Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 17b - Governança florestal e gestão do território em diferentes contextos: abordagens comparativas para o desenvolvimento sustentável Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Tamiel Khan Baiocchi Jacobson Moderação/coordenação de sessão: Fabrício Alvim Carvalho Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo | |
| Apresentação 1 | |
Modelos colaborativos no planeamento e gestão florestal: a governança participativa do projeto LIFE ResLand no Parque Natural de Sintra-Cascais Cascais Ambiente, Portugal A gestão de territórios florestais periurbanos, face aos crescentes impactos das alterações climáticas, exige abordagens colaborativas transdisciplinares que integrem o conhecimento local e a participação ativa de diferentes partes interessadas. No Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC), no concelho de Cascais, a elevada vulnerabilidade a incêndios rurais e a perda de biodiversidade exigem uma mudança de paradigma na governança do território. Neste contexto, o projeto LIFE ResLand propõe um modelo de resiliência climática baseado na gestão ativa e colaborativa, assumindo que a sustentabilidade a longo prazo das intervenções florestais depende criticamente do envolvimento e corresponsabilização dos proprietários rurais privados na replicação das boas práticas de gestão florestal. Este trabalho analisa a eficácia da metodologia de envolvimento dos proprietários rurais e outros atores locais na governança descentralizada implementada no âmbito das ações preparatórias (WP2) do LIFE ResLand. Quantifica-se o envolvimento dos múltiplos atores e avaliam-se os desafios de comunicação, perceções e motivações para o planeamento e gestão de um território florestal resiliente. Adotou-se uma abordagem participativa "bottom-up", desenvolvida entre outubro de 2023 e junho de 2024. O processo envolveu a realização de cinco reuniões temáticas orientadas (focus groups) e de cinco visitas de campo, envolvendo 167 participantes representativos de: proteção civil, proprietários rurais, silvopastorícia, turismo de natureza e utilizadores do PNSC. As sessões incluíram apresentações técnicas detalhadas, dinâmicas de grupo, debates e cartografia para recolha de contributos e questionários de satisfação. Complementarmente, realizaram-se sessões de capacitação técnica focadas na transferência de conhecimento prático. As dinâmicas participativas resultaram em 176 contributos enquadráveis nos eixos estratégicos do projeto LIFE ResLand (gestão florestal, silvopastorícia, proteção, recreio e lazer). A proteção civil sublinhou a necessidade de adaptar o planeamento da descontinuidade da vegetação aos ventos dominantes e de substituir o Pinus halepensis por espécies nativas mais resilientes. O setor silvopastoril, propôs a monitorização tecnológica para evitar a sobrepastagem. O envolvimento dos proprietários rurais revelou os desafios mais complexos da governança: embora reconheçam a importância da gestão florestal na resiliência das suas propriedades, apontaram os elevados custos financeiros e a burocracia como principais obstáculos à gestão ativa. O mecanismo de remuneração dos serviços de ecossistema emergiu como uma ferramenta para viabilizar a sustentabilidade económica e a gestão à escala da paisagem. Adicionalmente, os utilizadores do PNSC e as empresas de turismo de natureza reforçaram a necessidade de melhorar comunicação e sensibilização para a conservação dos valores naturais. Os resultados confirmam que a resiliência florestal e a adaptação climática são indissociáveis da dimensão social da governança. A abordagem participativa é fundamental para reduzir conflitos e aumentar a aceitação social das intervenções florestais. Apesar dos proprietários enfrentarem os maiores desafios, a sua inclusão precoce no projeto mitiga conflitos e identifica a necessidade de estratégias de comunicação mais simplificadas e reuniões informais. Este modelo de governança estabelece uma base sólida para a gestão colaborativa e a sustentabilidade a longo prazo da paisagem florestal. | |