Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 49 | |
Gestão florestal adaptativa pós-incêndio no Baldio de Relva: contributos para uma paisagem mais resiliente no território do Alvão UTAD, Portugal Os espaços florestais comunitários assumem um papel relevante na gestão sustentável da paisagem, sobretudo em territórios de montanha sujeitos a riscos naturais, abandono rural e recorrência de incêndios. O presente trabalho teve como objetivo elaborar uma proposta de Plano de Gestão Florestal para o Baldio de Relva, situado na União de Freguesias de Borbela e Lamas de Olo, concelho de Vila Real, no contexto territorial do Alvão. A área em estudo apresenta cerca de 12,6 ha e encontra-se parcialmente integrada no Parque Natural do Alvão e na ZEC Alvão/Marão, o que reforça a necessidade de compatibilizar objetivos produtivos, ecológicos e legais. A metodologia assentou na caracterização territorial, biofísica, legal e funcional da propriedade, recorrendo à análise cartográfica, enquadramento em instrumentos de gestão territorial e florestal, observação de campo e interpretação das condicionantes ambientais existentes. Foram considerados fatores como relevo, altitude, declive, clima, solos, flora, fauna, riscos fitossanitários, incêndios, infraestruturas e enquadramento socioeconómico. O incêndio florestal de 2025, que afetou a totalidade do baldio, foi assumido como o principal fator condicionante da proposta de gestão, tornando prioritária a estabilização do solo, a redução da erosão, a avaliação da regeneração natural e a prevenção de nova recorrência do fogo. Apesar da reduzida dimensão e da relativa homogeneidade edafoclimática da área, propôs-se a divisão do Baldio de Relva em duas parcelas de gestão, definidas com base nas condicionantes legais. A Parcela 1, integrada em áreas classificadas, foi orientada para funções de conservação, proteção do solo e valorização de espécies autóctones, através de um modelo silvícola misto com Castanea sativa, Prunus avium e Arbutus unedo. A Parcela 2, com maior flexibilidade de intervenção, foi direcionada para uma produção lenhosa moderada, baseada na condução de Pinus pinaster em mistura com Castanea sativa, evitando a reinstalação de povoamentos contínuos, monoespecíficos e vulneráveis ao fogo. A proposta privilegia a regeneração natural sempre que esta se revele viável, recorrendo à plantação apenas em situações de insuficiência ou má distribuição da regeneração. Defende-se uma gestão adaptativa, com intervenções progressivas ao longo do tempo: estabilização do solo e avaliação dos danos nos primeiros anos, condução da regeneração e controlo de invasoras numa fase intermédia, e desbastes seletivos e consolidação de mosaicos vegetais numa fase posterior. A manutenção de matos em mosaico, a valorização de folhosas autóctones, a redução da continuidade horizontal e vertical dos combustíveis e a utilização de técnicas de baixo impacto constituem medidas centrais para aumentar a resiliência ecológica e reduzir a perigosidade de incêndio. O trabalho contribui para a reflexão sobre novos modelos de silvicultura em áreas comunitárias pós-incêndio, demonstrando que a gestão florestal não deve limitar-se à produção lenhosa, mas integrar conservação da biodiversidade, proteção do solo, adaptação climática, serviços de ecossistema e valorização multifuncional da paisagem. Conclui-se que o Baldio de Relva pode constituir um exemplo de gestão florestal adaptativa, orientada para a recuperação ecológica e para a construção de uma paisagem mais diversa, funcional e resistente ao fogo. | |