Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 2c - Floresta Urbana: conhecimento multifacetado para promover a resiliência Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte Moderação/coordenação de sessão: Ana Luisa Soares Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes | |
| Apresentação 3 | |
Fungos de podridão do lenho como indicadores de risco e resiliência na floresta urbana: evidência de longo prazo na cidade de Lisboa 1: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Associated Laboratory TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal; 2: Laboratório de Patologia Vegetal “Veríssimo de Almeida”, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal; 3: Departamento de Estrutura Verde, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal A estabilidade das árvores urbanas é frequentemente assumida, mas raramente questionada até ao momento da rutura. Em contexto urbano, marcado pelo envelhecimento do arvoredo e por stress ambiental crescente, os fungos de podridão do lenho emergem como um dos principais fatores de perda de estabilidade mecânica, assumindo um papel determinante como indicadores de risco e do funcionamento da floresta urbana em contexto de stress. Embora sejam elementos estruturantes das cidades contemporâneas, as árvores urbanas estão expostas a stress ambiental e a condições antrópicas cumulativas, que as predispõem à ação de agentes patogénicos. Entre estes, destacam-se os fungos basidiomicetas associados à podridão do lenho, cuja presença pode comprometer a integridade estrutural e aumentar o risco de rutura. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o papel destes fungos como indicadores de risco e apoiar o desenvolvimento de estratégias de gestão preventivas e orientadas para a resiliência da floresta urbana. O trabalho baseia-se na análise de dados recolhidos de forma continuada desde 2002 na cidade de Lisboa, permitindo integrar uma perspetiva temporal consistente. Ao longo deste período foram analisadas cerca de 1500 amostras, incluindo basidiomas e lenho degradado, recolhidas de forma sistemática, tendo-se procedido ao isolamento e identificação dos fungos com base em características morfológicas, culturais e moleculares. Entre os principais agentes detetados destacam-se Inonotus rickii, Ganoderma adspersum e G. resinaceum, cuja ocorrência se revelou persistente ao longo do tempo. A análise filogenética evidenciou reduzida variabilidade genética intraespecífica nas populações analisadas. As árvores amostradas foram sujeitas a avaliação visual de risco (Visual Tree Assessment – VTA), complementada, em alguns casos, por análise instrumental com resistógrafo e/ou tomógrafo de impulso. Esta abordagem permitiu relacionar a presença dos fungos com padrões de perda de estabilidade estrutural. Os resultados demonstram um impacto significativo na estabilidade mecânica das árvores hospedeiras, em particular em Celtis australis, Tilia spp. e Populus spp., onde se observam padrões recorrentes de rutura de ramos ou redução da estabilidade mecânica do tronco. A evolução temporal da incidência sugere a influência de fatores como a idade do arvoredo, condições ambientais e práticas de gestão. A análise da distribuição espacial dos fungos, considerando conjuntamente as espécies hospedeiras e a tipologia dos espaços verdes, permitiu identificar áreas de maior vulnerabilidade, evidenciando que a ocorrência de podridões do lenho não é aleatória, mas reflete padrões de stress e condições específicas do ecossistema urbano. Com base nos resultados, propõe-se um conjunto de estratégias de gestão que integra a monitorização do estado fitossanitário, a melhoria das condições edáficas, o uso de métodos de proteção biológica e a diversificação da composição específica do coberto arbóreo. Tais diretrizes visam reduzir o risco de rutura e reforçar a capacidade adaptativa do sistema arbóreo urbano. No seu conjunto, o estudo evidencia que os fungos de podridão devem ser entendidos não apenas como agentes de degradação, mas também como indicadores do estado funcional da floresta urbana, contribuindo para cidades mais seguras e sustentáveis, através de uma gestão do arvoredo assente na compreensão integrada dos processos ecológicos e estruturais que determinam a sua estabilidade. | |