Programa da conferência
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Vista diária |
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T2.3 - Os desafios Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço | |
| Apresentação 4 | |
Do restauro pós-incêndio de 2018 à estabilização de emergência de 2023 no Parque Natural de Sintra-Cascais Cascais Ambiente, Portugal A recorrência de incêndios rurais em áreas protegidas ameaça a integridade dos ecossistemas mediterrânicos. O incêndio de outubro de 2018 no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC) afetou 428 ha em Cascais. Sabendo-se que o histórico de incêndios moldou a paisagem nesta área, impactando a biodiversidade e limitando a regeneração natural da vegetação nativa, desenvolveu-se um plano de restauro ecológico integrado entre a Peninha e a duna da Cresmina. A capitalização desta experiência foi fundamental em julho de 2023, quando um novo incêndio afetou 206 ha no Pisão de Baixo, permitindo transpor, de imediato, os modelos de intervenção biofísica e consolidar uma estratégia municipal de resiliência territorial face ao risco. As técnicas de engenharia natural e de restauro ecológico aplicadas na área afetada em 2018 permitiram planear e executar com eficácia o plano de estabilização de emergência pós-incêndio de 2023 no Pisão de Baixo, mitigando riscos hidrológicos e de perda de solo. Em ambas as situações pós-incêndio, a estratégia dividiu-se em ações de mitigação imediata e de conservação estrutural. No pós-incêndio de 2018, a fase de emergência (primeiros seis meses) focou-se na contenção da erosão através de barreiras de retenção de sedimentos e estabilização de encostas com sementeira, técnicas de engenharia natural e materiais biodegradáveis locais. A fase de conservação subsequente consistiu no controlo mecânico e químico de flora invasora, tanto na área ardida como em povoamentos florestais contíguos de alta densidade, seguida do adensamento com espécies nativas. Em 2023, no Pisão de Baixo, a resposta foi imediata, replicando os critérios de minimização de risco hidrológico e aplicando técnicas de engenharia natural para proteção do solo. Paralelamente, em 2018, celebraram-se protocolos individuais de cooperação com proprietários privados. As estruturas de engenharia natural evitaram a perda de solo e a erosão de linhas de água, criando locais favoráveis ao sucesso da regeneração natural. O controlo de invasoras reduziu a pressão biótica e o banco de sementes, permitindo o estabelecimento das espécies nativas. O principal elemento diferenciador da iniciativa de 2018 relacionou-se com a vertente social: a celebração dos protocolos com proprietários privados permitiu executar as intervenções de forma contínua, superando a fragmentação da propriedade que frequentemente inviabiliza a gestão florestal à escala da paisagem. O grande avanço traduziu-se na curva de aprendizagem: o plano de estabilização de emergência em 2023 beneficiou da validação dos métodos de 2018. Isto permitiu otimizar o dimensionamento das barreiras, acelerar os prazos de execução para menos de dois meses após o incêndio e identificar as áreas prioritárias de intervenção com base nos declives e na severidade do incêndio. O restauro ecológico pós-incêndio em ecossistemas vulneráveis depende criticamente da rapidez e eficácia das técnicas de engenharia natural aplicadas na estabilização biofísica. A ligação operacional entre os incêndios de 2018 e 2023 comprova que a continuidade e experiência técnica transformam riscos naturais repetitivos num processo de gestão adaptativa. Os modelos testados na Peninha-Cresmina e replicados no Pisão de Baixo estabelecem um referencial prático de resiliência, demonstrando que o conhecimento acumulado é o alicerce para mitigar os impactos das alterações climáticas no território florestal. | |