Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 39 | |
Colónias silvestres de Apis mellifera em montado de azinho: resultados preliminares do projeto FREE-B em Portugal 1: CIMO – Centro de Investigação de Montanha, LA SuSusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253, Bragança, Portugal; 2: Université Paris-Saclay, CNRS, IRD, UMR Évolution, Génomes, Comportement et Écologie, Gif-sur-Yvette, França; 3: Department of Ecology, Swedish University of Agricultural Sciences, Uppsala, Suécia; 4: Faculty of BiologicalSciences, Kazimierz Wielki University, Powstańców Wielkopolskich 10, Bydgoszcz 85-090, Polónia; 5: Honey Bee Watch, Galway, Irlanda; 6: Zoology, School of Natural Sciences and Ryan Institute, National University of Ireland, Galway, Galway, Irlanda As colónias de abelha melífera (Apis mellifera) que habitam cavidades naturais e sobrevivem sem intervenção humana, constituem modelos de elevado interesse para o estudo da ecologia, adaptação e conservação desta espécie. No âmbito do projeto “FREE-B-Studying FREE-living honey Bee colonies in Europe: nature-based solutions to safeguard diversity, ensure resilience, and promote transformative change in beekeeping“ , investigadores de vários países estão a estudar estas colónias ao longo de um gradiente que se estende do sul da Europa até à Escandinávia. Em Portugal, o local de estudo situa-se na Herdade da Granja, Idanha-a-Nova. A Herdade da Granja, localizada junto à Barragem Marechal Carmona, possui cerca de 186 ha dominados por montado de azinho (Quercus ilex), integrando árvores maduras com cavidades naturais e áreas de regeneração natural. A conjugação de abundantes locais de nidificação com uma elevada disponibilidade de recursos florais cria um habitat particularmente favorável à instalação e sobrevivência de colónias silvestres, ou de vida livre, de A. mellifera. Durante os trabalhos de prospeção realizados em 2025 foram identificadas 13 cavidades ocupadas por colónias de abelha, correspondendo a uma densidade de 1,1 colónias/km², superior aos valores médios reportados para o norte da Europa (0,26 colónias/km²). Todas as colónias estavam instaladas em cavidades naturais de azinheiras de grande porte, evidenciando uma forte associação entre a ocorrência destas populações e a disponibilidade de árvores maduras. As árvores ocupadas apresentam um perímetro médio à altura do peito de 1,74 m (intervalo: 1,50 – 2,00 m), à altura da entrada do ninho de 1,93 m (intervalo: 1,74 – 2,22 m), enquanto a altura da entrada dos ninhos é em média, 1,97 m (intervalo: 1,34 – 3,19 m). A entrada dos ninhos encontra-se maioritariamente orientada para o quadrante noroeste. A monitorização realizada em março de 2026 revelou uma taxa de mortalidade no Inverno de 61,5%, um valor que, de acordo com os apicultores locais, não difere substancialmente das perdas observadas em colónias domésticas durante o mesmo período, tendo permanecido ativas 5 das 13 colónias identificadas em 2025. Contudo, os levantamentos efetuados em maio de 2026 demonstraram a reocupação de 3 cavidades e permitiram a descoberta de uma nova cavidade ocupada, totalizando 7 colónias ativas. Estes resultados sugerem que, apesar da elevada mortalidade observada, a recolonização poderá desempenhar um papel importante na manutenção destas populações. Foram ainda recolhidas amostras biológicas das colónias sobreviventes para caracterização genética e identificação de patogénios, cujos resultados serão comparados com os de colónias provenientes de apiários da região. Os resultados obtidos demonstram que os montados de azinho podem constituir habitats relevantes para a manutenção de populações silvestres de A. mellifera em Portugal. O acompanhamento destas colónias contribuirá para uma melhor compreensão dos fatores associados à sua sobrevivência e resiliência, fornecendo informação importante para a conservação da abelha melífera ibérica e dos ecossistemas mediterrânicos. Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto Free-B (Ref. FCT: BiodivNBS/0004/2023). | |