Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | |
|
Sessão de Pósteres n.º 1 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 47 | |
Primeiros sinais de estabelecimento da ferrugem-da-murta em espaços verdes urbanos em Portugal 1: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Associated Laboratory TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 2: Laboratório de Patologia Vegetal “Veríssimo de Almeida”, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal As invasões biológicas associadas a patogénios emergentes representam um desafio crescente à sanidade vegetal em contextos urbanos e florestais, particularmente em cenários de alteração climática e intensificação das trocas globais. Entre estes agentes, Austropuccinia psidii (G. Winter) Beenken, fungo da ordem Pucciniales e agente causal da ferrugem-da-murta, destaca-se como uma ameaça relevante à família Myrtaceae, com impacto documentado em ecossistemas naturais, plantações florestais e espécies ornamentais. Em contraste com a maioria de fungos Puccinales, que apresentam especificidade para um género ou para uma espécie botânica, este patogénio apresenta uma ampla gama de hospedeiros entre as Myrtaceae, superior a 480 espécies, e elevada capacidade de dispersão e adaptação, incluindo em regiões de clima mediterrânico. A sua introdução em novos territórios tem sido associada a impactos significativos, podendo conduzir a desfolha, deformação de tecidos, redução de crescimento e, em casos severos, mortalidade. Para além do impacto em espécies ornamentais e ecossistemas naturais, este patogénio representa uma potencial ameaça para plantações de Eucalyptus e para a fileira florestal associada, atendendo à suscetibilidade de várias espécies deste género a esta ferrugem. Em Portugal, a presença de A. psidii em mirtáceas ornamentais foi recentemente confirmada com base em caracteres morfológicos, análise molecular das regiões ITS e LSU, tamanho do genoma e testes de patogenicidade, com sintomas e sinais característicos observados em folhas jovens, rebentos, flores e frutos, incluindo lesões necróticas e pústulas alaranjadas. Neste contexto, os espaços verdes urbanos assumem particular relevância como áreas potenciais de estabelecimento e disseminação desta ferrugem, dada a diversidade de hospedeiros, a conectividade paisagística e as condições microclimáticas frequentemente favoráveis à infeção. O presente trabalho apresenta uma atualização da incidência de A. psidii em Portugal, com base em ações de monitorização em jardins e parques urbanos, centrada na observação sistemática de sintomas, identificação das espécies hospedeiras afetadas e caracterização da distribuição do patogénio em diferentes tipologias de espaços verdes. Os resultados evidenciam a presença do patogénio em diversos locais no concelho de Lisboa, com níveis variáveis de incidência e associação preferencial a determinados hospedeiros, nomeadamente Myrtus communis Linn. As monitorizações realizadas em 2026 confirmam a presença do patogénio em locais onde este tinha sido detetado em 2025, ao que acrescem novas deteções. Observa-se ainda elevada suscetibilidade dos tecidos jovens, em concordância com o descrito para esta ferrugem noutras regiões. Estes dados sugerem que o patogénio se encontra em fase de estabelecimento, com potencial de expansão em condições favoráveis. A interpretação destes resultados indica que a ferrugem das mirtáceas poderá representar um risco significativo para sistemas urbanos e periurbanos em Portugal, com possíveis implicações para espécies ornamentais e ecossistemas mediterrânicos e, potencialmente, para a fileira do eucalipto. Do ponto de vista aplicado, reforça-se a importância da monitorização contínua e da deteção precoce na gestão deste patogénio invasor, sendo a vigilância fitossanitária em espaços verdes urbanos uma ferramenta essencial para limitar a sua dispersão e, de forma mais abrangente, antecipar riscos para sistemas florestais e produtivos. | |