Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 1 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 37 | |
Aplicação de biochar e crescimento inicial do sobreiro: efeitos benéficos maximizados sob secura extrema 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P., Oeiras, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal Os montados de sobro (Quercus suber L.) são sistemas agroflorestais de elevada relevância ecológica e socioeconómica. No entanto, a regeneração natural, e consequentemente a sustentabilidade dos montados, tem sido crescentemente comprometida pela intensificação das secas e pela baixa fertilidade e capacidade de retenção de água dos solos. A limitação hídrica no primeiro verão após a germinação constitui um constrangimento crítico ao estabelecimento dos sobreiros, tornando prioritária a melhoria das propriedades do solo. Neste contexto, a aplicação de biochar, um composto rico em carbono obtido por pirólise, destaca‑se como abordagem promissora pela sua capacidade de melhorar a estrutura, porosidade, retenção de água, disponibilidade de nutrientes e atividade microbiana do solo. Este estudo avaliou os efeitos de diferentes níveis de biochar e de disponibilidade hídrica no desenvolvimento inicial de sobreiros e nas propriedades químicas de um solo franco‑arenoso. O ensaio, decorreu em estufa (abril de 2023 a março de 2024) seguindo um delineamento fatorial 3×3 com três níveis de biochar (0%, 9% e 18% w/w, B0, B1 e B2, respetivamente) e de humidade do solo (40%, 15% e 2,5% da capacidade de campo, CC), e seis repetições por tratamento. Avaliaram-se parâmetros morfológicos (altura (A), diâmetro do colo (D)), fisiológicos (evapotranspiração (ET), potencial hídrico foliar (Ψl), condutância estomática (gs)), padrões de alocação de biomassa (folhas, caules, raízes), área foliar (AF) e superfície radicular, bem como índices funcionais derivados, incluindo a razão raiz/parte aérea e a área foliar específica. O crescimento das plantas respondeu de forma consistente aos níveis de biochar e de humidade do solo: A, D, AF e biomassa total aumentaram significativamente com maior disponibilidade hídrica e com maior nível de biochar. Sob forte limitação hídrica (2,5%CC), a aplicação de biochar (B2) permitiu alcançar valores de biomassa total comparáveis aos obtidos em condições ótimas de humidade (40%CC, B0). Observou-se, ainda, uma tendência para maior investimento em biomassa radicular com a aplicação de biochar, particularmente evidente em B2 sob 2,5%CC, sugerindo melhoria da aquisição de recursos em condições de stress. As respostas fisiológicas refletiram uma forte dependência da humidade do solo, com estado hídrico mais favorável nos tratamentos com maior disponibilidade hídrica. Contudo, sob 2,5%CC, a aplicação de biochar promoveu maior abertura estomática e ampliou a diferença entre o potencial hídrico foliar máximo e mínimo, indicando maior capacidade para manter o fluxo transpiratório e, consequentemente, favorecer a assimilação de carbono. A aplicação de biochar induziu alterações significativas nas propriedades químicas do solo, aumentando o pH, o carbono orgânico, a matéria orgânica, o potássio, o magnésio e o azoto total, evidenciando uma melhoria global da fertilidade e da capacidade de retenção de nutrientes. Para cada nível de CC, o biochar aumentou significativamente o teor volumétrico de água no solo, reforçando o seu papel na melhoria das condições edáficas. Em síntese, os resultados demonstram que a aplicação de biochar constitui uma estratégia eficaz para melhorar o crescimento inicial e a resiliência hídrica de sobreiros jovens, enquanto melhora a qualidade do solo. Esta abordagem representa um contributo relevante para o desenvolvimento de práticas de gestão adaptativas em montados sob cenários de crescente variabilidade climática. | |