Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 2a - Floresta Urbana: conhecimento multifacetado para promover a resiliência Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes Moderação/coordenação de sessão: Ana Luisa Soares Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte | |
| Apresentação 3 | |
Diversidade de proveniências como fator de resiliência da floresta urbana: o caso de Lisboa 1: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Instituto Superior de Agronomia (CEABN-ISA), Universidade de Lisboa, Portugal; 2: Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP). Colégio de S. Jerónimo, 1º Piso Largo D. Dinis - 3000-395 Coimbra, Portugal; 3: Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-189 Faro, Portugal A adaptação às alterações climáticas constitui um dos principais desafios para a gestão da floresta urbana. A resiliência dos organismos vivos resulta, em grande medida, da sua capacidade de manter o seu funcionamento perante perturbações externas e da sua plasticidade ecológica, entendida como a capacidade de ajustar características fisiológicas, morfológicas ou fenológicas em resposta às condições ambientais. Espécies com maior plasticidade tendem a apresentar uma maior capacidade de adaptação a ambientes variáveis, contribuindo para a manutenção das suas funções ecológicas em cenários de stress. As árvores de arruamento nas cidades constituem uma infraestrutura verde que assegura múltiplos serviços de ecossistema, nomeadamente o ensombramento e arrefecimento do espaço público, o sequestro de carbono, a retenção de poluentes atmosféricos, a redução do escoamento superficial, o suporte à biodiversidade e a valorização estética e social dos espaços urbanos. As espécies utilizadas em arborização urbana apresentam origens biogeográficas muito diversificadas, refletindo histórias evolutivas associadas a diferentes regimes climáticos. Estas diferenças traduzem-se em distintos níveis de plasticidade ecológica, influenciando a capacidade de resposta a fenómenos extremos como secas prolongadas, ondas de calor, geadas ou precipitações intensas. Entre os indicadores utilizados para caracterizar essas condições encontra-se a hardiness zone, definida pela USDA Agricultural Research Service com base na média das temperaturas mínimas extremas anuais observadas ao longo de um período de referência de 30 anos. Embora concebida para avaliar a resistência ao frio, esta classificação constitui também um indicador indireto das condições climáticas às quais as espécies estiveram historicamente sujeitas. Este trabalho analisa a composição específica do arvoredo de arruamento da cidade de Lisboa, relacionando a origem biogeográfica das espécies mais representativas com as respetivas hardiness zones de proveniência. Foram identificadas espécies oriundas de diferentes regiões climáticas do mundo, abrangendo predominantemente zonas de rusticidade entre 7 e 11, enquanto Lisboa se situa aproximadamente numa zona equivalente a 10a. A partir desta caracterização é explorada a heterogeneidade das proveniências das espécies e discutida a sua potencial relevância para a adaptação da floresta urbana a cenários de crescente incerteza climática. Em suma, para além da diversidade de espécies, a diversidade de proveniências representa também uma diversidade de histórias evolutivas e adaptações climáticas. A sua relação com a resiliência da floresta urbana constitui uma perspetiva que merece ser explorada e aprofundada, contribuindo para fundamentar futuras estratégias de gestão do arvoredo urbano. | |