Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 6 - Oportunidades e desafios da expansão florestal e renaturalização da paisagem pós-abandono agrícola Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Lien Imbrechts Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo | |
| Apresentação 5 | |
Da expansão do eucalipto aos novos ecossistemas florestais: abandono, fogo e desafios de gestão em Portugal 1: Instituto Politécnico de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra, Bencanta, 3045-601 Coimbra, Portugal; 2: CERNAS – Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade; 3: Centro de Ecologia Funcional, Universidade de Coimbra, 3000-456 Coimbra, Portugal A expansão de espécies arbóreas não nativas tem transformado as paisagens florestais europeias desde o século XIX. Em Portugal, este processo assumiu particular relevância com a Eucalyptus globulus, espécie cultivada para a fileira da pasta e do papel que se tornou dominante em vastas áreas do Centro e Norte do país. A expansão desta espécie foi rápida e profunda, passando de cerca de 60 mil hectares em 1961 para 965 mil hectares segundo a cartografia de 2023, maioritariamente em territórios com histórico de incêndios, forte fragmentação fundiária, predomínio de propriedade privada e despovoamento rural. Atualmente, verifica-se que muitos eucaliptais não são geridos, em parte devido ao abandono rural e à recorrência de incêndios. O abandono dos eucaliptais, associado à ocorrência de incêndios, tem promovido a formação de novos ecossistemas florestais dominados por eucalipto em Portugal. O conceito de novo ecossistema (novel ecosystem), abrange sistemas ecológicos cuja estrutura, composição e funcionamento deixam de depender da gestão humana e passam a ser conduzidos por dinâmicas naturais. Estes ecossistemas podem resultar do abandono de antigas plantações ou da expansão espontânea para áreas envolventes através de processos de naturalização e invasão. Em muitos casos, torna-se difícil determinar a origem destas manchas devido ao historial complexo de fogo, regeneração e corte, e à mistura com vegetação nativa. A ocorrência de incêndios favorece a regeneração do eucalipto, devido à sua elevada sobrevivência pós-incêndio, à libertação massiva de sementes no pós-fogo, originando por vezes denso recrutamento. A interação entre fogo, abandono dos terrenos e regeneração natural pode criar ciclos de retroalimentação: o incêndio promove o abandono, o abandono favorece a acumulação de combustível e a regeneração de eucalipto, aumentando a perigosidade de incêndio. A transição de plantações para novos ecossistemas dominados por eucalipto tem, por isso, consequências relevantes para a biodiversidade, os serviços dos ecossistemas e a gestão da paisagem e dos combustíveis. Apesar de poderem existir espécies nativas, estes sistemas tendem a ter baixo valor económico, elevada inflamabilidade, simplificação ecológica e reduzida capacidade de recuperação espontânea da vegetação autóctone. A presente comunicação tem como objetivo fazer uma revisão do conhecimento atual sobre estes novos ecossistemas florestais dominados por eucalipto, com particular ênfase nas florestas portuguesas - um exemplo crítico destas dinâmicas naturais, o que explica o crescimento da investigação científica nesta problemática. É discutido o processo de naturalização da espécie e de formação destes ecossistemas, tendo por base um modelo conceptual que integra os principais factores e processos associados, como o fogo, o abandono das plantações e a expansão natural da espécie. É discutida a importância de separar claramente as plantações industriais geridas, que têm um importante papel económico, relativamente aos ecossistemas resultantes do abandono, que exigem medidas específicas para a sua gestão. Por fim, são discutidas possíveis medidas para mitigar estas dinâmicas naturais e a degradação da paisagem, com destaque para o restauro das florestas nativas. A promoção da floresta nativa poderá assumir um papel de relevo, pelo seu efeito positivo na resistência à invasão, no melhoramento da regulação hidrológica e na conservação da biodiversidade, entre muitos outros benefícios. | |