Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 8 - Cortiça: produto e material do futuro Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Carla Nogueira Moderação/coordenação de sessão: Clara Pinto | |
| Apresentação 5 | |
A importância da fertilização do solo no Montado e no sobreiral: pode o fósforo ser um factor limitante? 1: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora.; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais; MED - Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento A gestão da fertilidade do solo em sistemas florestais mediterrânicos é fundamental para garantir a resiliência e a produtividade, especialmente perante cenários de alterações climáticas e distúrbios como incêndios. Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica e uma análise experimental sobre o papel do fósforo (P) como factor limitante no desenvolvimento e crescimento de espécies do género Quercus. A componente de revisão bibliográfica baseia-se em ensaios de fertilização, maioritariamente portugueses, desde a década de 1960, impulsionados pela Engenheira Silvicultora Arlinda Franco de Oliveira (na época como funcionária da então Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas), na Mata Nacional de Leiria em pinheiro-bravo e em eucalipto, até aos mais recentes manuais de recomendação de fertilização conduzidos por equipas multidisciplinares, envolvendo as principais unidades de investigação florestal nacional, como: INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (ex Estação Florestal Nacional, com espólios resultantes das extinções da Estação de Experimentação do Sobreiro e do Eucalipto - Alcobaça e da Estação de Experimentação do Pinheiro Bravo - Mata Nacional de Leiria), UNAC - União da Floresta Mediterrânica, CEF - Centro de Estudos Florestais e MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (ex ICAAM - Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas). Aqueles estudos mais recentes abordam a fertilização do sobreiro, Montado e pinheiro-manso, sobretudo a Sul do Tejo. O delineamento experimental baseia-se em dados de dois ensaios distintos conduzidos a Sul do Tejo: (i) - Projecto de Agricultura de Precisão (AP) na Herdade Experimental da Mitra (Unviersidade de Évora), em Cambissolos sob Montado de azinho com pastoreio rotacional de bovinos (0,6 cabeças normais por hectare); e (ii) - Estudo de recuperação pós-incêndio na Serra do Caldeirão (Algarve), em Leptossolos de um sobreiral ardido em 2004. As metodologias de amostragem foram ajustadas às características do solo de cada região, com recolhas a 0-20 cm na Mitra e 0-5 cm na Serra Algarvia, reflectindo as diferenças de solos (ex: espessura efectiva e horizontes do solo). Os resultados revelam uma elevada variabilidade intraparcelar nos teores de fósforo (expresso em P2O5). Na Mitra, embora os valores médios de P2O5 (90-117 mg/kg de solo) se situem acima da média nacional para solos de sequeiro, os coeficientes de variação superiores a 60% justificam a adopção de tecnologias AP, como a aplicação a taxa variável (VRT) para optimizar a fertilização. Por outro lado, na Serra do Caldeirão, os Leptossolos apresentaram teores muito baixos (frequentemente < 18 mg de P2O5/kg de solo), independentemente da gestão florestal aplicada. Pensa-se que o fósforo será um dos principais factores limitantes à regeneração do sobreiro, crescimento radicular e, por consequência, resiliência à seca e crescimento aéreo, em sistemas mediterrânicos de sequeiro. Conclui-se que o teor de fósforo disponível no solo é um parâmetro indispensável na monitorização de sistemas com componente florestal, podendo ser usado como indicador da qualidade do solo. A sua aplicação permitirá aumentar a sustentabilidade deste tipo de sistemas mediterrânicos. Agradecimentos: a todos os funcionários do Instituto Superior de Agronomia e da UÉvora que permitiram a realização do presente estudo, nomeadamente aos Prof.s Erika Santos e Henrique Ribeiro e ao Inv. Diego Aran. | |