Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 8 - Cortiça: produto e material do futuro Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Carla Nogueira Moderação/coordenação de sessão: Clara Pinto | |
| Apresentação 6 | |
Montados sob pressão: alterações globais e implicações para a gestão Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Portugal Introdução O montado é um sistema agrossilvopastoril de elevado valor ecológico e económico que enfrenta pressões crescentes decorrentes das alterações globais. Portugal registou um aquecimento significativo nas últimas décadas, com anomalias de temperatura que acompanham a tendência global mas com maior amplitude, colocando estes ecossistemas perante desafios sem precedentes. A mortalidade de árvores e a expansão de matos são fenómenos documentados à escala global, incluindo nas zonas mediterrânicas, e o montado de sobro (Quercus suber) não é excepção. Pressões combinadas e não linearidade das respostas O montado está sujeito a uma combinação de factores de stress, seca e stress hídrico, perda de vitalidade, fogo e matorralização, cuja actuação simultânea dificulta respostas simples de gestão. A investigação desenvolvida nos últimos anos demonstrou que a interacção entre a seca e a presença de arbustos, nomeadamente a esteva (Cistus ladanifer), é não linear e dependente do contexto: em determinadas condições, a esteva compete com o sobreiro pelos recursos hídricos superficiais, reduzindo a transpiração e o crescimento dos sobreiros; noutras condições, ou em fases de recuperação pós-seca, os efeitos são distintos ou não significativos. Esta complexidade reflecte-se também no incremento do tronco, que responde de forma diferenciada consoante a presença de arbustos e a intensidade da seca. Efeitos dos arbustos em múltiplas dimensões Os arbustos actuam em múltiplas dimensões do funcionamento do ecossistema. A identidade das espécies arbustivas influência a probabilidade de sobrevivência e regeneração dos sobreiros: plântulas estabelecidas sob coberto diverso de arbustos apresentam maior sobrevivência a longo prazo do que as associadas a Cistus ladanifer, sendo os efeitos modulados pelo stress hídrico e pelo encharcamento. Por outro lado, em zonas com pastoreio, os arbustos funcionam como ilhas de infiltração de água, com condutividade hidráulica do solo significativamente superior à das áreas de pastagem adjacentes, o que pode ter implicações relevantes para o balanço hídrico do sistema. O efeito dos arbustos no crescimento de plântulas de sobreiro depende ainda do contexto local: em duas zonas com características diferentes de solo e cobertura arbustiva verificaram-se efeitos contrastantes da presença dos arbustos no crescimento dos sobreiros. Gestão adaptativa como resposta Face à variabilidade e complexidade das respostas observadas, a gestão adaptativa surge como uma necessidade fundamental. A aplicação de ensombramento artificial em plântulas de sobreiro demonstrou reduzir o risco acumulado de mortalidade em 42%, com melhorias significativas na actividade fotossintética, no vigor foliar (NDVI), na eficiência quântica à luz e na reflectância fotoquímica. Estes resultados sugerem que intervenções simples e de baixo custo podem ter impacto relevante na regeneração do montado em cenários de aridificação crescente. Conclusão No montado, não existem respostas únicas: as relações entre seca, arbustos e sobreiros são mediadas por contextos locais, interacções entre factores e compromissos entre serviços de ecossistema. A investigação de longo prazo e a monitorização contínua são ferramentas indispensáveis para suportar decisões de gestão informadas e adaptadas à crescente variabilidade climática. Financiamento: FCT — UID/00239 (CEF/TERRA); Interreg SUDOE — COOPTREE (S1/2.7/F0122) | |