreas autóctones nas propriedades físico-hídricas do solo e no armazenamento de carbono orgânico na Reserva Natural Privada de Faia Brava, localizada no Nordeste de Portugal. A amostragem foi realizada em sete parcelas experimentais (P0, P1, P2, P3, P4, P6 e P7), sujeitas a plantação recente de espécies autóctones. Em cada parcela foram definidos aleatoriamente oito pontos de amostragem, distribuídos equitativamente entre a zona plantada (ZP) e o solo original não intervencionado (SO), utilizado como controlo. As amostras foram recolhidas em três profundidades: 0–5 cm, 5–10 cm e 10–20 cm. Em laboratório, foram determinados os seguintes indicadores: permeabilidade saturada, densidade aparente, porosidade total (macroporosidade e microporosidade), capacidade máxima para a água, capacidade de campo, estabilidade de agregados (frações de 0,25 mm e 0,40 mm) e carbono orgânico armazenado. Os resultados evidenciaram que a permeabilidade do solo se manteve superior a 25 cm h⁻¹ em ambas as situações (ZP e SO), correspondendo à classe de permeabilidade muito rápida, sem diferenças significativas entre tratamentos. A densidade aparente registou valores inferiores a 1,5 g cm⁻³ em ambos os casos, não indicando compactação relevante. Contudo, a porosidade total, a capacidade máxima para a água, a capacidade de campo e a estabilidade dos agregados da fração 0,25 mm apresentaram valores significativamente superiores no SO comparativamente à ZP, sugerindo que as operações de mobilização do solo associadas à plantação induziram uma deterioração da estrutura porosa e da coesão agregada. O armazenamento de carbono orgânico foi igualmente superior no solo original, o que evidencia o papel da perturbação mecânica do solo no estímulo à mineralização da matéria orgânica e na consequente libertação de CO₂ para a atmosfera. Os resultados obtidos indicam que, embora a plantação de espécies autóctones constitua uma estratégia de restauro ecológico com potencial a médio e longo prazo, as operações de preparação do terreno provocam, numa fase inicial, uma degradação temporária da qualidade física do solo e uma redução no seu potencial de sequestro de carbono. Estes dados sublinham a necessidade de adotar práticas de mobilização mínima do solo em projetos de reflorestação, de forma a mitigar os impactos negativos sobre as funções edáficas e o balanço de carbono nos ecossistemas restaurados. Restauro e monitorização da conectividade transversal entre habitats ripícolas e florestais. Caso de estudo na serra da Gardunha no âmbito do LIFE Alnus Taejo 1: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute. Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento, Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora, Portugal; 2: EcoSalix - Sistemas Ecológicos de Engenharia Natural, Lda., Portugal; 3: Universidade de Évora, Portugal; 4: LEAF - Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Center, Associated Laboratory TERRA. Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 5: CTAEX, Centro Tecnológico Nacional Agroalimentario, Ctra. Villafranco-Balboa Km. 1,2 - 06195 Badajoz, Espanha.; 6: Ambienta, Ingeniería y Servicios Agrarios y Forestales S.L.; 7: Escuela Técnica Superior de Ingeniería de Montes, Florestal y del Medio Natural, Universidad Politécnica de Madrid, Espanha.; 8: Fundación Cesefor, Espanha Os ecossistemas ripícolas são estruturas importantes na conectividade longitudinal e transversal de habitats com um papel determinantes na conservação da biodiversidade e resiliência da paisagem. Neste trabalho apresenta-se um caso de estudo no âmbito do projeto LIFE ALNUS TAEJO project – “Conservation and restoration of Mediterranean alder forests, priority habitat 91E0*, in the International Tagus River Basin” – aims to conserve and restore riparian ecosystems dominated by alder (Alnus glutinosa). Na serra da Gardunha foram aplicadas ações de restauro ecológico no âmbito do projeto citado, apresentando-se os resultados de aplicação de medidas controlo de espécies exóticas invasoras, concretamente de Acacia dealbata, e criação de uma zona tampão de transição entre habitats florestais e o habitat listado na Diretiva Habitats 91E0, onde se incluem os amiais ripícolas. A solução de restauro foi desenhada com base no conhecimento das geosséries ripícolas, permitindo uma recuperação com base na vegetação natural climatófila e ripícola do território biogeográfico em questão. Numa fase inicial foi efetuada uma caracterização ecológica detalhada da área de estudo, incluindo a avaliação do índice de qualidade do habitat fluvial, da conectividade dos bosques ripícolas, das pressões ambientais existentes, bem como a realização de levantamentos fitossociológicos e cartografia da vegetação. Esta análise permitiu identificar e delimitar áreas invadidas por espécies exóticas invasoras, principalmente Acacia dealbata e Arundo donax, consideradas entre os principais fatores de degradação destes ecossistemas. Com base neste diagnóstico foram implementadas ações de restauro assentes em soluções baseadas na natureza, incluindo o controlo de espécies invasoras, a criação de uma zona tampão de transição entre os habitats florestais envolventes e os amiais ripícolas, bem como a plantação de espécies autóctones características da geossérie Galio broteriani-Alneto glutinosae geosigmetum. A conceção das intervenções teve por base o conhecimento da vegetação potencial e das dinâmicas ecológicas naturais do território, procurando restabelecer os gradientes ecológicos entre o bosque ripícola e os habitats florestais adjacentes. Foram realizadas ações de descasque de acacial de Acacia dealbata e seguida de corte após cerca de 1 ano numa área de 2000 m2, a qual foi posteriormente plantada com as espécies características das séries identificadas. Dos resultados da monitorização das intervenções, salienta-se o sucesso das plantações estimado em 90% potenciando a evolução da biodiversidade e da estrutura da vegetação na direção da vegetação de referência seguida nas parcelas de controlo. A regeneração de Acacia dealbata verificou-se inferior a 10%, registando-se contudo um aumento na colonização de espécies nitrófilas e ruderais de cerca de 20% em algumas parcelas de monitorização. Agradecimentos: Os autores agradecem o apoio financeiro do programa LIFE da Comissão Europeia, através do projeto LIFE ALNUS TAEJO (LIFE20 NAT/ES/000021), bem como da unidade de I&D MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development (DOI: 10.54499/UID/05183/2025) e do Laboratório Associado CHANGE – Global Change and Sustainability Institute (DOI: 10.54499/LA/P/0121/2020). Revisão do Plano de Gestão da Pesca Lúdico-Desportiva da Zona de Pesca Lúdica do rio Mente 1: ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte; Departamento Regional de Gestão e Valorização da Floresta; Divisão de Extensão e Competitividade Florestal; Parque Florestal, 5000-567 Vila Real; 2: ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte; Departamento Regional de Gestão e Valorização da Floresta; Divisão de Gestão Florestal do Norte Litoral; Parque Florestal, 5000-567 Vila Real; 3: CITAB-UTAD - Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento Florestal, 5000-801 Vila Real, Portugal; 4: CIBIO, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, InBIO Laboratório Associado, Campus de Vairão, Universidade do Porto, 4485-661 Vairão, Portugal Este estudo apresenta os resultados da revisão do Plano de Gestão e Exploração da Zona de Pesca Lúdica (ZPL) do rio Mente, implementado em 2020, avaliando a adequação do modelo de ordenamento e gestão após cinco anos de aplicação. A investigação incidiu sobre as massas de água do rio Mente e principais tributários integrados no Parque Natural de Montesinho (PNM), abrangendo oito estações de amostragem distribuídas pelo rio Mente, rio Mousse e ribeira da Aveleda/rio de Vale de Madeiros. A metodologia replicou o protocolo aplicado em 2019, integrando a avaliação da qualidade hidromorfológica e ripária através da metodologia River Habitat Survey (RHS) bem como a monitorização das comunidades piscícolas por pesca elétrica, num total de 24 amostragens. Foram ainda analisados parâmetros de idade, crescimento, condição corporal e relação das espécies com os diferentes tipos de habitat, visando reforçar estratégias de gestão sustentável dos recursos aquícolas. Os resultados confirmam a elevada heterogeneidade e qualidade ecológica destes ecossistemas aquáticos e ribeirinhos, classificados entre seminaturais e significativamente modificados, refletindo simultaneamente a influência da ação humana e das alterações globais. A truta-de-rio (Salmo trutta) manteve ampla distribuição espacial, ocorrendo em todas as estações do rio Mente e do rio Mousse. A população apresenta crescimento isométrico e uma estrutura demográfica equilibrada, com cerca de 52% de indivíduos imaturos (≤2 anos) e 44% de exemplares reprodutores, evidenciando capacidade de renovação populacional e resiliência ecológica. O rio Mousse continua a assumir um papel determinante na conservação desta espécie. Destaca-se igualmente o aumento expressivo da população de boga, com predominância de indivíduos juvenis, sugerindo forte recrutamento recente. Em contrapartida, verificou-se uma expansão significativa do lagostim-sinal (Pacifastacus leniusculus), atualmente presente em todas as estações do rio Mente e na confluência do rio Mousse, situação que reforça a necessidade de monitorização e controlo desta espécie invasora. Os resultados obtidos sustentam a manutenção do modelo de gestão atualmente em vigor, reforçando a importância de uma abordagem integrada entre conservação da natureza e valorização sustentável da pesca lúdica. As medidas propostas permanecem alinhadas com os objetivos de conservação do projeto POSEUR-03-2215-FC-000096 – “ Conservação e Gestão das Comunidades de Mexilhão-de-Rio (Margaritifera margaritifera)”, contribuindo para a preservação dos ecossistemas fluviais de montanha e dos seus recursos endógenos. | ||