Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 13b - Baldios em transformação: dinâmicas institucionais e modelos de gestão Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Pedro Gomes Moderação/coordenação de sessão: André Chaves Moderação/coordenação de sessão: Iryna Skulska Kolos | |
| Apresentação 3 | |
Da dominância dos matos à diversificação da paisagem: dez anos de gestão adaptativa no Baldio de Carvalhais 1: MONTIS - Associação para a Gestão e Conservação da Natureza; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa O abandono rural e o declínio dos usos tradicionais do território têm contribuído para a acumulação de combustíveis, homogeneização da paisagem e aumento do risco de incêndio em muitas áreas de montanha de Portugal. Estes processos são particularmente evidentes nos baldios, onde a redução do pastoreio e a diminuição do interesse económico conduzem frequentemente à expansão de matos densos e à recorrência de incêndios de elevada severidade. Este trabalho apresenta os resultados de dez anos de gestão adaptativa (2015–2025) no Baldio de Carvalhais, um baldio com 100 ha localizado na Serra da Arada e integrado na Rede Natura 2000. Na sequência de um grande incêndio ocorrido em 2010, a área encontrava-se dominada por comunidades arbustivas densas, com uma presença reduzida e fragmentada de árvores autóctones. Desde 2015, a gestão é assegurada pela MONTIS – Associação para a Gestão e Conservação da Natureza, através de um protocolo estabelecido com a União de Freguesias de Carvalhais e Candal e o ICNF. A gestão foi orientada por objetivos de conservação da biodiversidade e implementada através de uma abordagem de gestão adaptativa, combinando fogo controlado, condução da regeneração natural, plantações, intervenções de engenharia natural, monitorização da biodiversidade e envolvimento de voluntários e entidades locais. O fogo controlado foi aplicado em aproximadamente 44 ha (quase metade da área gerida), distribuídos por três parcelas, cada uma intervencionada duas vezes. Foram igualmente plantadas aproximadamente 35 000 árvores e arbustos autóctones para complementar a regeneração natural, bem como realizadas diversas intervenções destinadas a melhorar as condições edáficas e hidrológicas. A avaliação baseou-se nos Relatórios de Gestão e Plano de Ação (RGPA), produzidos anualmente, que compilam informação sobre as ações realizadas, os recursos mobilizados, os resultados obtidos e os registos de biodiversidade. A monitorização combinou observações de campo, fotoarmadilhagem, Bioblitzes e registos em plataformas de ciência cidadã, acumulando observações correspondentes a mais de 400 espécies. Ao longo da década observou-se uma transição gradual de uma paisagem dominada por matos homogéneos para um mosaico mais diversificado e estruturalmente complexo. A repetição do fogo controlado reduziu a continuidade dos combustíveis e facilitou intervenções subsequentes, enquanto a regeneração natural e as plantações aumentaram a representação de espécies lenhosas autóctones. Verificaram-se também melhorias na diversidade de habitats, na conectividade ecológica e nas condições para espécies de interesse para a conservação, incluindo o lobo-ibérico (Canis lupus signatus), sobretudo através da valorização dos habitats utilizados pelas suas presas. O projeto envolveu centenas de voluntários e contou com a participação de comunidades locais, organizações da sociedade civil e entidades públicas. O caso do Baldio de Carvalhais demonstra o potencial da gestão adaptativa de longo prazo para promover a biodiversidade, aumentar a resiliência da paisagem ao fogo e criar valor ecológico em territórios marginais. Os resultados sugerem que o sucesso destas abordagens depende não apenas das intervenções ecológicas implementadas, mas também da capacidade de mobilizar conhecimento, financiamento e participação social de forma continuada. | |