Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 13b - Baldios em transformação: dinâmicas institucionais e modelos de gestão Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Pedro Gomes Moderação/coordenação de sessão: André Chaves Moderação/coordenação de sessão: Iryna Skulska Kolos | |
| Apresentação 4 | |
Governança, ciência e gestão adaptativa na restauração da paisagem da Serra do Açor: um projeto distinguido com o Prémio Nacional da Paisagem 2025 1: Floresta Serra do Açor; 2: Escola Superior Agrária/Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal; 3: Grupo Jerónimo Martins; 4: Câmara Municipal de Arganil; 5: RCM2+ Centro de Investigação em Gestão de Activos e Engenharia de Sistemas; 6: Dep. Eng. Mecânica, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra; 7: Bosque Os incêndios rurais de 2017 evidenciaram a elevada vulnerabilidade das paisagens florestais do centro de Portugal, marcada por décadas de abandono rural, fragmentação fundiária, simplificação dos usos do solo, expansão de monoculturas florestais e acumulação de combustíveis. Na Serra do Açor, estes processos culminaram numa profunda degradação ecológica, económica e social da paisagem, reforçando a necessidade de desenvolver novas abordagens de gestão à escala territorial. O Projeto Floresta da Serra do Açor (FSA), distinguido com o Prémio Nacional da Paisagem 2025, constitui uma resposta integrada a este desafio, assumindo a restauração da paisagem florestal como um processo ecológico, técnico, social e institucional. Desenvolvido numa área de 2.500 ha, quase integralmente afetada pelos incêndios de 2017, o projeto resulta de uma plataforma colaborativa que integra nove comunidades de compartes reunidas na Associação Floresta Serra do Açor, a Câmara Municipal de Arganil, o Grupo Jerónimo Martins e a Escola Superior Agrária de Coimbra. Este modelo de governança articula liderança institucional, participação comunitária, financiamento privado de longo prazo e acompanhamento técnico-científico, criando condições para ultrapassar limitações frequentemente associadas às intervenções florestais convencionais. Do ponto de vista técnico, o FSA assenta num Plano de Gestão Florestal orientado para a adaptação das florestas às alterações climáticas, a redução da vulnerabilidade ao fogo, a recuperação da diversidade e a valorização económica e cultural da paisagem. A estratégia integra povoamentos mistos dominados por espécies autóctones, aproveitamento da regeneração natural, controlo de invasoras lenhosas, proteção de linhas de água e solos vulneráveis e instalação de corredores ecológicos. O projeto prevê a aplicação de 18 itinerários silvícolas distintos, adaptados às condições ecológicas locais e aos diferentes objetivos de gestão, promovendo uma floresta multifuncional, mais resiliente e diversificada. Um dos aspetos mais inovadores do FSA reside na adoção de uma abordagem de gestão adaptativa, operacionalizada através de um sistema de monitorização que integra a avaliação da execução física das intervenções, a avaliação anual de desempenho e a monitorização técnico-científica de longo prazo em parcelas permanentes. Esta infraestrutura permite avaliar a eficácia das intervenções, ajustar modelos de gestão e gerar conhecimento aplicado sobre restauração da paisagem. A integração do projeto na Agenda Mobilizadora transForm – Melhor Floresta reforçou esta dimensão, através da incorporação de tecnologias de deteção remota e inteligência artificial na monitorização dos povoamentos. Os resultados alcançados evidenciam o potencial do FSA como um laboratório vivo de restauração da paisagem florestal em territórios vulneráveis. Para além da recuperação ecológica em larga escala, o projeto contribuiu para consolidar uma entidade de gestão florestal de base comunitária, reforçar a ligação entre ciência e prática e reposicionar a paisagem como ativo estratégico para a resiliência climática, a conservação da biodiversidade, a economia rural e o desenvolvimento territorial sustentável. O reconhecimento atribuído pelo Prémio Nacional da Paisagem 2025 valorizou precisamente a escala territorial da intervenção, a robustez técnica da solução proposta, a qualidade da articulação institucional e o envolvimento das comunidades. | |