Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 19 | |
Como evoluem as rolhas de cortiça em contacto de longa duração com vinho em garrafa 1: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Center, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 4: Amorim Cork, Rua dos Corticeiros 850, 4535-387 Santa Maria de Lamas, Portugal A cortiça é desde há muito utilizada como vedante em garrafas de vinho devido às suas propriedades que asseguram a estanquicidade do vedante (por exemplo, baixa permeabilidade a líquidos e gases, assim como capacidade mecânica de recuperação dimensional após inserção na garrafa e manutenção da força compressiva contra a parede interior do gargalo). No entanto há casos em que as rolhas fraturam e se desintegram quando são retiradas com saca-rolhas, apresentando também uma contração de volume. Este facto mostra que houve alteração de propriedades da rolha, provavelmente em resultado de uma alteração química dos componentes estruturais da cortiça por contacto com a solução etanólica. Para estudar este fenómeno, analisou-se o efeito químico de soluções etanol-água sobre a cortiça em condições reativas com diferentes severidades que possam ser associadas a diferentes tempos de engarrafamento. Utilizando cortiça livre de extrativos, ou seja, cortiça apenas contendo os seus componentes químicos estruturais, efetuaram-se tratamentos em autoclave com soluções água-etanol com diferentes temperaturas e tempos de contacto, determinando a perda de massa resultante da degradação da suberina e da lenhina e polissacáridos. Em condições de severidade baixa ou moderada (correspondentes a fatores de severidade até 4,6), que se podem extrapolar para os casos de contacto de rolhas sem envelhecimento em garrafa ou com envelhecimento de duração moderada, verificou-se que a perda de massa total é de 11%, mostrando a suberina grande estabilidade, com uma despolimerização menor que 5% do seu valor inicial, e a lenhina com 18%. Tais valores não configuram impacto significativo nas propriedades da cortiça e, portanto, no desempenho das rolhas nestas condições. Para envelhecimento em garrafa de muito longa duração, que se pode aproximar às condições reativas que foram testadas com severidade mais alta (até 5,1), a perda de massa total atinge 41% com uma despolimerização da suberina que aumenta até 43% do seu teor inicial, o que introduz fragilidades mecânicas a nível da parede celular das células de cortiça. Embora as alterações não se estendam uniformemente a toda a rolha, verifica-se uma diminuição da rigidez das paredes celulares e o seu correspondente colapso ou enrugamento acentuado, assim como a diminuição da espessura, o que explica fraturas e desintegração das rolhas, assim como a sua contração volumétrica. | |