Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 13b - Baldios em transformação: dinâmicas institucionais e modelos de gestão Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Pedro Gomes Moderação/coordenação de sessão: André Chaves Moderação/coordenação de sessão: Iryna Skulska Kolos | |
| Apresentação 6 | |
Os baldios como elementos centrais da gestão florestal sustentável: um modelo empresarial Antarr Sustainable Productive Forest, S.A, Portugal A floresta portuguesa enfrenta, há várias décadas, desafios estruturais no domínio da sua gestão e valorização, os quais variam consoante o regime de propriedade, dimensão das explorações e dinâmicas socioeconómicas regionais. Neste cenário, os baldios ocupam uma posição estratégica fulcral. Pela sua escala e relevância comunitária, estes territórios detêm um potencial único para alavancar uma gestão integrada e resiliente. Contudo, a aplicação de modelos de investimento privado a estes espaços tem sido historicamente incipiente, muito devido à incapacidade estrutural dos territórios comunitários em absorver e gerir o risco financeiro e operacional de longo prazo. O projeto Antarr surge como uma abordagem disruptiva neste panorama, ao introduzir um modelo empresarial concebido especificamente para operar à escala da paisagem — uma tipologia de intervenção privada até agora pouco aplicada ao contexto dos baldios em Portugal. Este modelo aporta uma gestão profissionalizada e multidisciplinar que ultrapassa o âmbito de atuação e as competências técnicas expectáveis de uma comissão de compartes tradicional. Ao introduzir quadros especializados nos campos florestal e da conservação da natureza, a Antarr otimiza o valor ecológico e económico do território de forma integrada. Com uma visão estratégica de longo prazo, capacidade financeira e autonomia operacional, este modelo empresarial não visa substituir, mas sim complementar as estruturas tradicionais, transformando áreas degradadas ou incultas em ativos viáveis. Crucialmente, a Antarr assume a totalidade do risco financeiro e assegura a injeção contínua de capital nos momentos críticos do ciclo florestal — uma capacidade de investimento imediato que os baldios raramente conseguem garantir. Além disso, esta gestão profissional do risco traduz-se num benefício social direto para as populações locais: a implementação de planos de gestão florestal que reduzem drasticamente o perigo de incêndio, devolvendo segurança e proteção territorial face à ameaça estrutural dos incêndios rurais. O modelo Antarr assenta em contratos de arrendamento de longa duração (80 anos), de unidades mínimas de 400 hectares, e aplica-se à propriedade comunitária e privada. A seleção de espécies inclui uma componente de produção forte, com apostas em várias espécies e produtos diferentes, como seja o pinheiro-bravo e o sobreiro, a madeira nobre, cortiça e castanha. A componente da promoção da biodiversidade é também forte, incluindo o combate às invasoras e restauro da Natureza. O modelo de silvicultura adaptativa responde aos desafios das alterações climáticas e à oportunidade de converter povoamentos de espécies pioneiras em povoamentos de folhosas ao longo dos 80 anos. Atualmente a Antarr gere 10.500 hectares, já plantou mais de um milhão de árvores e tem os serviços de ecossistema validados. Em 2025 implementou o seu Plano de Gestão de Valores Naturais, e em 2026 o seu Plano de Envolvimento de Partes Interessadas. Em 2026 fez ainda um investimento de impacto social no estabelecimento de nove Unidades de Trabalhadores Florestais. Durante a apresentação, serão partilhados dados de suporte e exemplos práticos de aplicação do modelo. Demonstrar-se-á como a convergência entre o setor empresarial e os territórios comunitários pode ter um papel importante no próximo capítulo da governança dos baldios, reforçando o seu papel enquanto pilares de resiliência climática e estabilização demográfica para o interior do país. | |