Programa da conferência
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Vista diária |
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T1.1 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Pedro Bingre do Amaral | |
| Apresentação 1 | |
A engenharia florestal e as consequências da padronização espécie-densidade no ordenamento florestal Conselho Nacional Especialidade de Engenharia Florestal - Ordem dos Engenheiros A gestão do espaço florestal em Portugal enfrenta uma crise silenciosa que ameaça a sustentabilidade do território: a crescente vulgarização das opções silvícolas através do apoio normativo e financeiro ao binómio rígido de "uma espécie, uma densidade". Este trabalho propõe uma discussão crítica sobre a relevância deste tema, focando-se nas consequências diretas da diminuição da importância da engenharia florestal no ordenamento do território, e nos prejuízos que daí decorrem para os proprietários, para o património florestal e para o cumprimento das metas da conta nacional de carbono. O declínio da relevância da engenharia florestal manifesta-se quando as diretrizes de planeamento se transformam em matrizes burocráticas de aplicação quase automática. Ao condicionar os incentivos e as aprovações de projetos a pacotes tecnológicos predefinidos, o sistema abdica do diagnóstico minucioso da estação e da prescrição personalizada. O engenheiro florestal deixa de atuar como um gestor adaptativo e decisor técnico para ser remetido a um papel de mero executor de formulários administrativos. Este esvaziamento da autonomia intelectual e técnica da profissão impede a aplicação de soluções complexas que a ciência florestal preconiza, como a silvicultura próxima da natureza, a gestão de estruturas irregulares ou a introdução de modelos multiespécies. As consequências desta menorização técnica refletem-se imediatamente nos proprietários florestais. Privados de um aconselhamento de engenharia verdadeiramente adaptado à realidade biofísica e socioeconómica da sua propriedade, os produtores são empurrados para soluções homogéneas de alto risco. A rigidez do binómio espécie-densidade traduz-se frequentemente em perdas financeiras por via de custos de instalação desadequados ou pela quebra de rendimento face à vulnerabilidade dos povoamentos a pragas, doenças e incêndios rurais. Por fim, o recuo do critério da engenharia florestal gera um impacto severo no património florestal nacional e compromete as obrigações internacionais do Estado. A simplificação estrutural da floresta reduz de forma drástica a resiliência da paisagem. Num contexto de emergência climática, em que o país é obrigado a apresentar "prova" e rigor na contabilidade do balanço nacional de carbono, a ausência de uma engenharia florestal forte e interventiva torna-se um passivo ambiental. Povoamentos desenhados por matrizes administrativas e desprovidos de condução técnica contínua estão mais expostos à degradação e a incêndios severos, transformando potenciais sumidouros em fontes massivas de emissões de gases de efeito de estufa. Conclui-se que o 10º Congresso Florestal Nacional é o espaço crucial para debater a inversão desta rota. Urge restaurar a centralidade e a autoridade científica da engenharia florestal nas políticas públicas, substituindo o facilitismo da receita standard por modelos flexíveis e dinâmicos de decisão, essenciais para garantir o futuro económico e ambiental da floresta portuguesa. | |