Programa da conferência
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Vista diária |
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T1.3 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Nuno Almeida Ribeiro | |
| Apresentação 4 | |
Efeitos da plantação de espécies autóctones nas propriedades físicas do solo e no armazenamento de carbono na Reserva da Faia Brava, NE de Portugal 1: CIMO, LA SusTEC, Universidade Politécnica de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 2: Cordenação de Engenharia Ambiental (COEAM), Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Francisco Beltrão, 85601-970, Paraná, Brasil O solo constitui um sistema dinâmico e complexo, fundamental para a sustentação dos serviços ecossistémicos terrestres e para a regulação do ciclo global do carbono, representando o maior reservatório de carbono nos ecossistemas terrestres. A avaliação das suas propriedades físicas, químicas e biológicas é, por isso, indispensável para monitorizar o seu estado de conservação e antecipar trajetórias de degradação ou recuperação. O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da instalação de espécies arbóreas autóctones nas propriedades físico-hídricas do solo e no armazenamento de carbono orgânico na Reserva Natural Privada de Faia Brava, localizada no Nordeste de Portugal. A amostragem foi realizada em sete parcelas experimentais (P0, P1, P2, P3, P4, P6 e P7), sujeitas a plantação recente de espécies autóctones. Em cada parcela foram definidos aleatoriamente oito pontos de amostragem, distribuídos equitativamente entre a zona plantada (ZP) e o solo original não intervencionado (SO), utilizado como controlo. As amostras foram recolhidas em três profundidades: 0–5 cm, 5–10 cm e 10–20 cm. Em laboratório, foram determinados os seguintes indicadores: permeabilidade saturada, densidade aparente, porosidade total (macroporosidade e microporosidade), capacidade máxima para a água, capacidade de campo, estabilidade de agregados (frações de 0,25 mm e 0,40 mm) e carbono orgânico armazenado. Os resultados evidenciaram que a permeabilidade do solo se manteve superior a 25 cm h⁻¹ em ambas as situações (ZP e SO), correspondendo à classe de permeabilidade muito rápida, sem diferenças significativas entre tratamentos. A densidade aparente registou valores inferiores a 1,5 g cm⁻³ em ambos os casos, não indicando compactação relevante. Contudo, a porosidade total, a capacidade máxima para a água, a capacidade de campo e a estabilidade dos agregados da fração 0,25 mm apresentaram valores significativamente superiores no SO comparativamente à ZP, sugerindo que as operações de mobilização do solo associadas à plantação induziram uma deterioração da estrutura porosa e da coesão agregada. O armazenamento de carbono orgânico foi igualmente superior no solo original, o que evidencia o papel da perturbação mecânica do solo no estímulo à mineralização da matéria orgânica e na consequente libertação de CO₂ para a atmosfera. Os resultados obtidos indicam que, embora a plantação de espécies autóctones constitua uma estratégia de restauro ecológico com potencial a médio e longo prazo, as operações de preparação do terreno provocam, numa fase inicial, uma degradação temporária da qualidade física do solo e uma redução no seu potencial de sequestro de carbono. Estes dados sublinham a necessidade de adotar práticas de mobilização mínima do solo em projetos de reflorestação, de forma a mitigar os impactos negativos sobre as funções edáficas e o balanço de carbono nos ecossistemas restaurados. | |