Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | |
|
Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 32 | |
Da Irrigação à Resiliência: Respostas Fisiológicas e Estruturais de Tipuana tipu em Ambiente Urbano Mediterrânico - Evidência a Partir de Lisboa 1: Environmental Research Institute from the State of São Paulo, São Paulo, Brazil; 2: Center of Nuclear Energy in Agriculture, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 3: Department of Agriculture and Forest Sciences, University of Tuscia, Viterbo, Italy; 4: Higher School of Agriculture Luiz de Queiroz, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 5: Institute of Geosciences, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 6: United States Department of Agriculture Forest Service, Pacific Southwest Research Station, Riverside, CA, United States; 7: Center for Ecological Research and Forestry Applications (CREAF), Bellaterra, Barcelona, Spain; 8: Lamont-Doherty Earth Observatory of Columbia University, Palisades, NY 10964, United States; 9: Laboratório de Patologia Vegetal 'Veríssimo de Almeida', Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 10: Departamento de Estrutura Verde, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal; 11: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal As florestas urbanas assumem um papel central na adaptação das cidades às alterações climáticas, sobretudo em regiões mediterrânicas, onde o aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, como ondas de calor e secas, tem vindo a comprometer a sobrevivência e o desempenho das árvores. A irrigação tem sido progressivamente adotada como estratégia de gestão, embora persistam incertezas quanto aos seus efeitos a médio e longo prazo, em particular no que respeita a um possível compromisso entre crescimento e estabilidade mecânica. Neste contexto, o presente estudo avalia a resposta de árvores adultas de Tipuana tipu, espécie reconhecida pela sua tolerância à seca e amplamente utilizada em meio urbano, a seis anos de irrigação, na cidade de Lisboa. A abordagem segue uma perspetiva dendroecológica multiproxy, integrando a análise da largura dos anéis de crescimento, da densidade da madeira e de isótopos estáveis de carbono e oxigénio, o que permite caracterizar, em simultâneo, respostas estruturais e fisiológicas. Foram consideradas árvores sob regime de precipitação natural e árvores sujeitas a irrigação automática, em condições edafoclimáticas comparáveis. Os resultados evidenciam um aumento significativo da taxa de crescimento nas árvores irrigadas, acompanhado por alterações na condutância estomática e por uma maior assimilação de carbono. De forma menos expectável, não se observaram diferenças relevantes na densidade da madeira, sugerindo que o incremento de crescimento não se traduziu numa perda de integridade estrutural. Este conjunto de resultados coloca em causa o pressuposto, frequentemente referido, de um trade-off entre crescimento e qualidade da madeira, em contexto urbano. No caso de Tipuana tipu, a irrigação parece favorecer simultaneamente o desempenho fisiológico e a estabilidade mecânica. Esta combinação de atributos contribui para a manutenção, ou mesmo reforço, dos serviços de ecossistema, como o sequestro de carbono e o arrefecimento urbano, sem evidência de aumento do risco de rutura estrutural ou de maior vulnerabilidade a agentes bióticos. Do ponto de vista aplicado, o estudo fornece suporte científico relevante para a gestão da floresta urbana, indicando que sistemas de irrigação corretamente dimensionados e eficientes podem constituir uma estratégia eficaz para reforçar a resiliência das cidades. Estes resultados são particularmente relevantes para espécies já consideradas tolerantes à seca, para as quais a irrigação pode representar não apenas um fator de sobrevivência, mas também de otimização funcional. | |