Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 25 | |
A Microrreserva do Vale do Rio Cabrão como modelo municipal de conservação, restauro ecológico e gestão florestal multifuncional 1: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 2: CIBIO – Research Centre in Biodiversity and Genetic Resources, InBIO Associate Laboratory, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: Departamento de Biologia, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre s/n, 4169-007 Porto, Portugal; 4: Município de Estarreja, 3864-001 Estarreja, Portugal; 5: cE3c – Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, Faculty of Sciences, University of Lisbon, 1749-016 Lisboa, Portugal; 6: Associação Florestal do Baixo Vouga, 3850-109 Albergaria-a-Velha, Portugal; 7: CESAM – Centre for Environmental and Marine Studies, Department of Biology, University of Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal; 8: MHNC-UP - Herbário PO, Universidade do Porto, Portugal As microrreservas podem constituir instrumentos ágeis de conservação e restauro em paisagens florestais privadas, permitindo proteger valores naturais de pequena escala sem excluir a gestão produtiva envolvente. Neste contexto, a Microrreserva do Vale do Rio Cabrão constitui a primeira área integrada na futura Rede Municipal de Microrreservas do concelho de Estarreja, surgindo como um projeto-piloto de conservação da natureza, restauro ecológico e envolvimento comunitário. A sua criação resultou de uma parceria entre o Município de Estarreja, a União das Freguesias de Canelas e Fermelã, a Associação Florestal do Baixo Vouga, responsável pela gestão da propriedade, e a empresa Bondalti, que financia a implementação das ações previstas no plano de gestão. A área de intervenção localiza-se numa propriedade florestal com cerca de 12 ha, dos quais 8 ha foram classificados como microrreserva e 4 ha mantidos em produção de eucalipto. A delimitação da área protegida teve por base a salvaguarda das linhas de água, a valorização de habitats de elevado interesse ecológico e a integração de áreas de reduzida aptidão produtiva, demonstrando que é possível compatibilizar objetivos de produção florestal com a conservação da biodiversidade. Os trabalhos de caracterização ecológica identificaram mais de 160 espécies nativas, incluindo 80 espécies de fauna e 90 de flora vascular. A área alberga espécies protegidas pelas Diretivas Habitats e Aves, bem como vários elementos florísticos de relevo. Entre os valores mais relevantes encontram-se a salamandra-lusitânica, a lontra, o lagarto-d’água e várias espécies florísticas raras ou endémicas da Península Ibérica como Cheirolophus uliginosus, Anarrhinum longipedicellatum, Drosophyllum lusitanicum. O local alberga ainda habitats de elevado valor de conservação, incluindo galerias ripícolas, pequenas zonas húmidas e turfosas, charnecas secas e núcleos de carvalhal galaico-português dominados por Quercus orocantabrica. O plano de gestão integra um conjunto de ações de restauro ecológico orientadas para a recuperação da funcionalidade ecológica do vale, nomeadamente o controlo de espécies exóticas invasoras, incluindo Acacia melanoxylon e Acacia dealbata, a recuperação da galeria ripícola, a valorização de habitats húmidos e a reflorestação com espécies autóctones, privilegiando o carvalho-alvarinho (Quercus orocantabrica). Estas intervenções procuram recuperar funcionalidade ecológica do vale, reforçando a conectividade ripícola, a qualidade dos habitats húmidos, a resiliência ao fogo e a provisão de serviços de ecossistema. A componente participativa permitiu articular proprietários, autarquia, associações locais, comunidade científica e agentes económicos, transformando a microrreserva num laboratório vivo de governança, ensino, monitorização e sensibilização ambiental. A experiência deste projeto demonstra que pequenas áreas de elevado valor ecológico podem funcionar como unidades estratégicas de conservação e restauro em paisagens florestais produtivas, sobretudo quando integradas em modelos de gestão colaborativa entre proprietários, autarquias, associações locais, comunidade científica e agentes económicos. O projeto está a contribuir para a criação de um regulamento municipal dedicado às microrreservas e para a futura Rede Municipal de Microrreservas de Estarreja, configurando um modelo replicável de governança territorial, valorização da biodiversidade e gestão florestal multifuncional. | |