Programa da conferência
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Vista diária |
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T2.3 - Os desafios Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço | |
| Apresentação 5 | |
Duas décadas de monitorização do teor de humidade dos combustíveis finos na Lousã (Portugal) ADAI - Universidade de Coimbra, Portugal O teor de humidade dos combustíveis finos (THC) é um dos principais fatores que condicionam a ignição, a propagação e a área ardida dos incêndios em ecossistemas mediterrânicos. Embora diversos estudos tenham caracterizado a dinâmica do THC à escala de eventos ou sazonal, as séries temporais de medições de campo de longa duração permanecem raras. Na Lousã, decorre desde 1987 um programa de amostragem do THC, constituindo uma das mais longas séries deste tipo na região mediterrânica. Apesar de realizadas num único local, as medições são representativas de uma vasta área da Região Centro, permitindo a sua utilização na análise da atividade de incêndios à escala regional. O presente estudo analisa o período 2000-2025, incluindo observações de THC morto e vivo em folhada de Pinus pinaster (PP) e Eucalyptus globulus (EG), nas espécies arbustivas dominantes Calluna vulgaris (L.) Hull e Pterospartum tridentatum (L.) Willk., bem como nos combustíveis das copas (folhas vivas de PP e de EG). A série temporal foi utilizada para caracterizar a variabilidade do THC, comparar os valores observados com os registados noutras regiões mediterrânicas, quantificar tendências de longo prazo, identificar os principais fatores climáticos condicionantes, avaliar os atuais níveis de perigo de incêndio e analisar a sua relação com a atividade de incêndios. A diminuição sazonal do THC dos combustíveis mortos está associada a períodos de maior atividade de incêndios. Diversos estudos identificaram valores de THC dos combustíveis mortos próximos de 10-12% (base seca) como indicativos de uma maior probabilidade de ocorrência de grandes incêndios, um padrão também observado na nossa base de dados. O THC dos combustíveis vivos apresenta uma dependência mais acentuada das condições hídricas acumuladas ao longo do tempo, refletindo a influência dos défices acumulados de humidade do solo e do estado fenológico, bem como das características ecofisiológicas específicas de cada espécie. O THC das espécies arbustivas apresenta uma variação sazonal bem definida e fortes relações com indicadores de seca, atingindo valores máximos na primavera (abril-maio) e diminuindo gradualmente ao longo do verão até aos valores mínimos observados em agosto. Em contraste, os combustíveis das copas evidenciaram respostas mais dispersas. A influência de eventos meteorológicos extremos na dinâmica do THC foi particularmente clara nos últimos anos, durante os quais se registaram valores mínimos históricos de THC. A título de exemplo, a 13 de agosto de 2025, data da ignição do incêndio do Piódão (Arganil), que viria a tornar-se o maior incêndio registado em Portugal em termos de área ardida (65 417 ha), o país encontrava-se sob condições severas de seca e atravessava uma onda de calor (29 de julho a 17 de agosto). Estas condições refletiram-se nos valores excecionalmente baixos de THC medidos na Lousã, onde a folhada de PP atingiu 5.27%, enquanto os arbustos (P. tridentatum) registaram um THC de 54.23%. Tendo em conta a intensificação dos eventos extremos, as observações de campo do THC continuam a ser essenciais para redefinir níveis de perigo de incêndio adaptados às condições regionais, validar métodos de deteção remota para estimativa do THC e aprofundar o conhecimento sobre os efeitos das alterações climáticas na dinâmica dos combustíveis florestais. A presente investigação foi desenvolvida no âmbito dos projetos ForestSphere (2025.01496.DT4ST) e Large Fires (COMPETE2030-FEDER-00878700). | |