Programa da conferência
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Vista diária |
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T2.3 - Os desafios Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço | |
| Apresentação 1 | |
Trail Running como instrumento de gestão territorial e prevenção de incêndios rurais: uma abordagem geoespacial 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: Escola Superior de Desporto e Lazer, Instituto Politécnico de Viana do Castelo Os incêndios rurais constituem um dos principais desafios da floresta portuguesa, exigindo abordagens preventivas que integrem gestão territorial, acessibilidade, conhecimento da paisagem e valorização sustentável dos espaços rurais e florestais. Em paralelo, o Trail Running tem vindo a afirmar-se como uma modalidade de desporto de natureza com forte expressão territorial, recorrendo frequentemente a trilhos, caminhos rurais, áreas de montanha, matos e espaços florestais. Embora a modalidade tenha uma finalidade essencialmente desportiva e recreativa, a sua realização depende da existência, conservação e utilização regular de percursos em meio natural, podendo estes constituir elementos relevantes para a leitura e organização do território. O presente estudo tem como objetivo analisar, através de uma abordagem geoespacial, a relação entre os percursos do Circuito Nacional de Ultra Trail da Associação de Trail Running de Portugal e territórios vulneráveis aos incêndios rurais. A investigação incide sobre os percursos oficiais da época desportiva 2024/2025, assumindo uma abordagem censitária, geoespacial e aplicada, baseada na recolha e tratamento de ficheiros GPX. Os dados espaciais são integrados em ambiente SIG/QGIS e cruzados com cartografia de perigosidade estrutural de incêndio rural de 2024, Carta de Uso e Ocupação do Solo de 2018 e cartografia de áreas ardidas dos últimos 10 anos. Esta abordagem permite caracterizar a distribuição dos percursos por classes de perigosidade, tipos de ocupação do solo e eventual sobreposição com áreas historicamente afetadas por incêndios. A análise geoespacial evidencia que os percursos de Trail Running apresentam uma implantação territorial expressiva e atravessam frequentemente paisagens rurais, florestais e de montanha. O cruzamento com a cartografia de perigosidade estrutural permite identificar troços localizados em áreas classificadas com perigosidade alta ou muito alta, enquanto a análise da ocupação do solo permite reconhecer a presença de áreas florestais, matos, espaços agrícolas e outros usos ao longo dos percursos. A integração da cartografia de áreas ardidas acrescenta uma dimensão histórica à análise, permitindo identificar percursos que atravessam territórios previamente afetados pelo fogo. A presença destes percursos em áreas sensíveis não permite, por si só, estabelecer uma relação causal com a redução do risco de incêndio. Contudo, permite discutir o seu possível contributo enquanto elementos complementares de acessibilidade, conhecimento territorial, valorização dos trilhos e apoio ao planeamento preventivo. Esta leitura é particularmente relevante em territórios marcados pelo abandono rural, pela perda de usos tradicionais e pela necessidade de reforçar modelos de gestão mais ativos, participativos e territorialmente ajustados. Este estudo procura, assim, contribuir para uma leitura interdisciplinar entre desporto de natureza, gestão florestal e ordenamento do território. Ao analisar os percursos de Trail Running como elementos espaciais mensuráveis, pretende-se reforçar a discussão sobre o seu enquadramento em estratégias locais de prevenção, manutenção de trilhos e valorização sustentável da paisagem. Desta forma, o Trail Running é interpretado não como substituto das ações formais de silvicultura preventiva ou gestão de combustíveis, mas como prática territorial com potencial complementar para a resiliência da floresta portuguesa. | |