Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 2a - Floresta Urbana: conhecimento multifacetado para promover a resiliência Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes Moderação/coordenação de sessão: Ana Luisa Soares Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte | |
| Apresentação 2 | |
Abandono, biodiversidade e manutenção dos espaços verdes urbanos CEABN, Portugal A crescente valorização do papel desempenhado pelo desenho urbano e pela manutenção dos espaços verdes na sustentabilidade das cidades tem vindo a transformar a forma como se pensa a relação entre ecossistemas urbanos, biodiversidade e qualidade de vida. À medida que os desafios ambientais se intensificam, torna‑se cada vez mais evidente que as práticas de gestão da vegetação influenciam não apenas o desempenho ecológico dos espaços verdes, mas também a perceção pública e a aceitação social de abordagens mais naturais ou eco‑centradas. Persistem, contudo, incertezas significativas sobre até que ponto os residentes urbanos estão dispostos a apoiar modelos de gestão que alteram profundamente a estética, o uso e a identidade destes espaços. Este trabalho sintetiza os resultados de três estudos desenvolvidos entre 2022 e 2024 - dois já publicados nas revistas Landscape and Urban Planning e Urban Forestry & Urban Greening, e um atualmente em revisão - que analisam o papel da manutenção na conservação da biodiversidade e a receptividade a abordagens eco‑centradas no contexto dos espaços verdes urbanos. A investigação recorreu a conjoint analysis, entrevistas semiestruturadas e revisão bibliográfica comparativa, tendo como caso de estudo a cidade de Hangzhou, na China, um território marcado por forte expansão urbana e por políticas ambientais inovadoras. Os resultados mostram que a relação entre intensidade de manutenção e biodiversidade é mais complexa do que frequentemente assumido. Embora algumas práticas de elevada intervenção apresentem impactos negativos claros, outras revelam efeitos mais subtis ou mesmo neutros, sugerindo que a gestão pode ser calibrada de forma mais estratégica para maximizar benefícios ecológicos sem comprometer a funcionalidade dos espaços. Paralelamente, identificámos diferenças marcantes entre grupos de utilizadores: profissionais das áreas da ecologia e gestão da vegetação demonstram maior abertura a estéticas menos controladas e a modelos de gestão menos interventivos, enquanto residentes leigos tendem a preferir cenários híbridos, onde elementos “selvagens” são combinados com níveis moderados de manutenção visível. Estes cenários intermédios foram consistentemente avaliados de forma mais favorável do que versões totalmente “selvagens”, revelando uma procura por equilíbrio entre naturalidade e ordem. Concluímos que estas diferenças de perceção devem ser integradas no planeamento das florestas urbanas e no desenho dos parques urbanos, de modo a garantir que as estratégias de gestão conciliam expectativas sociais diversas com a necessidade de preservar e reforçar os serviços de ecossistema. A adoção de abordagens híbridas, flexíveis e sensíveis ao contexto poderá constituir um caminho promissor para promover cidades mais resilientes, biodiversas e socialmente inclusivas. | |