Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 4 - Espécies de plantas invasoras na floresta: desafios e oportunidades Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Hélia Marchante Moderação/coordenação de sessão: Duarte Costa | |
| Apresentação 1 | |
História e futuro da planta invasora acácia de espigas: efeitos do controlo biológico nas dunas portuguesas 1: CFE – Centro de Ecologia Funcional, Laboratório Associado TERRA, Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal; 3: Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal; 4: Departamento de Ciências Biológicas, Universidade da Cidade do Cabo, Rondebosch A acácia-de-espigas, Acacia longifolia (Andrews) Willd., é um arbusto/ pequena árvore australiana introduzida em Portugal no final do séc. XIX para a arborização e estabilização das dunas. A par com outras espécies de acácia introduzidas, tornou-se uma planta invasora com ampla distribuição no país, causando vários impactes negativos. O seu sucesso deve-se sobretudo à capacidade de produzir e acumular vastos bancos de sementes persistentes no solo por várias décadas. A gestão da invasão recorrendo a métodos de controlo convencionais, quer físicos quer químicos, para que seja eficaz, é muito exigente e dispendiosa. Em 2015, foi introduzida a vespa-galhadora australiana Trichilogaster acaciaelongifoliae (Froggatt) (Hymenoptera: Pteromalidae) como agente de controlo biológico, com o objetivo de reduzir o potencial reprodutivo desta planta invasora. Este trabalho avaliou o impacte de T. acaciaelongifoliae na produção de sementes de acácia-de-espigas e a sua acumulação no solo, em vários sistemas dunares do centro de Portugal. A produção de sementes foi quantificada ao longo de cinco a seis anos (2019-2024) com recurso a armadilhas de interceção, e o banco de sementes estimado com base em amostragem do solo e folhada. Os resultados mostram que a cobertura por galhas de T. acaciaelongifoliae aumentou significativamente ao longo do tempo, atingindo um “ponto de viragem” cinco anos após a libertação do agente, com uma redução de até 98.1% na produção de sementes em algumas áreas. O aumento do número de galhas induziu maior stress fisiológico nas plantas, levando a uma maior perda de filódios e, em casos extremos, à mortalidade da planta. Embora o banco de sementes total tenha continuado a aumentar entre 2015 e 2024, o seu reforço começou a estabilizar nos locais onde o agente de controlo biológico está estabelecido há pelo menos seis anos. Adicionalmente, verificou-se que o controlo mecânico e os incêndios contribuíram para a redução do banco de sementes, especialmente se combinados com o controlo biológico. Os resultados demonstram que T. acaciaelongifoliae é eficaz na redução do potencial reprodutivo da acácia-de-espigas e na desaceleração da acumulação de sementes no solo. A adoção de uma estratégia de controlo integrada, combinando controlo biológico e métodos de controlo convencionais, é a que produz melhores resultados e permite o restauro sustentável dos habitats costeiros portugueses. | |