Programa da conferência
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Vista diária |
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T2.5 - Os desafios Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: M. Alice Pinto | |
| Apresentação 3 | |
Infestantes do montado e do sobreiral: casos de estudo em Cambissolos e Leptossolos 1: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora.; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais; MED - Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento; 3: INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária I.P., Quinta do Marquês, Av. da República, Oeiras 2780-159, Portugal.; 4: DISA/NEV – Divisão de Infraestruturas Segurança e Ambiente/Núcleo de Espaços Verdes, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal. As plantas infestantes podem definir-se, segundo o Professor António Mexia, como “plantas fora do sítio”. No contexto dos sistemas agro-silvo-pastoris mediterrânicos, ao associarem-se a uma cultura ou pastagem, acarretam prejuízos económicos ao limitarem a produção real e o potencial genético do sistema. Este trabalho apresenta uma análise botânica e o impacto ecológico destas espécies em dois contextos edáficos distintos: Cambissolos de Montado de azinho (Évora) e Leptossolos de sobreiral (Serra do Caldeirão). Nos Cambissolos da Herdade da Mitra, foram inventariadas 62 espécies botânicas, evidenciando que a estrutura, gestão e hábitos de pastoreio no Montado influencia diretamente a composição da flora. As áreas de clareira, fora da influência da copa das árvores, apresentam uma carga de infestantes significativamente superior (72,8%) à das zonas sob a copa (36,5%), onde predomina uma flora mais nutritiva. Do ponto de vista botânico, destacam-se espécies como a Oxalis acetosella (azedinha) e o Rumex sp., que comprometem a sanidade do sistema pelo seu elevado teor de ácido oxálico. Este composto atua como um antinutriente, inibindo a absorção de cálcio pelos animais e podendo conduzir a estados de debilidade física no efetivo pecuário. A nível arbóreo a sua influência pode ser negativa pois escretam compostos alelopáticos que limitam a germinação de espécies mais interessantes em termos da melhoria da fertilidade do solo (ex: leguminosas) e, muitas vezes possuem menos micorrizas. Nos Leptossolos da Serra do Caldeirão, a flora é marcada pela baixa espessura efectiva do solo e pela recorrência de distúrbios como o fogo. Nestes solos delgados, observa-se a dominância de arbustos pirófitos dos géneros Cistus e Ulex, que aumentam a carga de combustível e inibem a regeneração natural. Particular atenção é dada à Urginea maritima (cebola-albarrã), identificada como uma das espécies mais venenosas presentes e sinal de degradação da fertilidade do solo. Conclui-se que o estudo da herbologia em sistemas florestais auxilia a gestão. O impacto destas espécies transcende a competição por recursos, afetando diretamente a saúde animal e a resiliência do estrato arbóreo, tornando o conhecimento botânico indispensável para o equilíbrio sustentável do sistema. A sua população e grau de cobertura são consequências das operações de silvicultura, pastorícia e agricultura. Agradecimento aos funcionários do Instituto Superior de Agronomia e da Universidade de Évora que auxiliaram. | |