Programa da conferência
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Vista diária |
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Sessão Plenária 2: Margarida Tomé Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: José Gaspar | |
| Apresentação 1 | |
Modelos de crescimento da floresta, um apoio necessário para a gestão florestal sustentável num ambiente em mudança Instituto Superior de Agronomia, Lisboa A gestão florestal sustentável visa garantir que os bens e serviços fornecidos pelas florestas atualmente se mantenham ou aumentem no futuro, assegurando a sua utilização pelas gerações futuras. Embora frequentemente considerada um conceito recente, esta preocupação existe há séculos entre os profissionais da área florestal. Em 1713, Hans von Carlowitz introduziu o termo “sustentabilidade” na obra Silvicultura Oeconomica, defendendo a utilização dos recursos naturais sem comprometer a sua continuidade. O que é realmente novo, principalmente desde o Millennium Ecosystem Assessment, é a sistematização dos benefícios proporcionados pelas florestas, designados por serviços dos ecossistemas, os quais são geralmente classificados em quatro categorias: serviços de produção, de regulação, culturais e de suporte. Além disso, tornou-se necessário demonstrar que a gestão aplicada contribui para a manutenção ou melhoria destes serviços, o que exige a definição e monitorização de indicadores ao longo do tempo. No entanto, implementar a sustentabilidade das florestas não é tarefa fácil, uma vez que o impacto das decisões de gestão florestal só se torna visível a longo prazo. Os gestores florestais têm de prever, com muitos anos de antecedência, os efeitos das opções de gestão tomadas hoje, num ambiente em constante mudança. Como fazer essa previsão? Podemos basear-nos na observação prolongada da evolução de diferentes florestas através de parcelas permanentes e ensaios de campo. Contudo, essa observação não resolve totalmente o problema porque, em primeiro lugar, exigiria demasiado tempo e, em segundo lugar, não permitiria observar todas as alternativas possíveis. Foi daí que surgiu a ideia de utilizar os dados recolhidos para desenvolver modelos de crescimento da floresta, ou seja, ferramentas informáticas que, utilizando toda a informação científica disponível, prevêm a evolução de uma floresta ou de uma região ao longo do tempo e sob diferentes cenários de gestão florestal, clima ou política florestal. O modelo consegue simular o impacto das práticas florestais, bem como alterações em variáveis de controlo como o clima, os incêndios, as pragas ou as operações silvícolas. As decisões de gestão florestal são tomadas a diferentes escalas espaciais, desde o povoamento florestal até à unidade de gestão ou mesmo ao país. Por essa razão, existem simuladores florestais adaptados a essas diferentes escalas. A silvicultura e a gestão florestal evoluíram significativamente nos últimos anos e constituem hoje áreas científicas complexas, apoiadas na ecologia e nas ciências florestais, com o objetivo de garantir um fornecimento sustentável de serviços dos ecossistemas florestais: serviços de provisão, regulação, culturais e de suporte. Cada sistema florestal e cada opção de gestão conduz a uma combinação distinta desses serviços. A gestão florestal deve, por isso, considerar todos os intervenientes, desde o proprietário da floresta até à sociedade em geral. Aquilo que é benéfico para os primeiros nem sempre satisfaz as expectativas da sociedade. No que diz respeito aos modelos de crescimento florestal, devemos considerar duas abordagens distintas: os modelos empíricos e os modelos baseados em processos. Os modelos empíricos resultam do ajustamento estatístico de funções de crescimento às variáveis cuja evolução se pretende simular. Incluem ainda diversos algoritmos para representar eventos e operações florestais, como a mortalidade das árvores ou os desbastes. Já os modelos baseados em processos procuram compreender a evolução da floresta através da descrição das interações entre planta e solo e entre carbono, nutrientes e água. Estes modelos têm a capacidade de responder aos impactos das alterações climáticas e da intensificação da silvicultura. Cada um destes tipos de modelos têm vantagens e inconvenientes que serão discutidos nesta apresentação com base em aplicações dos dois tipos de modelos a alguns casos reais. | |