Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
Constituição e dinamização de Agrupamentos de Baldios: experiência da FORESTIS na gestão agrupada dos territórios comunitários
Andre Chaves1, Iryna Skulska Kolos2
1: Departamento de gestao de prijetos.FORESTIS; 2: CEABN | Instituto Superior de Agronomia
A FORESTIS, Associação Florestal de Portugal tem desenvolvido, desde 2019, um trabalho estruturante na constituição e dinamização de Agrupamentos de Baldios (AdB), no âmbito do Contrato-Programa N.º CP/02/FFP/2019. Esta iniciativa surgiu como resposta à necessidade de reforçar a capacidade técnica, organizativa e operacional das comunidades locais responsáveis pela gestão dos baldios, promovendo modelos de gestão agrupada assentes no associativismo, na cooperação territorial e na economia de escala. No âmbito deste processo, a FORESTIS constituiu 9 AdB, envolvendo 111 baldios e uma área total de cerca de 52 950 hectares, distribuídos pelas regiões Norte e Centro. Na região Norte foram constituídos 6 AdB, abrangendo 77 baldios e cerca de 36 878 hectares; na região Centro foram constituídos 3 AdB, envolvendo 34 baldios e cerca de 16 072 hectares. Estes agrupamentos permitiram criar uma base territorial relevante para a gestão integrada de áreas comunitárias, muitas vezes fragmentadas, com diferentes realidades administrativas, fundiárias e silvícolas. O trabalho desenvolvido incluiu a dinamização institucional dos AdB, apoio técnico às entidades gestoras, levantamento cadastral, apoio ao registo predial e matricial, elaboração e submissão de Planos de Gestão Florestal, inventário florestal, contratação de técnicos, estabelecimento de parcerias e execução de ações de gestão de combustíveis. Os resultados evidenciam uma evolução significativa: foram alcançados 113,8% da meta prevista para gestão de combustíveis, correspondendo a 3 071,42 hectares, 70,6% de execução no cadastro e registos, 72% na submissão de PGF, 100% no inventário florestal, 133% nas parcerias estabelecidas e 144% na contratação de técnicos. Apesar dos resultados alcançados, o processo revelou também constrangimentos importantes. Entre as principais dificuldades identificadas destacam-se a complexidade das normas técnicas e financeiras, a morosidade na análise dos pedidos de pagamento, dificuldades de comunicação entre entidades, necessidade de apoio jurídico, recrutamento de técnicos especializados e clarificação de conceitos operacionais essenciais para a viabilidade dos agrupamentos. A experiência da FORESTIS demonstra que os AdB podem constituir uma ferramenta estratégica para valorizar os territórios comunitários, captar financiamento, melhorar a organização das comunidades locais e reforçar a gestão florestal sustentável. Ao mesmo tempo, evidencia a necessidade de simplificar procedimentos, melhorar a articulação institucional e assegurar continuidade técnica e financeira, sobretudo numa futura segunda geração de Agrupamentos de Baldios.