Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 6 - Oportunidades e desafios da expansão florestal e renaturalização da paisagem pós-abandono agrícola Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Lien Imbrechts Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo | |
| Apresentação 1 | |
Capacidade de transição florestal de terras abandonadas no interior mediterrânico de Portugal após 30 a 50+ anos de restauro passivo 1: CIMO, LA SusTEC, Universidade Politécnica de Bragança, Portugal; 2: IVM, VU Amsterdam, the Netherlands; 3: Södertörn University Em sistemas socioecológicos, como as paisagens de muitas regiões interiores e montanhosas da Península Ibérica, verificaram-se alterações significativas ao longo das últimas décadas devido ao abandono agrícola. Embora o abandono possa aliviar as pressões sobre os recursos naturais, introduz incerteza quanto às trajetórias futuras destes sistemas moldados pela atividade humana durante milénios. Políticas europeias em curso, como a Lei Europeia do Restauro da Natureza (Regulamento 2024/1991), apontam as zonas rurais em avançado despovoamento como locais disponíveis para o restauro ecológico passivo. A regeneração natural tem o potencial para ser uma forma económica de conservar a biodiversidade e aumentar a oferta de serviços de ecossistema (por exemplo a regulação da atmosfera através do sequestro de carbono, ou a regulação de riscos hidrológicos). No entanto, as evidências empíricas que suportam o restauro passivo como uma via de transição florestal viável em paisagens mediterrânicas permanecem limitadas. As condições climáticas extremas sentidas atualmente e esperadas para o futuro, que incluem períodos prolongados com temperaturas altas e precipitação nula, aumentam a probabilidade de ocorrência de incêndios florestais de elevada magnitude e severidade. O restauro passivo enfrenta, na região Mediterrânica, desafios adicionais como o esgotamento do banco de sementes, as invasões biológicas ou a degradação do solo. Neste trabalho, com o intuito de aprofundar o conhecimento sobre a dinâmica do uso e ocupação do solo num contexto de abandono agrícola, avaliámos a expansão das áreas de floresta espontânea e a condição dos ecossistemas em áreas abandonadas na região de Terras de Trás-os-Montes, no nordeste de Portugal. Partindo de dados de uso e ocupação do solo de 1975/78 a 2025, verificamos que 61.2% das áreas que já eram matos em 1975/78, ou que se transformaram em matos entre 1975/78 e 1995, continuavam classificadas como matos em 2023. Além disso, 14% destas áreas chegaram a ser classificadas recentemente como floresta de azinheiras, carvalhos ou outras folhosas, ou seja, ocorreu transição florestal. O estudo foi conduzido num conjunto de áreas selecionadas de acordo com um sistema de amostragem tomando em conta (1) o tipo de vegetação em 2023 segundo a Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS), diferenciando entre Matos, Florestas de azinheira ou outros carvalhos e Florestas de outras folhosas, (2) o clima regional, classificado em três categorias, e (3) a cobertura de Matos em 1975-78 ou ocorrência de abandono entre 1975/78 e 1995. Nas áreas selecionadas estabelecemos parcelas de amostragem circulares de 707m2 onde avaliámos a composição florística e a estrutura dos ecossistemas espontâneos emergentes. Complementamos essa informação com dados LiDAR obtidos em 2024 disponibilizados pela Direção-Geral do Território. Os resultados preliminares deste estudo, ainda em curso, serão analisados e testados no quadro do conceito de restauro passivo como via de transição florestal usando as métricas definidas na Lei do Restauro da Natureza. Serão ainda discutidas abordagens de gestão diferenciadas dos ecossistemas em áreas abandonadas no sentido de contribuir para a transformação da paisagem que corresponda às expetativas e necessidades da região, do país e da Europa. | |