Programa da conferência
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Vista diária |
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T.2.1 - Os desafios Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: Raul Salas | |
| Apresentação 6 | |
Raças autóctones asininas na gestão sustentável da vegetação: contributos do projeto ASINIFIRE para a prevenção de incêndios na interface urbano-florestal 1: CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal.; 2: Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 3: Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), Largo da Igreja, nº 48 5225-011 Atenor (Miranda do Douro), Portugal; 4: Asociación Nacional de Criadores de la Raza Asnal Zamorano-Leonesa – (ASZAL) C/ Regimiento de Toledo 2, local 49011 Zamora, Espanha; 5: Buleza - Leche de Burra Zamorana 5 C/ Regimiento de Toledo 2, local, 49011 Zamora, Espanha; 6: Município de Vimioso, Praça Eduardo Coelho, 5230-315 Vimioso, Portugal; 7: ZASNET - Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Zasnet AECT Rua Engº José Beça, n.º 46 5300-034 Bragança – Portugal; 8: MORE - Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação, Edifício do Brigantia Ecopark, Avª Cidade de 7 Leon, 5300-358 Bragança, Portugal; 9: Arts Research unit (iA* - UBI), University of Beira Interior Covilhã, Castelo Branco, Portugal A acumulação de vegetação combustível nas proximidades dos aglomerados urbanos constitui um desafio crescente na prevenção de incêndios rurais, particularmente em territórios marcados pelo abandono rural, onde a redução das práticas tradicionais de gestão do território contribui para a simplificação da paisagem e aumento do risco de fogo. Neste contexto, a legislação em vigor estabelece obrigações específicas de gestão de combustível, reforçando a necessidade de soluções eficazes, de baixo impacto e adaptadas às especificidades locais. O projeto ASINIFIRE – Asininos na Prevenção de Incêndios para a Resiliência Ecológica propõe uma abordagem sustentável de gestão da vegetação baseada na utilização de raças asininas autóctones da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, em particular o burro Mirandês e o Zamorano-Leonês. A proposta articula duas dimensões complementares: por um lado, a gestão do combustível vegetal e a redução do risco de incêndio; por outro, a conservação de raças autóctones ameaçadas, através da valorização de novas funcionalidades ecológicas, territoriais e socioeconómicas. Neste âmbito, o pastoreio dirigido e a tração animal são encarados como ferramentas de gestão de baixo impacto, capazes de contribuir simultaneamente para a resiliência ecológica da paisagem e para a recuperação da utilidade social e económica destas raças. Esta abordagem revela interesse em áreas periurbanas, onde a gestão de combustíveis é obrigatória, e em locais de difícil acesso, onde a gestão mecânica pode apresentar limitações técnicas, económicas ou ambientais. Nestes contextos, os asininos podem atuar como agentes de controlo da vegetação, tirando partido da sua rusticidade, mobilidade em terrenos declivosos e proximidade histórica às comunidades rurais, onde desempenhavam funções de transporte, carga, tração e apoio às atividades agrícolas. A sua reintegração em estratégias de gestão de combustível permite, assim, associar prevenção de incêndios, valorização de práticas tradicionais e conservação de património biocultural. Desenvolvido no âmbito do programa Promove – Projetos I&D Mobilizadores, o projeto integra quatro áreas-piloto da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, em Portugal e Espanha, incluindo lameiros degradados e áreas mistas de floresta e matos. Nestes locais são avaliados parâmetros relacionados com a eficiência dos asininos na gestão da vegetação e a sua utilização em operações de tração animal de baixo impacto. Paralelamente, o projeto promove a criação de uma rede transfronteiriça de agentes interessados na conservação das raças asininas autóctones, envolvendo criadores, investigadores, técnicos e entidades locais, bem como ações de capacitação em tração animal. Os resultados preliminares indicam que o pastoreio asinino promove alterações na estrutura da vegetação arbustiva através do consumo de biomassa e do efeito mecânico do pisoteio. O consumo de vegetação herbácea parece igualmente contribuir para a recuperação ecológica e produtiva de lameiros abandonados, podendo favorecer, a médio prazo, a diversificação florística. Estes resultados sugerem que os asininos autóctones poderão constituir uma ferramenta promissora para a gestão ecológica da vegetação na interface urbano-florestal, contribuindo simultaneamente para a prevenção de incêndios, conservação da biodiversidade, valorização do património rural e reforço da resiliência socioecológica das paisagens agrossilvopastoris transfronteiriças. | |