Programa da conferência
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Vista diária |
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T1.1 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Pedro Bingre do Amaral | |
| Apresentação 5 | |
Efeitos dos ungulados silvestres no funcionamento dos ecossistemas: carbono, água e fogo Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN-InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal Os ungulados silvestres, cujas populações se estão a expandir nas suas áreas de distribuição geográfica, podem afectar a composição específica, a produtividade e a estrutura das comunidades vegetais e, deste modo, afectar as propriedades e o funcionamento dos ecossistemas. Neste trabalho, sintetizo trabalhos do meu grupo de investigação sobre os efeitos de uma população de cervídeos (veado Cervus elaphus e gamo Dama dama) no armazenamento de carbono, perigosidade de incêndio e ciclo da água em um montado misto de sobreiro (Quercus suber) e azinheira (Q. rotundifolia) localizado no Sul de Portugal. No trabalho são utilizados dados de longo-termo de uma experiência de exclusão de pastoreio para comparar parcelas vedadas, onde se fez exclusão de cervídeos durante 7, 12 e 20 anos, com parcelas controlo onde estes animais mantiveram as suas actividades de pastoreio e ramoneio. A exclusão dos cervídeos provocou alterações significativas nas propriedades do ecossistema, com efeitos na composição específica e estrutura das comunidades vegetais. Através da redução do coberto arbustivo, os cervídeos diminuíram significativamente o armazenamento de carbono acima do solo e, simultaneamente, contribuíram para mitigar a perigosidade de incêndio. Estes efeitos foram, no entanto, contrariados por efeitos negativos na regeneração arbórea. Através do pisoteio e da redução do coberto arbustivo, os cervídeos alteraram significativamente as taxas de infiltração da água no solo, com efeitos que variaram em função do tempo de exclusão de pastoreio. Os resultados evidenciam que os ungulados silvestres podem modificar o funcionamento dos ecossistemas, pelo que a gestão das populações destes animais deve considerar os efeitos múltiplos sobre os ecossistemas, os quais podem envolver conflitos entre objectivos de gestão e serviços dos ecossistemas. | |