Programa da conferência
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Vista diária |
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T1.1 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Pedro Bingre do Amaral | |
| Apresentação 2 | |
Contribuição para uma história florestal portuguesa 1: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Universidade de Lisboa, Lisboa; 3: RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel - Direcção de Investigação e Consultoria Florestal; 4: CEIS20 - Centro de Estudos Interdisciplinares, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal; 5: Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal; 6: APHES - Associação Portuguesa de História Económica e Social, Rua Miguel Lupi 20, 1249-078 Lisboa A presente comunicação procura contribuir para o aprofundamento da história florestal portuguesa, evidenciando a evolução dos padrões de uso e gestão do território florestal desde a fundação do país até à atualidade. Após o reconhecimento de Portugal como reino independente em 1143 (Tratado de Zamora), o território tem sido marcado por alternâncias entre ciclos de arborização e desflorestação, fortemente condicionados por factores políticos, económicos e sociais. Uma das primeiras grandes iniciativas de arborização ocorreu na área hoje ocupada pela Mata Nacional de Leiria, impulsionada ao longo de vários reinados medievais, com destaque para o papel da Ordem de Cister. Também designados por “Abbades Geraes de Alcobaça”, eram, nas palavras de Joaquim Vieira Natividade, uma referência europeia no primor que davam à arboricultura. A este período seguiu-se uma fase prolongada de desflorestação, que se estendeu até meados do século XVIII, associada, entre outros factores, à pressão sobre os recursos lenhosos, contribuindo para que Portugal fosse o segundo país europeu com menor cobertura florestal. A partir da segunda metade do século XVIII, observa-se a emergência de políticas sistemáticas de arborização, ainda que intermitentes devido a eventos como as invasões francesas e a Guerra Civil. No século XIX e início do século XX, a acção dos Serviços Florestais e iniciativas privadas promoveram a expansão do pinheiro-bravo, nomeadamente na fixação de dunas e em áreas degradadas. Este período marca também o início da consolidação de uma política florestal estruturada. Em 1924, com a criação das estações de experimentação do pinheiro-bravo e do sobreiro, inicia-se formalmente a investigação aplicada às principais espécies florestais. Aquelas espécies e, mais tarde, o eucalipto assumem um papel central na economia florestal nacional, sustentando importantes fileiras industriais. Durante o Estado Novo, intensifica-se a intervenção pública e privada na arborização, incluindo a criação de organismos corporativos destinados a articular produção, indústria e investigação, bem como a expansão das políticas florestais aos territórios ultramarinos. Este modelo reforçou a integração do sector florestal na economia nacional. Formam criados, entre outros a Junta Nacional da Cortiça e a Junta Nacional dos Resinosos. Nas últimas décadas, a floresta portuguesa tem enfrentado desafios significativos, nomeadamente o aumento da área ardida e o abandono da gestão ativa, associados a transformações socioeconómicas como o êxodo rural. Simultaneamente, verificou-se um crescimento da investigação em áreas como a deteção remota, modelação e inventariação florestal, embora com menor incidência nos solos florestais. Mais recentemente, assiste-se a uma renovada atenção a esta temática, bem como ao reforço de estratégias de prevenção de incêndios. Atualmente, a floresta ocupa uma parte substancial do território nacional e mantém uma forte ligação aos sistemas naturais e às actividades humanas, desempenhando um papel central na sustentabilidade ecológica e económica. Conclui-se que, embora se observe uma evolução globalmente positiva da silvicultura portuguesa nos últimos dois séculos, os desafios persistentes—em particular os incêndios florestais—exigem a reavaliação dos modelos de gestão. Nesse contexto, práticas tradicionais como a pastorícia e o fogo controlado têm vindo a ser reconsideradas como instrumentos relevantes para uma gestão mais sustentável do território. | |