Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 5a - Produtos Florestais Não Lenhosos: uma oportunidade para os proprietários florestais Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Margarida Tomé Moderação/coordenação de sessão: Tiago Ferreira Lima | |
| Apresentação 3 | |
Modelação da produção de árvore individual de seiva de Bétula e de Ácer em Portugal: Dois anos de trabalho de campo após publicação do capítulo 1: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 2: Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves” (CEABN), InBIO, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 3: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal Ao longo das últimas décadas, a Silvicultura em Portugal tem evoluído imenso em eficiência e escala para produção de madeira e fibra de papel, sobretudo de pinho e de eucalipto. No entanto, as florestas de montanha continuam subaproveitadas. A ocorrência de condicionantes como o Regime Florestal, Reserva Ecológica Nacional e Áreas Protegidas limita a exploração intensiva ou a alteração de usos do solo, reduzindo as opções de rendimento . A escassez de rentabilidade tem provocado abandono rural, o que agrava o risco de incêndio da paisagem. Por outro lado, existem espécies endógenas mais bem-adaptadas que têm sido pouco exploradas. Por estas razões, urge encontrar alternativas para aumentar a rentabilidade das explorações em montanha, e que respeitem as condicionantes presentes. O vidoeiro (Betula pubescens) e o padreiro (Acer pseudoplatanus) são duas espécies nativas de altitude muito valorizadas internacionalmente, tanto pela madeira como pela seiva. A seiva é uma substância aquosa extraída das árvores após o inverno, cobiçada para fins alimentares (p.ex. xarope de ácer ou seiva de betula), medicinais, cosméticos, etc. Sem antecedentes na literatura para o Mediterrâneo, o capítulo da Seiva (no livro “Os Produtos Florestais Não Lenhosos”, a lançar oficialmente neste simpósio) reportou o primeiro caso de estudo de produção de seiva (de bétula, no Gerês), e traçou uma avaliação geográfica preliminar das regiões nacionais com maior potencial produtivo para cada uma das duas espécies nativas, tendo por base os seus habitats naturais em Portugal (segundo Diretiva Habitats) bem como as condições climáticas reportadamente necessárias para ocorrer a produção de seiva. Ao cruzar as condições bioclimáticas (para ocorrência das duas espécies) com a ocorrência regular de neve, são realçadas zonas potenciais para a produção de seiva, p.ex. Serras do Gerês, Barroso, Montesinho e Estrela. Restava testar no terreno como as espécies responderiam em diferentes regiões do território. Dois anos depois da sua publicação, e no âmbito de uma tese de doutoramento, foram reunidos dados de produção de seiva ao nível da árvore individual de duas campanhas sucessivas em três povoamentos adultos de cada espécie (seis ao todo) localizados nas regiões de Corno de Bico, Serra do Gerês e Serra da Estrela. Cruzando os dados de produção com extensos dados de inventário nas correspondentes parcelas, foram desenvolvidos modelos de produção da seiva da árvore individual, os quais serão apresentados e discutidos, comparando com as predições iniciais do capítulo. Apesar de preliminares – aguarda-se dados da campanha de 2027 -, podemos adiantar o seguinte: i) padreiro apenas produziu na Serra da Estrela, confirmando a necessidade de ocorrência de neve; ii) principal factor preditor é a altura total da árvore; ii) bidoeiros produziram 4,8 vezes mais seiva que os padreiros, com uma média de 23,5 litros de seiva entre parcelas em 2025 e 2026. Apesar de várias limitações, como a grande irregularidade dos povoamentos (mistos, não ordenados, multi-equénios), motivada pelas restrições ambientais das áreas protegidas de cada parcela, os resultados preliminares são otimistas para uma futura fileira em Portugal. É justamente nestas situações sob restrições a outros usos do solo que o potencial dos Produtos Florestais Não Lenhosos é maior. | |