Programa da conferência
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Vista diária |
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T3.1 - A ambição Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Carlos Fonseca | |
| Apresentação 4 | |
Plano de Paisagem de Cascais: uma estratégia integrada para a resiliência periurbana, gestão do risco e valorização dos serviços dos ecossistemas Cascais Ambiente, Portugal O incêndio rural de outubro de 2018, no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC), no concelho de Cascais, evidenciou a elevada vulnerabilidade ao fogo das paisagens periurbanas e a ausência de modelos integrados de ordenamento e gestão do território rural, revelando a necessidade de novas abordagens metodológicas de planeamento de escala alargada. O Plano de Paisagem de Cascais (PPC) surge como instrumento estratégico para responder à fragmentação ecológica, ao aumento do risco de incêndio rural e à perda de biodiversidade. Trata-se de um modelo integrado de planeamento e ordenamento da paisagem que visa aumentar, de forma sustentável, a resiliência ecológica, funcional e socioeconómica do território periurbano face às alterações climáticas. O PPC abrange 2357 ha no noroeste do concelho de Cascais, englobando áreas integradas no Parque Natural de Sintra‑Cascais. O trabalho integrou análise biofísica, socioeconómica e histórica da paisagem, com avaliação da evolução do uso do solo (1947–2015), caracterização de habitats naturais, análise do histórico de incêndios (1989–2018) e identificação de serviços dos ecossistemas. O território foi estruturado em seis unidades territoriais da paisagem, para as quais foram desenvolvidos modelos de gestão diferenciados e articulados com os instrumentos de gestão territorial em vigor. A metodologia incluiu ainda cartografia de risco, modelação espacial e processos participativos com proprietários rurais e agentes locais, permitindo definir cenários de intervenção e áreas prioritárias para gestão ativa e restauro ecológico. A análise revelou a transição de uma matriz originalmente rural para uma paisagem periurbana fragmentada, marcada pelo abandono agrícola, aumento da área de matos densos e consequente perigosidade de incêndio rural. Mais de 80% da faixa entre o Guincho e a Atrozela ardeu pelo menos uma vez nas últimas décadas, registando-se zonas críticas com uma recorrência superior a três incêndios em seis anos. Para mitigar essa vulnerabilidade, o PPC definiu oito modelos de gestão territorial — incluindo silvopastorícia, mosaicos agroflorestais, recuperação da floresta nativa, gestão das linhas de água e valorização de habitats prioritários — orientados para a proteção, a conservação, a produção e o recreio e lazer. As propostas privilegiam a criação de descontinuidades da vegetação combustível à escala da paisagem, o reforço de corredores ecológicos e dinamização económica através da agricultura local e do ecoturismo. O PPC demonstra que a gestão integrada da paisagem é uma estratégia eficaz para aumentar a resiliência de territórios periurbanos sujeitos a forte pressão urbana e ao risco de incêndio rural. A articulação entre a conservação da natureza, o ordenamento, a economia local e a participação dos proprietários rurais revelam-se essencial para promover paisagens multifuncionais e resilientes. A sustentabilidade da sua implementação depende criticamente da continuidade institucional, do financiamento sustentado e da governança colaborativa eficaz. | |