Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | |
|
Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 40 | |
Floresta Digital: inteligência artificial acessível para a monitorização e gestão florestal 1: Escola Superior Agrária / Instituto Politécnico de Coimbra; 2: Instituto Superior de Engenharia / instituto Politécnico de Coimbra; 3: RCM2+ Centro de Investigação em Gestão de Ativos e Engenharia de Sistemas As alterações climáticas, associadas à maior frequência de incêndios e eventos extremos, e a fragmentação da propriedade florestal colocam desafios à gestão florestal em Portugal. Apesar dos avanços na deteção remota, no LiDAR e na inteligência artificial (IA), a sua aplicação permanece limitada por constrangimentos técnicos e económicos, dificultando a adoção por técnicos e pequenos proprietários. O presente trabalho divulga a iniciativa Floresta Digital e descreve a estratégia adotada para integrar tecnologias emergentes na monitorização e gestão florestal. A iniciativa resultou da convergência de interesses científicos de docentes do Instituto Politécnico de Coimbra, integrados no centro RCM2+, com competências em Engenharia Florestal e IA. Inicialmente voluntária, a sua evolução foi sustentada por projetos de investigação, dissertações e parcerias com entidades do setor. Inspirada nos princípios da gestão adaptativa, a estratégia organiza-se em torno do ciclo observar–antecipar–adaptar, transformando dados em conhecimento útil para apoio à decisão. A sua operacionalização assenta em quatro eixos: infraestruturas digitais para recolha, integração e análise de dados; validação em contexto operacional; capacitação dos agentes do setor e democratização do acesso às tecnologias digitais; e promoção da adoção e replicação das abordagens desenvolvidas. A estratégia apoia-se em dois laboratórios vivos: o Projeto Floresta da Serra do Açor (FSA), dedicado ao restauro florestal à escala da paisagem, e a rede de parcelas demonstrativas da Serra da Lousã, orientada para a monitorização de distúrbios e adaptação climática. Estas infraestruturas permitem recolher dados reais, desenvolver metodologias, validar ferramentas e promover aprendizagem. Um dos principais resultados é a Plataforma Floresta Digital, aplicação web livre para utilização de metodologias avançadas de monitorização, análise e apoio à decisão. Desenvolvida com arquitetura modular em Python e Docker, assegura escalabilidade, manutenção e integração de novos simuladores, permitindo que técnicos e proprietários utilizem ferramentas baseadas em IA sem equipamento especializado. Atualmente, a plataforma integra cinco simuladores em desenvolvimento. O Simulador de Volume do Sobreiro estima a área e o volume de cortiça a partir de imagens com modelos como a Mask R-CNN; o Simulador de Volume do Pinheiro segmenta troncos em fotografias e extrai altura, DAP e volume. À escala dos povoamentos, o Simulador de Crescimento do Pinheiro-Bravo projeta plantações, o Simulador de Alternativas de Gestão compara cenários, e o Simulador de Monitorização de Plantações usa deteção automática de árvores em fotografias aéreas para acompanhar plantações e apoiar decisões pós-plantação. A integração de modelos de inteligência artificial constituiu um dos principais desafios técnicos do projeto, sobretudo devido à elevada exigência computacional associada a estes modelos. Para ultrapassar esta limitação, os simuladores foram desenvolvidos com uma interface comum de gestão de simulações, que permite registar o histórico de execuções por utilizador, gerir dados de entrada e resultados, comparar cenários e exportar informação de forma simples e estruturada. O Floresta Digital constitui um exemplo de inovação interdisciplinar para a transformação digital do setor florestal, articulando ciência florestal, IA, laboratórios vivos e ferramentas acessíveis para apoiar uma gestão mais resiliente, informada e adaptada aos desafios futuros. | |