Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 1 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 28 | |
Avaliação do impacto da resinagem na qualidade tecnológica e aptidão estrutural da madeira de pinheiro-bravo 1: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 2: Centro de Pesquisa e Tecnologia em Ciências Agroambientais e Biológicas, CITAB, Inov4Agro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 3: Universidade Federal do Oeste do Pará, Brasil Historicamente, a extração de resina de pinheiro-bravo tem desempenhado uma atividade complementar importante para a economia rural. No entanto, a sua coexistência com a produção de madeira de qualidade sempre gerou debates e incertezas técnicas, levando, frequentemente, à sua desvalorização. Neste estudo pretende-se investigar se a resinagem altera as propriedades físicas, químicas, mecânicas e anatómicas da madeira e, consequentemente avaliar se essas alterações podem comprometer a sua qualidade e o seu valor comercial. O estudo baseou-se em amostras recolhidas em 20 árvores da região de Tresminas: 10 árvores submetidas a resinagem durante quatro anos, através do método tradicional, e 10 árvores não resinadas. As amostras foram retiradas de diferentes posições no tronco em relação ao local da incisão, tendo sido analisadas amostras do lado resinado e do lado oposto e de uma zona 50 cm acima da última incisão, de modo a verificar se os efeitos da extração eram sistémicos ou apenas localizados e comparados com amostras das árvores não resinadas. Os resultados demonstraram que a resinagem provoca algumas alterações, mas estas são predominantemente locais e não se verificam à totalidade do tronco. A densidade da madeira no lado da incisão revelou-se significativamente superior (0,596 g.cm⁻³) em comparação com o lado oposto e com as árvores não resinadas. Este fenómeno deve-se ao aumento drástico no teor de extrativos na zona da incisão, que atingiu um valor total de 7,49%. Esta maior impregnação de resina pode ser benéfica para certos usos, tornando a madeira localmente mais resistente à biodegradação e menos higroscópica. A resinagem não compromete o desempenho mecânico da madeira. Os testes de flexão estática mostraram que não existem diferenças estatisticamente significativas no Módulo de Elasticidade (MOE) e no Módulo de Rutura (MOR) entre árvores resinadas e não resinadas demonstrando que a madeira mantém a sua viabilidade como material estrutural de alta qualidade. Ao nível anatómico, verificou-se que a resinagem estimula a formação de canais de resina. O número médio de canais de resina nos anéis de crescimento após a incisão subiu de 10,6 para 14,0, embora a área média de cada canal não tenha sofrido alterações significativas. No que toca ao crescimento radial, o estudo concluiu que a resinagem não afetou a largura dos anéis de crescimento. Isto sugere que o pinheiro-bravo consegue manter um equilíbrio funcional na alocação de carbono, garantindo o seu crescimento normal enquanto investe na produção de resina como mecanismo de defesa. O estudo conclui que a coprodução de resina e madeira é viável e não desvaloriza o produto final lenhoso. A resinagem apresenta-se como uma estratégia de gestão multifuncional que permite gerar receitas intermédias para os produtores e contribuir para o desenvolvimento socioeconómico das regiões rurais, sem sacrificar as propriedades tecnológicas que tornam o pinheiro-bravo um material de eleição para a indústria. Estudo no âmbito Projeto Integrado RN21 - Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, cofinanciado pelo Fundo Ambiental através da Componente 12 – Promoção da Bioeconomia Sustentável - Investimento TC-C12-i01 - Bioeconomia Sustentável. Este estudo foi financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no âmbito dos projetos UID/04033/2025 e LA/P/0126/2020 (https://doi.org/10.54499/LA/P/0126/2020). | |