Programa da conferência
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Vista diária |
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T2.3 - Os desafios Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço | |
| Apresentação 6 | |
Impactos do fogo e do coberto vegetal nas propriedades químicas de solos do Parque Natural do Alvão, Norte de Portugal 1: Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 2: CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 3: Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Pato Branco, Brasil Os incêndios florestais constituem uma perturbação recorrente nas regiões mediterrâneas, com impactos expressivos nas propriedades químicas dos solos de montanha. Estas alterações podem modificar a disponibilidade de nutrientes, a capacidade de troca catiónica e a toxicidade associada ao alumínio, o que condiciona a regeneração da vegetação após o fogo. O Parque Natural do Alvão (PNAL), no Norte de Portugal, tem sido frequentemente afetado por incêndios florestais de diversa severidade, o que o torna um cenário privilegiado para avaliar as consequências edáficas do fogo em ecossistemas sensíveis. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar o efeito do fogo e do tipo de cobertura vegetal nas propriedades químicas do solo, em diferentes profundidades, no PNAL. O estudo comparou quatro condições de ocupação e de perturbação do solo pelo fogo: pastagem herbácea de montanha (PM), urzal/tojal (UT), urzal (U) e áreas afetadas por incêndio florestal de severidade muito alta (IS), em delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições. As amostras de solo foram colhidas em três profundidades (0–5, 5–10 e 10–20 cm). Foram avaliados indicadores de fertilidade do solo, incluindo matéria orgânica, pH (H₂O e KCl), fósforo e potássio extraíveis, bases de troca (Ca, Mg, Na e K), capacidade de troca catiónica efetiva (CTCe), acidez de troca, alumínio de troca, boro e manganês. Os dados foram submetidos a testes de normalidade (Shapiro-Wilk) e, quando adequado, à análise de variância (ANOVA), com agrupamento de médias pelo teste de Scott-Knott (p ≤ 0,05), utilizando o pacote AgroR no software R. O tratamento UT apresentou, de forma geral, os maiores teores de matéria orgânica, CTCe, potássio, cálcio e manganês, sobretudo na camada superficial (0–5 cm), com diferenças significativas em relação aos restantes tratamentos, possivelmente associadas à deposição de cinzas e ao aumento da mineralização da matéria orgânica após o fogo. O pH variou de ácido a subácido em todos os tratamentos, sem diferenças estatisticamente significativas nas camadas mais profundas. O fósforo disponível apresentou os valores mais elevados no tratamento PM, o que pode estar relacionado com a maior atividade biológica associada à cobertura herbácea. Em todas as profundidades, a acidez de troca e o alumínio de troca mantiveram-se elevados, sugerindo potencial limitação ao desenvolvimento vegetal devido à elevada saturação em alumínio. Na camada 10–20 cm, os efeitos observados foram menos pronunciados, manifestando-se principalmente por alterações na distribuição dos nutrientes e na dinâmica do carbono orgânico. Os resultados demonstram que o fogo e o tipo de coberto vegetal influenciam significativamente os atributos químicos do solo, com efeitos mais evidentes nas camadas superficiais. A persistência de elevada acidez de troca e de alumínio sugere a necessidade de monitorização e, eventualmente, de implementar medidas de recuperação da fertilidade em áreas afetadas por incêndios florestais. Estes resultados fornecem informação relevante para apoiar estratégias de gestão pós-fogo e de conservação dos solos em ecossistemas florestais de montanha. | |