Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 2b - Floresta Urbana: conhecimento multifacetado para promover a resiliência Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Ana Luisa Soares Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte | |
| Apresentação 5 | |
O cadastro do arvoredo urbano como instrumento de suporte ao planeamento de cidades resilientes Municipio de Coimbra, Portugal Num momento em que as cidades enfrentam pressões crescentes e os efeitos das alterações climáticas se tornam cada vez mais evidentes, o arvoredo urbano ganha uma nova centralidade. Mais do que um elemento paisagístico, passa a ser reconhecido pelo conjunto de serviços de ecossistema que presta, e, sobretudo, pela necessidade de os conhecer, medir e valorizar de forma consistente. É neste enquadramento que surge o trabalho desenvolvido pelo Município de Coimbra, que representa uma transição clara de uma lógica tradicional de gestão para uma abordagem suportada em informação sistematizada e em evidência técnica. A implementação de um cadastro do arvoredo urbano, abrangendo cerca de 26.000 árvores em espaço público, constituiu um ponto de viragem decisivo. Este instrumento permitiu reunir informação estruturada sobre os exemplares – desde a sua localização e características dendrométricas até ao estado fitossanitário – criando uma base sólida para análises mais exigentes. A partir desta base, foi estabelecida uma colaboração com o Instituto Superior de Agronomia, através do Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves”, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o arvoredo urbano e os serviços que este assegura. O trabalho envolveu levantamento de campo, organização de informação georreferenciada e aplicação de métricas ecológicas que permitiram caracterizar não apenas a composição florística, mas também a estrutura e funcionamento do sistema arbóreo. A utilização de metodologias de referência internacional possibilitou avançar na quantificação de serviços de ecossistema essenciais, como a regulação térmica, a mitigação dos efeitos de ilha de calor, o sequestro de carbono, a melhoria da qualidade do ar, a regulação do ciclo da água e o suporte à biodiversidade. Em paralelo, a análise qualitativa evidenciou aspetos menos imediatos, mas igualmente determinantes: a diversidade de espécies, a distribuição espacial e a estrutura etária do arvoredo. Os resultados mostram com alguma clareza que não é apenas a presença de árvores que importa. A forma como estão distribuídas, a diversidade que apresentam e o seu estádio de desenvolvimento influenciam diretamente a capacidade de resposta do sistema urbano a perturbações. Áreas mais diversas revelam-se, de forma consistente, mais estáveis e menos vulneráveis, enquanto situações de maior homogeneidade introduzem fragilidades que importa reconhecer. Para além da sua utilidade no planeamento, esta abordagem tem ainda uma dimensão que importa sublinhar: a sua capacidade de apoiar o diálogo com a comunidade. A disponibilização de informação objetiva e quantificada sobre os benefícios do arvoredo contribui para uma maior transparência na ação pública e cria condições para uma participação mais informada dos cidadãos. Num contexto em que se procura envolver a sociedade nas decisões sobre o território, esta dimensão revela-se particularmente relevante. Em síntese, a experiência de Coimbra mostra que a quantificação e qualificação dos serviços de ecossistema não são apenas exercícios técnicos. São ferramentas operacionais que permitem melhorar a decisão, orientar a ação e, ao mesmo tempo, aproximar a gestão urbana de uma lógica mais partilhada, consciente e resiliente. | |