Programa da conferência
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Vista diária |
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T4.1 - A transformação Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: Maria Emília Silva | |
| Apresentação 3 | |
A certificação florestal está a contribuir para a conservação do montado de sobreiro? Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN-InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal A certificação florestal, uma ferramenta de conservação que visa promover a gestão florestal sustentável, tem vindo a expandir-se globalmente e a ser aplicada em diferentes sistemas incluindo os montados de sobro. Em Portugal, o país com a maior área de sobreiro e líder mundial na produção de cortiça, aproximadamente 150 mil hectares (cerca de 20%) da área de montado de sobro encontra-se sob certificação florestal. Para aderir à certificação, os produtores florestais necessitam de cumprir práticas de gestão que cumpram normas ambientais e socio-económicas. No âmbito das normas ambientais, os proprietários necessitam de implementar zonas de conservação, para conservação da biodiversidade e dos serviços do ecossistema, em aproximadamente 10% da área da unidade de gestão florestal. Neste trabalho sintetizo os resultados do nosso grupo de investigação sobre os efeitos da certificação florestal na sustentabilidade ecológica e biometria dos povoamentos de sobreiro. Embora exista um declínio do montado de sobreiro, com redução da densidade dos povoamentos de sobreiro certificados e não certificados, os resultados sugerem que o declínio é mais acentuado nas áreas não certificadas, podendo a certificação florestal estar a desempenhar um papel na mitigação do declínio dos montados de sobreiro. No que respeita às zonas de conservação, os resultados indicam que a heterogeneidade de habitat, a cobertura e a diversidade do sub-coberto arbustivo, assim como a regeneração natural, tendem a aumentar nas zonas de conservação, embora com resultados variáveis consoante o tempo decorrido desde a implementação das zonas de conservação. Relativamente aos valores de biodiversidade, a monitorização da avifauna em propriedades certificadas evidencia que as comunidades de aves diferem entre zonas de conservação e zonas controlo com as espécies dependentes de matos e insectívoras com maior abundância nas zonas de conservação e as espécies dependentes de áreas mais abertas, de pastagem, mais abundantes fora das zonas de conservação. Em termos globais, o estabelecimento de zonas de conservação como parte do processo da certificação florestal aumenta a diversidade de aves e de plantas à escala da propriedade. Relativamente às tendências da certificação na área de distribuição do sobreiro em Portugal, verificámos que a certificação florestal se iniciou nas áreas de maior capacitação técnica dos proprietários e mais elevada produção de cortiça. Estes resultados sugerem que os primeiros proprietários a aderir à certificação são também os melhor organizados e apoiados por associações de produtores florestais. | |