Programa da conferência
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Vista diária |
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T2.5 - Os desafios Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: M. Alice Pinto | |
| Apresentação 1 | |
Gestão integrada de surtos de Lymantria dispar na Quinta do Pisão, em Cascais: aplicação de controlo biológico e biotécnico, fogo controlado e promoção da biodiversidade funcional Cascais Ambiente, Portugal As alterações climáticas têm potenciado o desequilíbrio dinâmico dos ecossistemas mediterrânicos, aumentando a suscetibilidade a perturbações bióticas e episódios de pragas severos. A Quinta do Pisão é um Parque de Natureza inserido no Parque Natural de Sintra-Cascais, concelho de Cascais, aberto a visitação e atividades de recreio e com gestão para fins de conservação, restauro ecológico e redução risco de incêndio rural. Em 2019 detetou-se um foco eruptivo de lagarta-do-sobreiro (Lymantria dispar L.) numa área de 22 ha dominada por carrasco (Quercus coccifera), zambujeiro (Olea europaea var sylvestris) e carvalho-cerquinho (Quercus faginea). Esta praga desfolhadora origina surtos eruptivos cíclicos com graves impactos ecológicos e económicos e riscos para a saúde pública. Esta situação é agravada em áreas periurbanas devido à elevada visitação e ao risco de dispersão antropocêntrica de crisálidas e de ootecas em viaturas. Neste âmbito apresenta-se a estratégia de gestão integrada de controlo da praga de L. dispar implementada na Quinta do Pisão, demonstrando como a combinação de medidas de controlo biotécnico e biológico, fogo controlado e de soluções baseadas na natureza apoiam a mitigação de surtos epidémicos severos desta praga. Face à expansão do surto para 41 ha e à severidade da desfolhação, delineou-se um plano assente em cinco medidas complementares executadas de forma faseada: 1) instalação de bandas adesivas no tronco de carvalhos-cerquinhos e sobreiros; 2) monitorização e captura com 105 armadilhas de feromonas seletivas; 3) aplicação biológica de Bacillus thuringiensis subespécie kurstaki na orla da área afetada, caminhos e viaturas; 4) promoção da biodiversidade funcional através da instalação de 22 caixas-ninho para chapim; e 5) implementação de fogo controlado em 7,2 ha de matos dominados por carrasco. O desempenho foi aferido através de taxas de ocupação, contagem de lagartas e adultos capturados e monitorização pós-fogo da regeneração e persistência da praga. As bandas adesivas revelaram eficácia circunscrita à proteção individual de quercíneas com porte arbóreo durante a fase larvar. As armadilhas de feromonas demonstraram alta eficácia na monitorização e deteção de adultos de L. dispar, contabilizando a captura seletiva de 1146 machos adultos. Contudo, sem capacidade para impedir a deposição de ootecas pelas fêmeas da população remanescente. A aplicação de B. thuringiensis controlou eficazmente a densidade larvar inicial. Contudo, por afetar outras espécies de lepidópteros e coleópteros, a sua aplicação foi muito localizada, sendo necessário combinar com outras medidas. As caixas-ninho de chapim registaram uma trajetória de sucesso notável, com as taxas de ocupação a evoluir de 50% no primeiro ano para 81%, 86% e 95% nos anos seguintes, revelando ser uma medida efetiva na promoção de predadores naturais. O fogo controlado eliminou por completo a praga na área intervencionada, reduzindo em simultâneo a continuidade da vegetação combustível. A resposta aos desafios de fitossanidade em áreas protegidas exige uma visão integrada de gestão. Embora cada técnica isoladamente apresente limitações, a articulação combinada entre diferentes medidas e técnicas de fogo controlado provou ser um modelo eficaz de gestão integrada. Esta abordagem reduziu a densidade de L. dispar para níveis de equilíbrio natural, promovendo a resiliência florestal e mitigando o risco de incêndio num território sob forte pressão climática e antrópica. | |