Programa da conferência
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Vista diária |
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T3.1 - A ambição Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Carlos Fonseca | |
| Apresentação 6 | |
Um produto esquecido, um futuro possível: o alcatrão de pinheiro-bravo na bioeconomia 1: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Lisboa; 2: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Évora; 3: Mota-Engil BCircle, Lda, Alverca A produção de alcatrão vegetal em Portugal teve início em 1790, na Marinha Grande, recorrendo como matéria-prima à madeira proveniente do Pinhal de Leiria. Este produto era obtido através da combustão lenta de achas de pinheiro-bravo (Pinus pinaster Ait.), processo que originava simultaneamente subprodutos com valor económico, nomeadamente o carvão e a água russa. A atividade atingiu o seu auge ao longo do século XIX, em estreita associação com o desenvolvimento da construção naval e da indústria de cordoaria. No entanto, a progressiva substituição dos navios de madeira por embarcações metálicas, aliada ao baixo rendimento do processo produtivo e às alterações na gestão do Pinhal de Leiria, conduziu ao declínio e posterior abandono desta atividade. No contexto atual da bioeconomia e da transição para modelos de economia circular, o alcatrão vegetal ressurge como um subproduto com potencial de valorização, particularmente no âmbito de processos modernos de conversão termoquímica da biomassa. Neste enquadramento, o presente trabalho tem como objetivo analisar o potencial de integração da produção de alcatrão vegetal em sistemas contemporâneos de pirólise, posicionando este produto numa lógica de valorização integral de biomassa residual. A abordagem adotada assenta numa análise técnico-conceptual suportada em três eixos principais: (i) revisão dos processos históricos de produção de alcatrão, (ii) caracterização dos fluxos de produtos resultantes da pirólise de biomassa lenhosa e (iii) aplicação exploratória a um caso de estudo real — a central de biochar de Carvalhelhos (Boticas), promovida pela Mota-Engil BCircle. Neste contexto, a produção de biochar assume-se como o principal vetor de valorização, sendo o alcatrão vegetal considerado um subproduto com potencial de aplicação em nichos de mercado específicos. Os resultados exploratórios sugerem que a valorização integrada dos subprodutos da pirólise, incluindo o alcatrão vegetal, poderá contribuir para melhorar a viabilidade económica dos sistemas de produção de biochar, ao aumentar o aproveitamento global da biomassa processada e reforçar os princípios da economia circular. Assim, este trabalho propõe uma reinterpretação contemporânea de uma prática tradicional, posicionando o alcatrão vegetal como um elemento complementar em cadeias de valor baseadas na bioeconomia, com particular relevância em regiões com elevada disponibilidade de biomassa, como o Norte de Portugal. | |