Programa da conferência
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Vista diária |
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T4.3 - A transformação Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: Hélder Viana | |
| Apresentação 4 | |
Gestão florestal em povoamentos de eucaliptal na região de Aveiro: fatores socioeconómicos 1: INIAV, Portugal; 2: ISA, Portugal; 3: Navigator, Portugal; 4: AFBV, Portugal A área florestal com povoamentos de eucalipto registou um crescimento elevado nas últimas décadas, em face da adesão dos proprietários florestais a esta espécie e à dinâmica da indústria do sector, mas enfrenta desafios importantes, como a redução de riscos, e o incremento da rentabilidade e da produção nacional de madeira. Para que seja possível introduzir mudanças no ordenamento e na gestão florestal é crucial conhecer melhor os proprietários florestais, muito em particular, os fundamentos das suas opções económicas. Neste sentido, realizou-se um estudo sobre as práticas de gestão de povoamentos de eucalipto na região de Aveiro, que teve como principal fonte de informação um inquérito por questionário, presencial, a 193 proprietários florestais privados não industriais. O questionário integrou questões sobre o proprietário e a propriedade, a gestão e a economia florestal (as práticas e fundamentos da sua decisão, a relação com o mercado, entre outras. Os proprietários inquiridos são mais jovens e escolarizados do que a média dos agricultores da região, são economicamente ativos, tendem a residir no concelho onde se localizam os seus principais povoamentos florestais e a usufruir de um rendimento familiar em que a componente florestal tem um peso significativo, apesar da ocorrência de incêndios florestais (nos últimos 10/12 anos, quase três quartos dos proprietários tiveram incêndios na sua propriedade florestal, e a maioria destes tiveram mais do que um incêndio). Predominam os prédios de pequena dimensão, ocupados com povoamentos de eucalipto recentes, com certificação da gestão florestal, e geridos diretamente pelo proprietário. Há um acompanhamento frequente dos povoamentos florestais, com cerca de três quartos a visitá-los com uma periodicidade inferior a seis meses. Na plantação, a opção por plantas clonais e compassos apertados são escolha de muito dos proprietários. As operações de preparação do terreno, plantação com adubação de fundo, limpezas de mato, seleção manual de varas e as adubações são frequentes, e revelam uma gestão ativa da floresta. Os próprios proprietários realizam uma ou mais limpezas de mato por rotação, com equipamento motomanual, a seleção manual de duas a três varas por toiça, sem intenção de alterar o número de varas e duas adubações por rotação, para o que se aconselham junto dos técnicos florestais, sem análises ao solo. A madeira é vendida em pé, por um valor global ou à unidade, no segundo caso sem garantia de valor mínimo, com pagamentos no final do corte. A venda da madeira através da associação acontece por haver maior confiança nesta entidade. Uma curta maioria considera que ganha dinheiro com o eucalipto, mas sem qualquer registo contabilístico. Cerca de dois terços dos proprietários que se pronunciaram tencionam replantar os povoamentos que têm em 3.ª rotação ou mais. Os proprietários querem aceder a informação sobre as melhores práticas sílvicolas e os preços da madeira, de preferência transmitida pessoalmente, por técnicos da associação. Conclui-se que, neste território, há uma gestão ativa dos povoamentos de eucalipto e uma dinâmica económica que incentiva a continuidade. Apesar desta dinâmica positiva, persiste a necessidade de responder aos desafios do mercado da madeira, de uma maior capacitação dos proprietários florestais e, em especial, a necessidade de incrementar o rendimento da atividade florestal. | |