Programa da conferência
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“Ao Viandante” – O curioso périplo de um poema inspirado pela Festa da Árvore de 1913 Localização: Auditório ISCAC Moderação/coordenação de sessão: José Gaspar | |
| Apresentação 1 | |
“Ao Viandante” – O inesperado périplo de um poema inspirado pela Festa da Árvore de 1913 CEGOT - Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Coimbra, Portugal Encontra-se junto de algumas árvores notáveis, em várias localidades portuguesas, um poema intitulado “Ao Viandante” ou “Oração da Árvore”, cuja autoria é atribuída a Albano Alberto de Mira Saraiva ou, alternativamente, a Alberto da Veiga Simões, nos casos em que não é omissa. Em treze versos singelos, a árvore dirige-se na primeira pessoa àquele que passa, suplicando que não lhe faça mal, pois oferece-lhe calor no inverno, sombra fresca no verão e frutos sumarentos. Dá-lhe o travejamento da sua casa, as tábuas da sua cama e da sua mesa e a porta da casa que habita; o cabo da enxada com que trabalha e o casco do barco em que navega; a madeira do seu berço e, enfim, o seu próprio caixão. Presença essencial na vida humana, do nascimento até à morte, a árvore é ainda “o pão da bondade e a flor da beleza”, merecedora do respeito do viandante. Circulam versões deste poema em vários países europeus, como a Alemanha (Gebet des Waldes, atribuído a R. Lohrmann), a Eslovénia (Molitva Šume, atribuído a Khalil Gibran), a Espanha (Al Pasajero, traduzido do português, mas de autor omisso), a França (Prière de la Forêt, de suposta origem espanhola) e o Reino Unido (To the Wayfarer, traduzido do português, de autor omisso). Uma versão deste poema foi apresentada na Exposição Internacional de Paris, em 1937, no pavilhão da Jugoslávia, à entrada da secção florestal, pelo que é mencionada por vezes a sua “antiga origem” jugoslava. Em 1954, a FAO publicou versões deste poema em francês e inglês, numa obra dedicada ao Dia da Árvore, atribuindo-lhe uma origem alemã. Mais recentemente, um artigo publicado na revista húngara Erdészeti Lapok, em 2008, procurou esclarecer a origem do poema, confrontando versões em várias línguas, mas sem fazer, porém, qualquer referência a uma possível origem portuguesa. Nesta comunicação procuramos demonstrar a origem deste conhecido poema, cujo autor inequívoco foi o inspetor escolar Albano Alberto de Mira Saraiva, então em funções em Arganil, por ocasião da Festa da Árvore de 9 de março de 1913, celebrada a nível nacional, como um dos grandes eventos cívicos da I República. O poema foi reproduzido em placas gravadas, destinadas a serem colocadas em árvores na berma das estradas, uma das quais, afortunadamente, foi conservada pelo Eng.º Silvicultor José Resina Rodrigues. Esta placa chegou aos nossos dias como testemunho singular de um movimento internacional, introduzido em Portugal no início do século XX, que fomentou um sentimento popular favorável à árvore, através de plantações festivas e ritualizadas, com as crianças das escolas primárias. Seria este o poema escolhido para o cartaz do Dia da Árvore, em 1970, que assinalou o recomeço oficial desta comemoração em Portugal. A sua difusão internacional, apesar dos equívocos quanto à origem e ao autor, é um fenómeno que tem conhecido um novo fôlego, através das redes sociais de comunicação à distância. | |