Programa da conferência
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Vista diária |
| Sessão | |
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Simpósio 6 - Oportunidades e desafios da expansão florestal e renaturalização da paisagem pós-abandono agrícola Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Lien Imbrechts Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo | |
| Apresentação 4 | |
Grandes herbívoros: ferramentas de gestão na renaturalização de paisagens e mitigação do risco de incêndio rural no Parque Natural de Sintra-Cascais Cascais Ambiente, Portugal Com o abandono agrícola, a ausência de gestão traduz-se na acumulação de biomassa lenhosa altamente inflamável, potenciando o risco de incêndio rural e consequentes implicações para a biodiversidade. Em contraste com os mosaicos heterogéneos da paisagem agrícola tradicional, com elevado valor ecológico e funcional, os territórios pós-abandono tendem a registar uma homogeneização da estrutura da vegetação. Face a este desafio, a introdução de grandes herbívoros surge como uma solução baseada na natureza capaz de modular a estrutura da vegetação através do seu consumo, dispersão de sementes, incorporação de matéria orgânica e abertura de trilhos que aumentam a conectividade e heterogeneidade do habitat. O objetivo deste estudo visa a avaliar a influência de um conjunto de grandes herbívoros nos padrões de uso do habitat e a pressão trófica sobre o estrato arbustivo, identificando o seu potencial na mitigação do risco de incêndio rural e no restauro funcional do território pós-abandono agrícola. Entre janeiro e setembro de 2025, monitorizou-se um conjunto multi-específico de grandes herbívoros (burros de Miranda, cavalos Sorraia e Garrano, vacas Maronesas, veado-vermelho (Cervus elaphus) e corço (Capreolus capreuolus)) em três cercados geridos no Parque Natural de Sintra-Cascais: Quinta do Pisão (120 ha), Pisão de Baixo (100 ha) e Peninha (60 ha). A abordagem metodológica integrou observação comportamental direta com etograma (amostragem ad libitum e por scan sampling) repartida em sete períodos diários, fotoarmadilhagem para cervídeos e telemetria GPS (intervalos de 30 min) em equídeos e bovinos. Os dados espaciais foram processados em ambiente QGIS para determinar padrões de distribuição e variação sazonal, quantificando-se o comportamento alimentar através de eventos de pastoreio/desbaste e identificação de espécies consumidas. Registaram-se 123 horas de observação direta (1100 registos comportamentais) e 165 259 localizações GPS, evidenciando padrões de uso diferenciados entre espécies. Os asininos ocuparam o território de forma homogénea, evitando áreas declivosas, enquanto os cavalos Sorraia evidenciaram agregação espacial associada a recursos e reprodução, sobretudo no norte da Quinta do Pisão na primavera e inverno. Os cavalos Garrano demostraram uma elevada versatilidade e capacidade de exploração em áreas de topografia complexa. A fotoarmadilhagem validou o hábito crepuscular e noturno dos cervídeos (23 109 ocorrências de corço e 5060 de veado-vermelho). A dieta confirmou uma pressão sobre espécies lenhosas e arbustivas, críticas para a progressão do fogo (Olea europaea var. sylvestris, Quercus spp., Ulex spp., Rubus spp., Rhamnus alaternus e Cistus ladanifer), resultando na quebra efetiva da continuidade vertical e horizontal do combustível, promovendo a criação de mosaicos estruturais. A reintrodução de grandes herbívoros constitui uma estratégia biológica robusta e de baixo custo para a gestão da vegetação em espaços protegidos periurbanos. A complementaridade funcional das espécies contribui para a redução da biomassa inflamável e aumento da heterogeneidade estrutural, promovendo mosaicos paisagísticos resilientes ao fogo e biodiversos, mais equilibrados e funcionalmente próximos dos sistemas agro-silvo-pastoris tradicionais. No entanto, a eficácia desta abordagem depende da adequação das espécies e efetivos às condições ambientais e características da paisagem, sendo essencial a monitorização contínua e a adaptação da gestão. | |