Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 13c - Baldios em transformação: dinâmicas institucionais e modelos de gestão Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Vanda Acácio Moderação/coordenação de sessão: Carla Leite Moderação/coordenação de sessão: Iryna Skulska Kolos | |
| Apresentação 1 | |
Baldios em Transformação na voz de mulheres compartes: um estudo participativo 1: ISEG, Portugal; 2: FSCH, Univ. Nova de Lisboa; 3: Baldio de Lamas d’Olo e Dornelas, Vila Real; 4: ESA, Instituto Politécnico de Viana do Castelo; 5: Investigadora independente; 6: Associação dos Baldios do Parque Nacional da Peneda Gerês Os territórios comunitários, em Portugal baldios, constituem um modelo promissor para a conservação da natureza, economias inclusivas e governação democrática (UNEP-WCMC & ICCA Consortium, 2021; OMS, 2024; Comissão Europeia, 2024). No entanto é sabido que, como muitos outros territórios comunitários no mundo, os baldios em Portugal enfrentam desafios de governança. Tal como o texto que enquadra o Simpósio, “Baldios em Transformação”, sugere, vivemos um momento-chave de transformação caracterizado por novos desafios que se juntam aos já antigos. Ao abandono das economias agrícolas tradicionais, redução do investimento público, despovoamento rural, e risco de incêndio, juntam-se as economias emergentes como a dos serviços ecossistémicos e do carbono, a aceleração das alterações climáticas e o fim da cogestão. Perante este cenário, esta comunicação irá trazer uma voz tradicionalmente excluída neste tipo de debates: a das mulheres compartes. Um estudo recente em baldios no Norte de Portugal identificou que apenas 27 das 227 comunidades contactadas (12%) contavam com mulheres nos seus órgãos de gestão (Bem Comum, 2026). Sabemos que as mulheres desempenham um papel crucial na sustentabilidade das comunidades rurais sendo elas que permaneceram no território aquando da emigração rural dos anos 1950-60 (Brettel, 1991), e que têm um papel predominante na agricultura familiar de subsistência (Rodrigo 1986; Tavares, 2020). Apesar disso, assumindo predominantemente os papéis de cuidado do agregado familiar, as mulheres raramente participam na tomada de decisões relativas à vida pública e comunitária, o que perpetua uma dinâmica de exclusão social e económica (Bica, 2019). Ainda assim, na última década tem-se verificado nos meios rurais um aumento da participação das mulheres na governança local, em particular em posições de liderança nos baldios. As mulheres podem trazer um outro olhar e conhecimento derivado da sua maior ligação às economias familiares, agricultura de subsistência e trabalho em rede. Devido a isto, estudos apontam que a inclusão das mulheres na tomada de decisão conduz a melhores resultados na conservação dos ecossistemas e na distribuição equitativa dos recursos (p.e. Agarwal, 2009, Siliprandi, E., 2015, Sánchez Martino, 2025, Clement, 2019). Pretendemos realizar um mínimo de 15 entrevistas e um grupo focal para validar e aprofundar as dimensões identificadas nas entrevistas. A metodologia participativa começará por reunir com as compartes co-autoras deste resumo para: 1) definir os objetivos específicos; 2) desenhar o guião das entrevistas semiestruturadas e do grupo focal, 3) acordar o protocolo de seleção das mulheres compartes a envolver na pesquisa. Com as entrevistas iremos recolher a visão das mulheres compartes sobre os baldios, em particular sobre os maiores desafios que se colocam ao seu funcionamento, tendo atenção às questões referidas na chamada do Simpósio (e.g. incêndios, bioeconomia e mercados ambientais). Uma estratégia “snow-ball” permitirá incluir vozes de mulheres compartes consideradas relevantes pelas próprias mulheres. A análise dos dados seguirá uma abordagem qualitativa com a codificação do discurso com categorias pré-definidas e com códigos e categorias emergentes. Os resultados deste estudo servirão para trazer para a discussão os efeitos da inclusão das mulheres sobre a governança e sobre a conservação dos ecossistemas e, em última análise, para reforçar a sua inclusão na tomada de decisão em meios rurais. | |